Para evitar ter de suportar os impostos especiais determinados pela União Europeia e destinados a compensar os incentivos que o Estado chinês atribuiu às marcas que ali fabricam, a BYD foi a primeira marca chinesa a decidir-se pela instalação de fábricas próprias no Velho Continente. O curioso é que já está a pensar na terceira instalação fabril em solo europeu e ainda não inaugurou a primeira.

Entre as taxas adicionais destinadas a minimizar as vantagens dos construtores de eléctricos vindos da China, a BYD foi uma das menos penalizadas, tendo apenas de lidar com um imposto especial de 17,4%. A explicação será devida ao facto de não figurar entre as que receberam do Estado mais incentivos à competitividade — o que se compreende por não ser uma empresa estatal —, bem como por estar já a construir fábricas na Europa para os seus veículos destinados aos mercados da União Europeia. De recordar que as tarifas especiais variam entre os 7,8% (para a Tesla) e os 35,6% para a SAIC (integralmente detida pelo Estado), com os modelos da chinesa Geely (igualmente privada) a suportar 18,8%, o que inclui os Polestar e os Volvo, sendo que até os VW e BMW estão sujeitos a 20,7%.

BYD bateu a Tesla na venda de veículos eléctricos?

A chinesa BYD é um construtor de dimensão respeitável à escala global, com um volume de 4,27 milhões de veículos vendidos em 2024, o que a coloca fora do top 4 entre as marcas chinesas, mas na liderança no que respeita à facturação. Face aos rivais europeus, a BYD vende menos de 50% do volume do Grupo Volkswagen (9 milhões de veículos) e, do seu volume de vendas, 2,486 milhões eram PHEV e 1,765 milhões veículos eléctricos, o que permite a este fabricante chinês bater-se com a Tesla pela primazia global como fabricante de modelos alimentados por bateria.

BYD quer lançar na Europa um eléctrico por 18.500€

Numa entrevista à vice-presidente da BYD Stella Li, a executiva chinesa confirmou que o construtor está a analisar a possibilidade de construir uma terceira fábrica em solo europeu, para evitar ser abrangido pelas taxas que penalizam os carros produzidos na China. Li não avançou pormenores sobre o país que irá acolher a nova instalação fabril, de acordo com a Reuters, mas irá reforçar a oferta das duas fábricas já anunciadas na Hungria e na Turquia, a primeira capaz de fabricar 700.000 veículos anualmente, 50% de eléctricos e outro tanto de PHEV, enquanto a segunda fábrica resultará de um investimento de “apenas” 1000 milhões de euros, tendo como objectivo produzir 150.000 unidades/ano.

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