Em termos globais, a venda de veículos 100% eléctricos continua pujante, tendo sido transaccionados 17,1 milhões no mundo inteiro em 2024, o que corresponde a um incremento de 25% face ao ano anterior. O crescimento deveu-se sobretudo ao mercado chinês, onde foram vendidos 12,86 milhões de unidades, o que correspondeu a 40,9% do total do mercado local. A União Europeia consumiu apenas 1,78 milhões (representando 13,6% do mercado), menos 1,4% que em 2023, com os EUA a transaccionarem 1,3 milhões de veículos a bateria, mais 7,3% que no ano anterior. Os números, cada vez mais respeitáveis, explicam a importância deste tipo de tecnologia, que já não é um mero nicho, o que leva a que as vendas sejam disputadas palmo a palmo pela norte-americana Tesla, que tem liderado até aqui, e a chinesa BYD, que em 2024 estava disposta a saltar para a liderança do ranking.

Os chineses da BYD, que têm a vantagem de estar a jogar em casa no maior mercado do mundo e de possuir uma oferta de modelos eléctricos a bateria (BEV) que arranca no equivalente a 12 mil euros, realizaram um último trimestre de 2024 canhão, bem acima das 500 mil unidades. Conseguiram-no à custa de alguns esforços comerciais, mas a realidade é que aumentaram o volume de vendas de BEV em 41%, atingindo um total de 1.764.992 unidades comercializadas em 2024, o que complicou a vida à Tesla, sobretudo se pretendia manter a liderança nos carros a bateria.

Tesla vende 1.789.226 unidades em 2024. Cai 1% face a 2023

Ao contrário da BYD, a Tesla teve um mau 4.º trimestre. Não ultrapassou as 495.570 unidades, praticamente 100.000 veículos abaixo dos 595.413 comercializados pela BYD de Outubro a Dezembro. Mas, no acumulado de 2024, a Tesla somou 1.789.226 BEV, 24.234 unidades acima das vendidas pela rival chinesa, com os norte-americanos a manterem assim a liderança global dos modelos eléctricos.

Antecipando o que 2025 pode reservar, parece óbvio que a BYD será o próximo líder na venda de BEV, uma vez que o mercado chinês continuará a crescer, tal como o norte-americano — apesar de Trump —, e o europeu também deverá aumentar face a 2024, mas neste caso por uma questão de necessidade dos construtores que disputam o mercado do Velho Continente. Em 2025, os fabricantes de automóveis estão obrigados a atingir metas de emissões de dióxido de carbono de apenas 93,6g de CO2/km, pelo que necessitam de vender mais híbridos plug-in e, sobretudo, mais veículos eléctricos. Isto se pretendem continuar a comercializar os modelos maiores e mais potentes com motores a combustão. Vamos ver quem sairá vencedor desta batalha a dois dentro de 12 meses.