A direção de informação da RTP reagiu à notícia do Observador que dá conta de que o núcleo duro de Luís Montenegro acredita na existência de uma estratégia concertada para desgastar o primeiro-ministro, mas também numa atitude editorial hostil por parte da televisão pública, e assegura que os jornalistas “não se deixam condicionar”.
“Os escrutínios dos poderes públicos é uma das missões principais do jornalismo livre e independente. É essa também a missão da RTP. Quaisquer que sejam e de onde quer que venham as insinuações de alegadas “estratégias concertadas” têm apenas uma resposta simples e linear: os jornalistas da RTP não se deixam condicionar e continuarão a cumprir o seu dever profissional“, pode ler-se na nota assinada pela direção de informação do canal público.
Durante a tarde, Pedro Nuno Santos reagiu à notícia e referiu que é “inaceitável” o que foi dito pelo núcleo de Montenegro: “Como se houvesse uma agenda por parte da RTP nas notícias que tem dado, mas não é só sobre a RTP porque há lá insinuações sobre outros órgãos de comunicação social que estando em dificuldades estariam à espera de uma ajuda que não tiveram.”
“Acho grave que se tente passar de forma escondida a ideia de que só existe este caso porque alguns órgãos de comunicação social têm uma agenda contra o Governo”, salientou, ao mesmo tempo que criticou a “argumentação” por ser “ridícula”. “Mas as intenções estão lá“, sublinhou, acrescentando: “Acho absurdo o que está ali e acho ridículo um dos argumentos que está no artigo é que haveria interesses imobiliários obscuros que não querem a aprovação da nova lei porque fará baixar preços do imobiliário.”
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“O Governo estava mal habituado”, atirou Pedro Nuno Santos numa conferência de imprensa em que foi questionado sobre a notícia em causa e disse “não [ser] aceitável na nossa democracia é que se tente condicionar a comunicação social”. O líder do PS considera que o caso é “suficientemente grave para que o Governo sinta a necessidade de confirmar ou de desmentir”.
“Estava mal habituado.” Pedro Nuno Santos diz que teoria da cabala contra Governo é “ridícula”
No Governo, existe a convicção de que algumas empresas ligadas ao setor da comunicação social, a atravessar francas dificuldades, alimentavam expectativas de vir a ter um tratamento de favor por parte do novo Executivo — sobretudo em matéria de concessão de apoios e de ajudas nas dívidas acumuladas. Essas mesmas empresas terão ficado frustradas com os ‘nãos’ que foram ouvindo e estarão agora a retaliar.
Em cima de tudo isto, no Governo acredita-se que a frente de batalha aberta com a RTP, a quem o Executivo quis retirar os 7 milhões de euros anuais em publicidade até ser travado pela oposição no Parlamento, contribuiu para uma atitude editorial mais hostil por parte do canal público — que liderou as investigações jornalísticas às empresas de Hernâni Dias, Manuel Castro Almeida, Rita Alarcão Júdice e Maria do Rosário Palma Ramalho.