Uma vitória na Liga frente ao Tottenham, uma passagem natural na Taça de Inglaterra diante do Plymouth Argyle, outra derrota para a Premier na deslocação a Nottingham para defrontar o Forest de Nuno Espírito Santo. Sempre que o Manchester City, ou este Manchester City, parece dar alguns sinais de retoma, há algo que não corre bem. Nunca corre bem. Se há não muito tempo Pep Guardiola dizia que a coisa que mais motivação lhe dava em Inglaterra era a forma como estava sempre a fazer evoluir a equipa em termos táticos com constantes mutações que pudessem continuar a “enganar” os adversários, agora não encontra nem uma solução para poder estabilizar a equipa numa zona confortável que lhe permita ganhar de forma consistente. Numa semana que acabava por ser sempre “anormal”, era esse o grande objetivo na receção ao Brighton.
Porquê anormal? Os grandes clubes europeus estavam a discutir a passagem aos quartos da Champions e o Manchester City tinha uma semana limpa para recuperar de mais uma derrota no Campeonato enquanto ia preparando mais um jogo no plano interno. “Ver na TV não me magoa. Não me sinto dececionado, não merecemos estar lá. Limito-me agora a ser um espectador. Desfruto e aprendo. Há outras equipas incríveis que também já estão eliminadas, como o Liverpool e o Atl. Madrid. Este ano merecemos estar no sofá com um copo de vinho. Pode ser que para o próximo seja melhor”, assumiu o técnico espanhol, que foi também protagonista durante a semana por outro capítulo da “guerra” com o italiano Fabio Capello.
O antigo campeão europeu voltou a visar a ideia romântica de Guardiola, dizendo mesmo que “arruinou o futebol porque toda a gente passou dez anos a tentar imitá-lo”. “Ouço tudo o que as pessoas dizem sobre mim… Tudo. Por isso, tenham cuidado. Estou a controlar-vos. Não é a primeira vez que o mister Capello diz isso. Não sou bom o suficiente para arruinar o futebol italiano. O futebol italiano é muito mais importante do que a maneira como trabalho. Um grande abraço ao Fabio”, atirou numa batalha de visões que tem tudo para continuar ao longo dos próximos anos consoante os resultados do espanhol.
Era no campo que Guardiola se queria concentrar, sabendo que, a par da Taça de Inglaterra, havia essa meta de entrar na Liga dos Campeões da próxima temporada antes de disputar depois o Mundial de Clube. “Falhar a Champions não será o fim do mundo mas, se acontecer, significa que não fomos suficientemente bons e as outras equipas mereceram. Estamos numa posição que não é a ideal mas também não é demasiado má. Está nas nossas mãos e vamos lutar por isso. Existe sempre pressão nos clubes grandes. Temos sempre de fazer o melhor, independentemente do objetivo pelo qual estamos a jogar. A verdade é que estamos a tentar terminar nos quatro primeiros lugares e vamos ter uma oportunidade para subir a esse patamar”, apontou, numa jornada que terá este domingo Arsenal-Chelsea. E ia tentar mostrando já sinais de “renovação”.
Quase que antecipando aquilo que irá acontecer no final da época perspetivando 2025/26, Guardiola deixou no banco nomes como Kevin de Bruyne, Bernardo Silva, Grealish, Phil Foden, Mateo Kovacic ou Matheus Nunes (Ederson nem convocado foi por lesão). Ainda houve um susto inicial com um golo anulado a Mitoma, que fez falta sobre Ortega na pequena área (6′), mas o City beneficiou de um estabilizador ainda cedo no jogo com uma grande penalidade que Erling Haaland transformou no 1-0 (11′). Mesmo jogando muitas vezes em transições em vantagem, algo que não acontecia nas últimas épocas onde a prioridade passava sempre por marcar mais um, o jogo estava controlado mas os fantasmas do passado recente voltaram a aparecer, com Pervis Estupiñán a marcar de forma fantástica um livre direto que bateu ainda no poste para o 1-1 (21′).
O Brighton foi duas vezes à frente. Na primeira, marcou um golo que foi anulado. Na segunda, beneficiando de um livre direto, marcou. O mínimo erro, que neste caso entroncou numa falta de Nico González perto da área na zona central, valia automaticamente golo do adversário mas nem por isso a equipa quebrou tendo Savinho como principal protagonista, a obrigar Bart Verbruggen a uma defesa apertada na área (24′) antes de rematar em arco ao lado quando estava isolado mais descaído sobre a direita (33′). O golo parecia ser uma questão de tempo e foi aí que apareceu Omar Marmoush, que na sequência de uma recuperação de bola em zona alta disparou um míssil sem hipóteses para Verbruggen que estabeleceu o 2-1 ao intervalo (39′).
Merecendo a vantagem, o City nunca conseguia estar tranquilo na partida pelos erros pontuais em termos defensivos que rapidamente se tornavam oportunidades de golo para o Brighton. João Pedro, pouco antes do descanso, ameaçou novo empate que surgiu a abrir o segundo tempo na sequência de um canto à esquerda, com Khusanov a ter um desvio para a própria baliza que fez o 2-2 (48′). Voltava tudo à estaca zero e assim acabaria, entre um cabeceamento de Nico González ao poste, duas oportunidades de baliza aberta falhadas pelo Brighton e mais uma dor de cabeça para Pep Guardiola que pode chegar a Roberto Martínez, com Bernardo Silva a entrar no segundo tempo mas a sair apenas 17 minutos depois lesionado.