Lenta. A mover-se com todo o vagar junto à Galiza, onde ficará quase estacionária. E com várias linhas de instabilidade, uma delas uma frente fria. A Martinho, a tempestade que na madrugada desta quinta-feira com o seus ventos com rajadas que chegaram aos 158km/h atingiu sobretudo a região da grande Lisboa, vai continuar a fazer-se sentir até sábado. Com muita chuva, ainda alguma ventania, agitação marítima e neve. Há 13 distritos sob aviso amarelo este sábado e 12 no domingo, sendo que a costa acima do cabo da Roca está mesmo em alerta laranja, tal como Castelo Branco e Guarda, devido aos nevões.

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Indo ao detalhe, esta sexta-feira a Martinho ainda mantém avisos devido à chuva, vento, agitação marítima e neve em quase todo o país. Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Leiria, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra e Braga estão sob aviso amarelo desde as 6h00 desta sexta-feira e até às 6h00 de sábado devido à previsão de aguaceiros por vezes fortes, que poderão ser ocasionalmente sob a forma de granizo e acompanhados de trovoadas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou também os distritos do Porto, Faro, Setúbal, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga sob aviso amarelo até às 12h00 de sábado por causa do vento sudoeste com rajadas até 80 quilómetros por hora (km/h),

A previsão de agitação marítima levou o IPMA a emitir aviso laranja para os distritos do Porto, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga entre as 00h00 de sábado e as 00h00 de domingo, passando depois a amarelo.

O IPMA colocou igualmente a amarelo os distritos de Faro, Setúbal e Beja até às 6h00 de domingo devido à agitação marítima. Sob aviso laranja estão também os distritos de Castelo Branco e da Guarda por causa da queda de neve acima de 1.200 a 1.400 metros entre as 18h00 desta sexta-feira e as 12h00 de sábado.

Só na tarde de sábado os efeitos desta 13.ª tempestade da época e a quarta consecutiva de março, que tornarão este o março mais chuvoso desde 2001, deixarão de se fazer sentir. Mas a primavera, que chegou esta quinta-feira às 9h01 ao hemisfério norte, ainda não se fará sentir. Para domingo e segunda-feira ainda estão previstos alguns aguaceiros em todo o país ou pelo menos céu muito nublado. E as temperaturas vão descer antes de subirem, culpa da massa de ar frio que a Martinho arrastou atrás de si e que manterá a Serra da Estrela completamente branca.

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Foi, aliás, esta massa de ar frio que tornou a Martinho tão forte. Em meteorologia, chama-se efeito Fujiwhara (foi estudado pelo meteorologista Sakuhei Fujiwhara). A Martinho nasceu, como a maioria das tempestades desta época do ano, junto à Gronelândia e tinha associada em altura uma enorme bolsa de ar frio, sob a qual se desenvolveram várias depressões (a situação é propícia a que isso aconteça). O que acontece é que a depressão principal, neste caso a Martinho, absorve as secundárias (pode acontecer também com ciclones ou com tempestades tropicais): orbitam entre si até convergir para o centro da sua rotação, sendo que a mais forte tem predominância sobre a mais fraca. É uma dança ciclónica, que fortalece e torna mais imprevisíveis (nas trajetórias e nos efeitos) as tempestades.

Depois da passagem da Martinho e da massa de ar gelado, é tempo de algum alívio. Terça-feira será o dia de transição. Quer da chuva para o sol. Quer dos dias frios para os quentes. E a partir de quarta-feira muitas cidades vão chegar mesmo a temperaturas máximas de 20ºC ou até superá-las. Pode acontecer em Faro, Braga ou Santarém. Lisboa, Évora e Beja têm previsões de 19ºC. Os dias primaveris nos termómetros manter-se-ão, mas a chuva pode voltar de novo no sábado, 30: ou seja, no último fim de semana do mês e de mudança da hora.

Depois das águas de março, os modelos meteorológicos apontam para um abril em que as águas mil podem novamente marcar as primeiras semanas. Mas é muito cedo para haver garantias.

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