O Bloco de Esquerda indicou esta terça-feira que a secretária de Estado da Habitação e outros seis membros do Governo detêm empresas imobiliárias e apelou ao Presidente da República que “aprenda com erros” e vete qualquer alteração futura à lei dos solos.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a coordenadora do BE, Mariana Mortágua, afirmou que o partido “tomou a liberdade de fazer o levantamento de todos os deputados e de todos os membros do Governo que possam ter empresas imobiliárias” e concluiu que são sete governantes e 20 deputados nessa situação, apontando incompatibilidades entre essas funções e a legislação em matérias de habitação.

De acordo com os dados divulgados pelo partido, constam da lista de governantes com participações em empresas imobiliárias a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, o secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, a ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, e o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos

O Bloco apontou ainda o nome do secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, Álvaro Castelo Branco, do secretário de Estado da Presidência do Conselho da Ministros, Paulo Marcelo, e do secretário de Estado Adjunto da Presidência, Rui Armindo Freitas.

Mortágua lembrou ainda o caso do ministro da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, apontando-o como o episódio mais grave.

“O ministro Castro Almeida, quando era autarca e presidente de Câmara, fez adjudicações por ajuste direto a uma empresa que era de um sócio do próprio ministro, o que coloca em causa a idoneidade de um político, de um ministro, para poder ocupar funções executivas”, justificou.

O partido indicou ainda que há 20 deputados com participações em empresas imobiliárias — 13 do PSD, quatro do Chega e três do PS — para sublinhar a importância de se escrutinar os interesses de quem legisla.

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Mariana Mortágua apelou ao Presidente da República para que vete uma eventual mudança à lei dos solos que venha a sair do processo de apreciação parlamentar do diploma.

“O apelo que fazemos é também ao Presidente da República para que aprenda com os seus erros — parece-me que é isso que quer dizer a sua declaração de hoje — e que vete qualquer alteração à lei dos solos, no sentido de abrir mais as regras, que possa sair da Assembleia da República”, disse.

Respondendo às palavras do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco — que criticou esta manhã quem pretende criar um clima de confusão a propósito de políticos com participações em empresas imobiliárias —, Mortágua disse ainda que o que está em causa “é saber os interesses que tem cada pessoa que vota e decide coisas importantes”.

Aguiar-Branco afirma que se pretende criar confusão com lei dos solos e imobiliárias

“Quando temos governantes que estão a aprovar leis sobre habitação e sobre alojamento local, estão a aprovar leis do ponto de vista de alguém que quer combater a crise especulativa e a crise imobiliária ou estão a aprovar leis do ponto de vista de alguém que tem empresas e interesses diretos seus e familiares no setor imobiliário e no setor do alojamento local?”, questionou.