Ele, mais do que ninguém, sabia que nada é impossível no futebol. Além das inúmeras vitórias conseguidas em período de descontos que foi tendo no comando do Bayer Leverkusen até ao primeiro título da história dos farmacêuticos, Xabi Alonso, o jogador, foi determinante na mais memorável reviravolta numa final da Liga dos Campeões, quando o Liverpool recuperou do 3-0 para o AC Milan ao intervalo para conquistar a prova em 2005. Agora, Xabi Alonso, o treinador, voltava a arriscar o impossível no pior contexto possível.

O trunfo de Xabi acabou no dia em que Kompany continuou a fazer-se treinador: Bayern vence Leverkusen em Munique

“O primeiro passo é acreditar, nós e os adeptos que vêm ao estádio. Eles têm de acreditar desde o primeiro segundo que somos capazes de o fazer. Este é um jogo numa dimensão diferente para nós, que pode ficar na nossa história individual por muito tempo, se jogarmos com muita garra, paixão, agressividade, intensidade e sangue frio. Sabemos o quão difícil é mas por vezes as situações difíceis criam momentos épicos. Encontramo-nos numa posição em que não temos nada a perder, só o Bayern é que pode perder alguma coisa. 100% dos adeptos do Bayern acreditam que vão passar à próxima fase. No futebol acontecem muitas coisas inesperadas e isso pode repetir-se. Vencemos a Bundesliga sem derrotas. Para mim, isso é provavelmente mais difícil do que uma reviravolta. A equipa pode fazer coisas difíceis…”, destacara o técnico.

Problema 1? O Bayer Leverkusen chegou a março e encontrou o pior momento da temporada, perdendo não só a primeira mão dos oitavos da Champions com o Bayern em Munique mas também a receção ao Werder Bremen, mantendo os oito pontos de distância para os bávaros numa jornada onde o conjunto dos jogadores portugueses Raphael Guerreiro e João Palhinha foram surpreendidos pelo Bochum. Problema 2? Florian Wirtz, o elemento mais determinante na ideia de jogo da equipa, estaria de fora por lesão. Problema 3? O Bayern de hoje é uma formação muito mais consolidada do que na primeira metade da época de 2024/25.

Ainda assim, sobrava essa esperança de algo histórico. No final, sobrou a tentativa. A exibição pode não ter sido tão descaracterizada como na primeira mão mas revelou-se curta para tirar o Bayern da sua zona de conforto, com mais um golo de Harry Kane no segundo tempo a acabar em definitivo com as aspirações da equipa da casa antes do 2-0 final de Alphonso Davies. Mais uma vez, como acontecera em Munique, o conjunto de Vincent Kompany foi melhor, ganhou bem e seguiu de forma natural para os quartos. Já o Bayer consentiu a terceira derrota consecutiva, sendo que até este momento tivera só três derrotas.

Restando apenas a Taça da Alemanha (meia-final com Arminia Bielefeld), a temporada do Bayer Leverkusen ficará aquém face ao ano de sonho de 2023/24, o que poderá levar Xabi Alonso a deixar o comando técnico dos farmacêuticos entre o fim de ciclo do clube e a possibilidade de assumir um novo projeto no Real Madrid, confirmando-se a saída de Carlo Ancelotti em 2025. “Os anos passam mas o carinho continua e a relação é inesquecível. Estou calmo, já tenho muitas coisas com que me preocupar. Não está na minha cabeça neste momento. Não posso dizer nada, estamos a meio de uma época e todos os clubes têm grandes objetivos”, referiu em janeiro o técnico espanhol, antes de uma partida frente ao Atl. Madrid na Champions.

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