Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, anunciou durante o debate da moção de censura, proposto pelo Chega, a distribuição de um documento com os deputados do Chega que são detentores de empresas imobiliárias. No documento a que o Observador teve acesso constam quatro nomes: Filipe Melo, Pedro Pessanha, Felicidade Vital e José Dias Fernandes.

No caso de Filipe Melo, que é o coordenador do grupo parlamentar do Chega na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação — onde se discutiu a chamada Lei dos Solos — é detentor de 50% de uma empresa com o seu próprio nome: António Filipe Dias Melo Peixoto UNIP LDA Imobiliária, segundo o mesmo documento.

Outro dos deputados do Chega com empresas imobiliárias declaradas é José Dias Fernandes, que é suplente na mesma comissão. A empresa em causa é a “JOAM – Holding Gestão de Património”.

Pedro Pessanha e Felicidade Vital completam a lista de deputados com empresas imobiliárias, segundo o documento em causa. Felicidade Vital detém 40% do capital da “LXDOM, LDA, Imobiliária Lisboa”, enquanto o deputado e líder da distrital de Lisboa, Pedro Pessanha, tinha a “PP GESTE – Imobiliário” e, segundo o registo de interesses, houve uma “dissolução e encerramento da liquidação”, com aprovação de contas a 31 de julho de 2024, pelo que atualmente a empresa já não existe.

O Observador contactou o Chega para perceber se o partido considera que existe conflito de interesses, especialmente no caso do deputado Filipe Melo por ser coordenador na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação, e se vai pedir para os deputados deixarem de ter participação nas empresas. Até ao momento de publicação desta notícia, ainda não recebeu qualquer resposta.

[Notícia atualizada com a informação de que a empresa de Pedro Pessanha foi fechada em 2024]

[António Raminhos, Luís Filipe Borges e Marco Horácio são três “Homens de Uma Certa Idade” a discutir a vida “de forma sincera”. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]