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Rádio Popular, Ferpinta e Clip (do grupo Violas) também são clientes de empresa familiar de Montenegro

Este artigo tem mais de 1 ano

Ferpinta e Rádio Popular, com quem Luís Montenegro colaborou no passado, são clientes da Spinumviva. O Colégio Clip, outra empresa do Grupo Violas (tal como a Solverde) também tem vínculo permanente.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Foram finalmente revelados os clientes com os quais a empresa familiar de Luís Montenegro mantém um vínculo permanente. Em comunicado, assinado por Hugo Montenegro, filho do primeiro-ministro e atual sócio-gerente, a Spinumviva revela que, além da Solverde, são ainda clientes com vínculo permanente a Lopes Barata, Consultoria e Gestão, a Rádio Popular, a Ferpinta e o CLIP — Colégio Luso Internacional do Porto (que pertence igualmente ao grupo Violas, de que faz parte a Solverde).

Há outro facto relevante: no passado, Luís Montenegro exerceu o cargo de presidente da Assembleia Geral quer do Grupo Ferpinta, quer da Rádio Popular, pelo que se confirma a tese de que estes “clientes âncora” da empresa resultaram, sobretudo, dos contactos que o agora primeiro-ministro foi fazendo ao longo da sua vida pessoal e profissional.

Ou seja, e tal como aconteceu com a Solverde, a Ferpinta e a Rádio Popular tornaram-se clientes de Luís Montenegro depois de o atual primeiro-ministro ter trabalhado de perto com estas empresas — no caso da Solverde, recorde-se, Montenegro trabalhou como representante nas negociações com o Estado que resultaram numa prolongação do contrato de concessão dos casinos de Espinho e do Algarve, contrato esse que termina no final deste ano, pelo que será este Governo a decidir o que fazer.

O Grupo Ferpinta, um gigante do aço criado por Fernando Pinho Teixeira e com sede em Oliveira dos Azeméis, desdobrou-se em vários setores de atividade e detém, por exemplo, a “Vila Baleira Hotels & Resorts, responsável pela gestão de duas unidades hoteleiras de quatro estrelas na Ilha da Madeira, mais concretamente no Funchal, disponibilizando quase 400 quartos”, pode ler-se na página do grupo.

Ainda a 25 julho, por exemplo, a Ferpinta Angola publicou uma foto do primeiro-ministro em visita ao stand daquela empresa na 39ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). “É com grande honra que recebemos o Primeiro Ministro de Portugal, Luís Filipe Montenegro em nosso stand na 39ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). A visita destacou a forte ligação e cooperação entre Angola e Portugal, refletindo nossa dedicação em promover o desenvolvimento industrial e agrícola em ambos os países. Estamos orgulhosos de ser um elo de união e progresso”, pode ler-se na legenda da foto.

Estas empresas correspondem ao perfil que o primeiro-ministro identificou no próprio Parlamento. As identidades dos clientes do primeiro-ministro circulavam há muito nos corredores — até pelas ligações óbvias de Montenegro às empresas — mas, e a apesar da insistência do Observador e presumivelmente de outros órgãos de comunicação social, os próprios visados nunca esclareceram se eram ou não clientes da Spinumviva.

Segundo as garantias de Hugo Montenegro, filho do primeiro-ministro e atual sócio-gerente da empresa, “os preços cobrados e pagos pelos serviços prestados atendem à dimensão e complexidade dos trabalhos com cada cliente e oscilam entre os 1000€ e os 4500€ mensais” — o que permite concluir, a título de exemplo, que o Grupo Violas pode chegar entregar 9 mil euros por mês, mais de 100 mil por ano, à empresa fundada por Montenegro, pela Clip e pela Solverde.

No mesmo comunicado, acrescenta-se ainda que “os preços cobrados e pagos pelos serviços prestados atendem à dimensão e complexidade dos trabalhos com cada cliente e oscilam entre os 1000€ e os 4500€ mensais”, respondendo a outra dúvida que existia sobre se a empresa estava ou não a cobrar os preços que se praticam no mercado ou se, por hipótese, poderia estar a ser paga acima do que se pratica no mercado como favor a Montenegro.

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A empresa revela também e de forma exaustiva o tipo de serviços que presta atualmente em matéria de proteção de dados, como, por exemplo, a “elaboração de relatórios de análise e diagnóstico em matéria de tratamento de dados pessoais relativos às áreas de cada empresa” ou ainda a “verificação da licitude do tratamento, lealdade e transparência, minimização dos dados, limitação da conservação e segurança de clientes, alunos e trabalhadores”.

Também é revelada a identidade dos dois colaboradores que trabalham com a empresa. Dois juristas (André Costa e Inês Patrícia) especializados em proteção de dados. Os dois trabalham na empresa desde 2022, altura em que Luís Montenegro se afastou da gestão da Spinumviva — recorde-se que, ao contrário de Montenegro, os filhos e a mulher do primeiro-ministro não são licenciados em Direito e não têm qualquer especialização em proteção de dados — o atual primeiro-ministro fez, no passado, uma pós-graduação nessa área.

No mesmo comunicado, Hugo Montenegro queixa-se do que considera terem sido as alegações injustas sobre o funcionamento da empresa. “Não é admissível que se ponha em causa a prestação destes serviços, os quais estão documentados e comprovados por contactos e rotinas que em muitos casos são diários.”

“A relação contratual entre a Spinumviva, Lda e cada um dos seus clientes teve início numa altura em que o Senhor Dr. Luís Montenegro era sócio e gerente desta sociedade, mas não tinha qualquer atividade política. De resto, a prestação de serviços em causa é totalmente alheia a qualquer envolvimento político, razão pela qual se lamenta profundamente que uma relação puramente empresarial, seja agora afetada tão injustamente”, pode ler-se.

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