O início foi para esquecer. A 51.ª edição voltou a arrancar de Portimão, mas foi em Lagos que aconteceu um momento insólito que correu o mundo. Na aproximação ao sprint final, o pelotão enganou-se na entrada para a reta da meta, seguiu pela saída das viaturas da corrida e acabou do lado de fora das grades. Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) viria a aproveitar para vencer, mas a etapa acabou anulada pelo incidente e o cronómetro voltou ao zero esta quarta-feira. Os memes começaram rapidamente a circular nas redes sociais e um final que podia ter resultado numa situação bastante grave acabou, para já, por não passar disso, de um momento para rir. Resta saber o impacto que terá nas próximas edições daquela que foi, nos últimos dois anos, considerada pela UCI a melhor prova ProSeries do calendário mundial.
“É um facto que analisámos várias imagens, tentámos perceber internamente o que é que levou a isto ter acontecido. Percebemos que é um conjunto de pequenos erros. Logicamente, a organização tem que assumir. Como responsáveis da organização, temos que assumir a nossa parte. Estamos conscientes, junto das equipas, junto dos atletas, que disponibilizámos toda a informação que indicava corretamente como é que era o desvio dos carros, que teriam que fazer a rotunda pelo lado esquerdo, mas, infelizmente, no momento do desvio dos carros, houve ali uma hesitação da nossa parte humana, da organização. O ciclismo, naquela velocidade, na verdade basta o primeiro ciclista tomar a trajetória errada que todo o pelotão depois vai atrás”, explicou Sérgio Sousa, diretor da organização, que pertence à Federação Portuguesa de Ciclismo.
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“Anular a etapa? Acaba por ser a única forma que tínhamos de recolocar estes 92 ciclistas que ontem [quarta-feira] não passaram a linha de meta. É um mal possível. Temos a consciência que a etapa de ontem não era decisiva para a classificação geral da Volta ao Algarve e para o desfecho final desta Volta ao Algarve, acaba por ser um mal menor nesse sentido. Críticas? Logicamente compreendo essa postura e essa visão, mas o que é certo é que todos temos a consciência que a verdade desportiva não estava ali vincada e não é essa também a nossa forma de estar no ciclismo. Acima de tudo, devia prevalecer um bom espetáculo desportivo, um espetáculo televisivo e, na verdade, isso não aconteceu”, acrescentou.
????♂️???????? 2ª etapa de la @VoltAlgarve
???? Lagoa > Fóia
↔️ 177,6 kilómetros
⏰ 16:00 horas
???? @Eurosport_ES 2 y @StreamMax#AAlgarvia #VoltaAoAlgarve pic.twitter.com/tdFjS6c1We— Eurosport.es (@Eurosport_ES) February 20, 2025
Para esta quinta-feira estava reservada a etapa rainha desta 51.ª edição da Algarvia, entre Lagoa e a Fóia. Ao todo, o pelotão teve pela frente 177,6 quilómetros e cinco contagens de montanha, com as últimas três a surgirem nos derradeiros 35 quilómetros — de terceira, segunda e primeira categoria, no alto. O primeiro dia importante para as contas da geral contou com uma novidade no fim: a organização alteração o lado da subida à Fóia que, assim, ficou mais irregular, ainda que a pendente média se tenha mantido nos 5%, com o último quilómetro acima dos 8%. Antes de chegarem ao ponto mais alto do Algarve, a subida à Pomba podia ser utilizada para endurecer a corrida.
À semelhança da véspera, as formações nacionais voltaram a contar com representação na fuga do dia, que contou com oito elementos: Tobias Bayer (Alpecin-Deceuninck), Brent Van Moer (Lotto), Fábio Costa (Anicolor-Tien 21), Leangel Linarez e Guilherme Lino (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), André Carvalho (Efapel), Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) e German Tivani (Aviludo-Louletano-Loulé). Atrás, Red Bull-Bora-hansgrohe e Visma-Lease a Bike trataram de controlar a corrida, com vista ao triunfo de Jonas Vingegaard e Primoz Roglic, respetivamente. A iniciativa terminou já dentro dos últimos 22 quilómetros.
Romain Bardet (Picnic PostNL) abriu as hostilidades na Pomba, subida que acabou por reduzir o grupo a pouco mais de 30 elementos, com António Morgado, João Almeida (UAE Emirates-XRG) e Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) a rodarem na cauda do pelotão. Jan Christen (Emirates) Ben Tullet (Visma), Larens De Plus (Ineos), Rémy Rochas (Groupama-FDJ) e Neilson Powless (EF Education-EasyPost) adiantaram-se no início da subida final, com o suíço a mostrar-se mais capaz ao longo da aproximação à meta. Atrás, Vingegaard atacou a dois quilómetros do fim, com Roglic e Almeida a responderem de pronto.
???????????? Por si había dudas del que fue ???????? ???????????????????? ???????????????????????? ???????????? ???????????????????? en 2024
1⃣-2⃣ para UAE en el final en alto de la @VoltAlgarve con Jan Christen y un Almeida que fue el más fuerte entre los favoritos
Vingegaard, 6º, con Roglic, 9º#LaCasaDelCiclismo pic.twitter.com/lRz5VxJQJ8
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No último quilómetro, o suíço desferiu o ataque final, De Plus demorou a responder e quando o fez já era demasiado tarde. Christen acabou por vencer no alto da Fóia, ao lado de João Almeida, que conseguiu ganhar tempo aos rivais diretos nos últimos metros. Na terceira posição ficou De Plus, ao passo que Morgado entrou na quinta posição. No que respeita à geral, Almeida está a quatro segundos do companheiro de equipa, mas tem uma vantagem de 16 segundos para Jonas Vingegaard (sexto) e de 19 para Primoz Roglic (nono). Pelo meio, De Plus (a 13 de Christen), Bardet (a 18) e Morgado (a 20) completam top 5.
Jan Christen (20 ans) signe sa 2e victoire de la saison, la 9e pour son équipe. Pour sa dernière saison, Romain Bardet commence bien, terminant devant Jonas Vingegaard et Primoz Roglic ! UAE Emirates place également Antonio Morgado 5e de l'étape. #VoltaAoAlgarve pic.twitter.com/4ZQh7G9tKl
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