Alexander Westwood, ator britânico de 24 anos que participou na série da Netflix “Sex Education”, foi condenado a 15 anos e meio de prisão por 26 crimes que incluem violação e agressão sexual a cinco vítimas, de acordo com a BBC.
O ator é acusado de violar duas estudantes adolescentes que frequentavam as suas aulas de representação, sendo que uma delas foi alvo de abusos durante mais de oito anos. O arguido foi também condenado por crimes sexuais contra um rapaz com idade entre os nove e os dez anos, outra criança e uma mulher.
O juiz Neil Chawla, citado pela BBC, explica que Westwood tirou partido do seu estatuto de “celebridade menor” para atacar jovens inocentes e impressionáveis. O ator foi descrito no Tribunal de Wolverhampton como “manipulador e predador” e foi dito ao júri que os crimes cometidos eram “um hábito, um estilo de vida”. O tribunal afirmou ainda que o arguido era “fascinado” com pornografia desde criança.
Chawla afirmou que a “campanha de crimes sexuais” teve “consequências devastadoras para as cinco vítimas“, acrescentando que o ator demonstrou uma “atitude aparentemente despreocupada” que se aproximou da “arrogância”, esboçando um esgar enquanto os detalhes do seu comportamento eram lidos em voz alta no tribunal.
Segundo a BBC, os abusos de Westwood contra a sua vítima mais jovem começaram quando ela tinha seis anos e ele 10, o que levou a anos de “normalização do abuso sexual”, disse o procurador em tribunal. Entre novembro de 2020 e setembro de 2021, o figurante violou e agrediu sexualmente uma estudante de representação que frequentava as suas aulas. A jovem foi obrigada a despir-se enquanto recitava um monólogo de Ophelia, da obra Hamlet, de William Shakespeare. Além disso, Westwood intimidou-a com conversas de teor sexual relacionadas com obras cinematográficas, por exemplo, sobre uma cena de sexo do filme Frankie e Johnny (1991) e outra de masturbação na série Bridgerton.
O procurador Andrew Wallace disse à BBC que o ator “lhe tocava e tocava-se a si mesmo” acabando por a violar. Wallace acrescentou que Westwood ameaçou falar com o diretor da escola de teatro de Birmingham que a vítima desejava frequentar, caso ela interrompesse as aulas com ele.
“Ela tinha ambições de ser atriz. Ela combinou aulas com ele e, com o passar do tempo, o arguido foi capaz de cometer os atos mais desprezíveis com ela”, disse Wallace. “Quando a vítima o questionava e desafiava, ele dizia ‘Faz o que o teu professor manda… Não confias em mim?’”, acrescentou.
O ator forçou ainda a jovem a assinar um contrato que acordava o pagamento de 18.000 a 36.000 libras (mais de 43 mil euros) caso o mesmo fosse quebrado.
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Os abusos à segunda vítima ocorreram entre maio e agosto de 2021, sobrepondo-se aos da primeira. A adolescente foi forçada a representar a partir de guiões “inapropriados”, incluindo uma cena de incesto grega em que Westwood obrigou a vítima a despir-se, tocando-lhe em zonas íntimas. A jovem diz ter-se sentido “enojada”.
Foi ainda dito em tribunal que o ator, na época com 18 anos, encorajou um menino de 10 a tocar-se como parte de um “jogo”. Para além disso, foi acusado de forçar uma mulher a ter relações sexuais com ele frequentemente. Entre setembro de 2020 e outubro de 2021, a vítima foi presa pelos pulsos e a única coisa que ela pôde fazer para escapar foi mordê-lo.
“Ela disse que ele a segurou e gritou com ela, e ela dizia ‘eu não quero fazer sexo’. Ele dizia ‘tens que ficar deitada aí’”, acrescentou Wallace.
Houve ainda outra repetida agressão sexual a uma criança, entre 2010 e 2018, que foi descrita como um “catálogo extraordinário de abusos que aconteceram centenas de vezes”. A vítima foi obrigada a assistir a pornografia, tocada e incitada a praticar atividades sexuais.
Três das vítimas femininas de Westwood afirmaram em tribunal ter ficado com sequelas psicológicas devido ao abuso praticado pelo ator. A primeira aluna disse que começou a ter ataques de pânico e passou a “desprezar tudo o que tem a ver com representação” mesmo sendo essa a sua “paixão”. Outras vítimas afirmaram sofrer de claustrofobia e ansiedade, assim como de baixa autoestima.
Texto editado por Dulce Neto