A Associação Coração Silencioso acusa o Grupo Vita de “falta de empatia” e de “revitimizar” as pessoas que dizem ter sofrido abusos sexuais na Igreja Católica, “obrigando-as a contar outra vez o que passaram, ao contrário do prometido”, nas entrevistas para determinar o valor da eventual indemnização a pagar. A acusação é feita por António Grosso, membro da direção da associação, que também será entrevistado, e revelada no semanário Expresso desta semana.
Rute Agulhas, coordenadora do Grupo Vita, diz que as críticas são “injustas” e nega que tenha obrigado as vítimas a repetir o relato dos abusos: “Nunca o Grupo Vita pediu para que alguém repetisse novamente a situação abusiva que vivenciara. O que é pedido, por vezes, são algumas clarificações, quando os relatos disponíveis são relativamente vagos.”
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Em declarações ao jornal Expresso, que divulga um excerto de uma audição em que é pedido a uma vítima para dar uma descrição mais pormenorizada dos abusos, Rute Agulhas salienta que “sem as devidas clarificações, o processo de tomada de decisão posterior, quer em termos do parecer por parte da Comissão de Instrução, quer em termos do montante a atribuir pelo segundo grupo de trabalho, pode ser dificultado”.
António Grosso rejeita as explicações e acusa a Comissão de Instrução — “Só o nome faz parecer que somos todos arguidos” — de estar “obcecada pela materialidade da questão e com o montante que cada um […] tem de receber”. “Se tocar na virilha recebe um euro e se foi num testículo são cinco mil? Esta linha de interrogatório, que é disso que se trata, só serve para provocar sofrimento desnecessário nas vítimas”, sublinha.
Atualmente, já foram entrevistadas 28 pessoas e o Grupo Vita estima que conseguirá ouvir todos aqueles que pretendem ser indemnizados (são mais de 60) até ao final de junho. Rute Agulhas diz que “na sua quase totalidade, as pessoas escutadas têm reportado um feedback positivo, afirmando sentirem-se verdadeiramente escutadas e até mesmo reparadas”.
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