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André Ventura pondera desistir de candidatura a Belém devido às eleições antecipadas
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André Ventura pondera desistir de candidatura a Belém devido às eleições antecipadas

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

André Ventura pondera desistir de candidatura a Belém devido às eleições antecipadas

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

André Ventura admite retirar candidatura a Belém para se focar em eleições antecipadas

Ventura avançou para uma candidatura em detrimento de um possível apoio a outro candidato. Crise política pode alterar planos, mas há quem no Chega entenda que o calendário permite manter.

Avaliou-se Henrique Gouveia e Melo, sonhou-se com Pedro Passos Coelho e apostou-se no candidato que, no Chega, nunca falha: André Ventura. Porém, a crise política que vai previsivelmente conduzir à queda do Governo de Luís Montenegro e à convocação de eleições legislativas antecipadas levou o presidente do Chega a admitir que pode acabar por recuar na candidatura a Belém.

“O cenário mudou, o contexto é outro e a minha responsabilidade primeira e maior como líder do partido, e isso não vai mudar nas próximas semanas, é ser o cabeça de lista do Chega às eleições legislativas”, afirmou André Ventura aos jornalistas, já depois de ter dito por duas vezes que era um cenário em cima da mesa.

Com a “perfeita noção de que o calendário político se alterou”, Ventura recordou que “o primeiro objetivo, o grande objetivo, o objetivo mais importante de um partido, é transformar o país, alterar o país” e como “isso se consegue maioritariamente por via da composição do Parlamento”, deixou no ar a possibilidade de retirar a candidatura a Belém para se focar nas eleições legislativas — ainda à espera dos votos contra a moção de confiança ao Governo que já foram anunciados.

Ventura revelou que será preciso reunir a direção do partido, ainda que esta seja uma decisão pessoal por se tratar de uma candidatura à Presidência da República. Também Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, reconheceu, em entrevista ao Observador, que a possibilidade de Ventura retirar a candidatura a Belém “estará em cima da mesa”. “A estratégia política muda diariamente, como as coisas mudaram”, assumiu. E acrescenta que há “muito tempo” até às presidenciais.

Ainda que as palavras de Ventura apontem para essa solução, há quem no núcleo duro Chega alerte para o facto de as eleições presidenciais serem apenas para janeiro. No limite, cenariza-se, estas legislativas antecipadas e posteriores autárquicas podem atirar a campanha a Belém mais para o final do ano — uma sugestão de quem acha que até seria possível Ventura ir a jogo duas vezes.

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Para já, não há outras hipóteses em cima da mesa, até porque o Chega ainda não deu como certo que Ventura não vá ser candidato a Belém. Mas, comenta um destacado dirigente do Chega, a hipótese Gouveia e Melo está definitivamente afastada porque não serve as intenções do partido — desde logo porque fez questão de se distanciar do discurso do Chega, o que deixou vários elementos da direção desconfortáveis.

“O cenário mudou, o contexto é outro e a minha responsabilidade primeira e maior como líder do partido, e isso não vai mudar nas próximas semanas, é ser o cabeça de lista do Chega às eleições legislativas”, afirmou André Ventura aos jornalistas, já depois de ter dito por duas vezes que desistir das presidenciais era um cenário em cima da mesa

Gouveia e Melo esteve na calha, mas Chega descartou hipótese

O caminho para as presidenciais de 2026 foi atribulado — apoiar ou não um candidato fora do partido chegou mesmo a estar em cima da mesa e dividiu a direção (não é “absolutamente unânime”, disse Ventura). Pesados os argumentos, o presidente do Chega acabou a avançar. Era e é o candidato natural, não só porque conseguiu 500 mil votos em 2021, como projeta o partido como um independente não conseguiria fazer.

Porém, é caso para dizer que a realidade pode ter estragado os planos a Ventura e, quem sabe, dificultar a escolha do partido para 2026. A prioridade do presidente do Chega é chegar a primeiro-ministro, sempre o disse e sublinhou-o mais recentemente numa entrevista à CNN, em outubro de 2024, quando ainda considerava possível que o partido apoiasse uma candidatura a Belém que não do Chega — numa fase em que Gouveia e Melo não se tinha posicionado claramente contra os extremos e quando a sombra de Passos Coelho ainda deixava dirigentes a suspirar.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O presidente do Chega deixou claro que estava “muito focado em ser primeiro-ministro” e garantia não se querer “distrair” dessa missão. Três meses depois, com Gouveia e Melo fora da equação, defendeu a sua entrada na corrida a Belém para que existisse uma candidatura que representasse “o espaço da direita anti-corrupção e anti-emigração sem confusão com os políticos que toda a vida defenderam o contrário”.

Além disso, assumia uma candidatura “com riscos”, mas que visava também “evitar que alguns” candidatos tivessem o apoio do partido quando “desdenhavam” ou deixavam “transparecer que não gostam da marca Chega” — numa clara referência a Gouveia e Melo que com a aproximação inicial de Ventura acabou por se posicionar contra extremos e com um discurso “entre o socialismo e a social-democracia”. Com a candidatura, o partido pretendia também que os votos do eleitorado mais fiel do Chega não acabassem desperdiçados ou espalhados por outros candidatos.

Agora, a possibilidade de umas novas eleições legislativas voltam a virar a agulha do Chega, que pretende recentrar-se para dar continuidade a um resultado histórico que permitiu a eleição de 50 deputados na Assembleia da República. O partido considera que o caso de Luís Montenegro assente que “nem uma luva” no discurso do Chega, pelo que os casos e casinhos de há umas semanas estão hoje transformados numa lufada de ar fresco para Ventura.

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