Se as eleições presidenciais fossem hoje, o almirante Gouveia e Melo seria o vencedor, de acordo com a a sondagem da Pitagórica para a TVI/CNN, JN e TSF, que confirma as outras recolhas de opinião que têm vindo a público nos últimos meses. Já o PS teria mais hipóteses de ir a uma segunda volta se apostasse no antigo ministro da Presidência e comissário europeu António Vitorino, que equivale a uma subida de 4,8 pontos percentuais nas intenções de voto.

Caso o PS avance com o antigo secretário-geral como candidato apoiado pelos socialistas, numa primeira volta, indica a sondagem, atrás de Gouveia e Melo (com 35,9% das intenções de voto dos inquiridos), de Marques Mendes (25,5%) e de Seguro (14,1%), surgiriam André Ventura (12,9%), Sampaio da Nóvoa (4,9%), Mariana Leitão (2,5%), Jerónimo de Sousa (1,8%) — ainda que este candidato não tenha ainda sido anunciado.

Os restantes candidatos que surgem nesta sondagem (Inês Sousa Real, André Pestana, Tim Vieira e Joana Amaral Dias) ficaram abaixo de 1% das intenções de voto.

No entanto, os números mostram que Vitorino seria uma melhor aposta — e a ida a uma segunda volta tornava-se uma hipótese mais sólida.

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Já num cenário com antigo comissário europeu do PS como candidato, o partido teria mais hipóteses: a diferença entre Gouveia e Melo e Marques Mendes diminuía (de 8,5 para 5,8 pontos percentuais) e Vitorino reunia 20,7% das intenções de voto dos inquiridos.

Numa segunda volta, Gouveia e Melo ia continuar a ser favorito (32,2%), mas estaríamos perante uma situação de empate técnico com Marques Mendes: apesar de o candidato social-democrata reunir 24,8% das intenções de voto dos inquiridos, se tivermos em conta a margem de erro, o resultado mais baixo que Gouveia e Melo poderia obter era 27,5% (abaixo dos 29,1% de Marques Mendes).

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Segundo a sondagem, Vitorino poderia até ficar em empate técnico com Marques Mendes no segundo lugar: 20,7% para o socialista face a 20,5% do social-democrata tendo em conta a margem de erro.

O problema é que a sondagem da Pitagórica mostra que 56% dos inquiridos preferem Seguro como candidato a Belém, face aos 44% de inquiridos que apoiam Vitorino.

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Região, rendimentos, idade e sexo: o peso na escolha para Belém

A sondagem da Pitagórica revela que, no que toca a Gouveia e Melo e Marques Mendes, há um equilíbrio entre os apoiantes do sexo feminino e masculino. O mesmo não acontece nos possíveis candidatos do PS: Vitorino é preferido por homens e Seguro por mulheres. Já André Ventura mantém o padrão: é mais apoiado pelo sexo masculino.

Em termos de idade, quanto mais velho o eleitorado, maior o número de apoiantes de Gouveia e Melo (sendo que o maior apoio parte dos inquiridos com 55 ou mais anos). Caso o PS avance com Vitorino como candidato, Marques Mendes perde sucesso entre os eleitores mais novos (entre os 18 e 34 anos).

O candidato do Chega, André Ventura, também reúne mais apoio junto da faixa etária mais nova, piorando à medida que o eleitorado mais envelhece.

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Por região, revela a sondagem, Gouveia e Melo junta mais apoio no centro e menos em Lisboa (principalmente se o candidato socialista for Vitorino). Em Lisboa, os socialistas também conseguem melhor resultado com Vitorino do que com Seguro (mais nove pontos percentuais). Marques Mendes conquista essencialmente no Norte. Já Ventura está em destaque no sul e nas ilhas.

Em termos de classe social, a sondagem do JN, TSF e TVI/CNN mostra que Gouveia e Melo reúne um apoio de “relativo equilíbrio” — com Seguro como oponente ganha mais importância junto dos mais pobres e com Vitorino junto dos mais ricos. Marques Mendes por sua vez, consegue mais apoio junto dos mais ricos (por oposição à classe média). E Ventura junta apoio à medida que os rendimentos diminuem.

A sondagem revela ainda que aquilo que os inquiridos mais valorizam (49%) num Presidente da República é uma “liderança forte”. Segue-se a “integridade e ética” (31%) e a experiência política (29%). E ainda a “capacidade de tomar decisões difíceis” e “capacidade de comunicação” (27%).

A sondagem da Pitagórica para o JN, TSF e TVI, CNN Portugal realizou-se entre 23 e 27 de fevereiro, ou seja, antes da queda do Governo de Luís Montenegro, e inclui as respostas de 400 respostas efetivas, após 615 tentativas de contacto. Tem uma margem de erro de cerca de 5% e um intervalo de confiança de 95,5%