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Tempestade Martinho: mais de 1200 ocorrências até às 22h00. Há ainda cerca de mil clientes sem eletricidade

Este artigo tem mais de 1 ano

Proteção Civil assume que a última “noite foi mais calma comparativamente ao dia anterior”. Há mil clientes sem eletricidade. Marinha alerta para “agravamento considerável” do estado do mar.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Portugal continental registou entre as 00h00 e as 22h00 de hoje mais de 1.200 ocorrências devido ao mau tempo, com a Grande Lisboa e a Península de Setúbal a serem as regiões mais afetadas pela passagem da depressão Martinho. Fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) adiantou à Lusa que até às 22h00 desta sexta registou 1.015 ocorrências, dados que excluem o concelho de Lisboa.

Já os bombeiros sapadores de Lisboa adiantaram que entre as 08h00 e as 22h40 desta sexta registaram 235 ocorrências devido ao mau tempo. Fonte dos sapadores contactada pela Lusa adiantou que estas 235 ocorrências deveram-se sobretudo a quedas de árvores, na sua maioria, mas também de estruturas, ainda que em menor número, sem especificar no entanto o número exato. De acordo com a ANEPC, as regiões mais afetadas foram Grande Lisboa e Península de Setúbal, sobretudo com quedas de árvores e de estruturas e ainda limpezas de via.

As mais de 1.200 ocorrências registadas esta sexta juntam-se às 8.600 situações registadas nos últimos dois dias, mais precisamente entre as 00:00 de quarta-feira e as 22h00 de quinta-feira, relacionadas com as condições meteorológicas adversas devido à passagem da depressão Martinho, com chuva, vento e agitação marítima fortes. A ANEPC referiu ainda, num balanço pelas 23h30, que não tem registo de novos feridos.

“[Esta sexta-feira] é um dia muito mais calmo, apesar de continuarmos numa situação de alerta”, disse à Lusa, a meio da tarde, fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), reforçando que os avisos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) relacionados com o mau tempo em Portugal continental se prologam até às 24h00 de sábado.

Assim, a ANEPC mantém, até ao final do dia de sábado, todos os agentes de proteção civil “em alerta de nível amarelo”, o menos grave de uma escala de três, “face à ocorrência desta meteorologia adversa”, ressalvando que está em contacto, diariamente, com o IPMA e também com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) relativamente à monitorização das bacias hidrográficas dos diferentes rios do país. “Esta situação pode ter uma evolução ou não, dependendo também destes contactos permanentes que são feitos”, advertiu fonte da ANEPC.

Autoridade Marítima alerta para “agravamento considerável” do estado do mar

A Autoridade Marítima Nacional (AMN) e a Marinha alertaram esta manhã para um “agravamento considerável” do estado do tempo, nomeadamente da agitação marítima, entre as 18h00 desta sexta-feira e as 18h00 de sábado.

Em comunicado, a AMN refere que a ondulação será proveniente do quadrante oeste-noroeste, com uma altura significativa que poderá atingir os seis metros e uma altura máxima 11 metros, com um período médio a variar entre os 11 e os 12 segundos.

As previsões apontam também para ventos provenientes do quadrante oeste-noroeste, com uma intensidade média de até 75 quilómetros/hora e rajadas até 135 km/hora.

As autoridades recomendam assim, em especial à comunidade piscatória e da náutica de recreio que se encontra no mar, “para o eventual regresso ao porto de abrigo mais próximo e a adoção de medidas de precaução”.

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Devido ao mau tempo previsto, as autoridades apelam ainda ao “reforço da amarração e vigilância das embarcações atracadas e fundeadas” e aconselham, igualmente, a que os marítimos mantenham “um estado de vigilância permanente” e acompanhem a evolução da situação meteorológica.

À população em geral, as autoridades desaconselham a prática de passeios junto à orla costeira e nas praias, bem como a prática de atividades em zonas expostas à agitação marítima ou atingidas pela rebentação.

“Em especial, deve ser evitado o acesso e permanência junto às falésias e zonas de arriba, sendo essencial que se adote uma postura preventiva, não se expondo desnecessariamente ao risco”, pode ler-se na nota das autoridades.

No entanto, as autoridades recomendam que, caso exista absoluta necessidade de se deslocar até à orla costeira, deverá ser mantida “uma atitude vigilante, tendo sempre presente que nestas condições o mar pode facilmente alcançar zonas aparentemente seguras”.

“Rede estabilizada”, mas ainda há cerca de mil clientes sem eletricidade

Perto de mil clientes fornecidos pela E-Redes – Distribuição de Eletricidade estão, pelas 12h30 desta sexta-feira, sem energia devido aos efeitos do mau tempo, revelou a empresa, prevendo a reposição integral do serviço até ao final desta tarde.

“Às 12h30, com a rede estabilizada, restam mil clientes por alimentar. A previsão da E-REDES é ter a reposição integral até às 18h00”, segundo a mais recente nota da distribuidora divulgada esta sexta-feira.

De um pico de clientes afetados a nível nacional, devido à passagem da tempestade Martinho, nomeadamente 185 mil clientes, pelas 1h00 de quinta-feira, a empresa refere ter “evoluído na reposição”, pelo que pelas 1h00 desta sexta-feira a afetação era só de dois mil clientes.

De acordo com a empresa este universo esteve pendente de intervenções na rede de baixa tensão “maioritariamente concentrados em Coimbra, Leiria, área metropolitana de Lisboa e Setúbal.

A E-Redes acrescenta ainda ter ativado o seu Plano Operacional de Atuação em Crise, na quarta-feira, devido às previsões de mau tempo, “com todo o dispositivo operacional dedicado ao estado de alerta em vigor, em estreita articulação com a Proteção Civil e demais autoridades”.

“Cerca das 22h00 [de quarta-feira], os efeitos da Tempestade Martinho começaram a causar grandes constrangimentos na rede elétrica, sobretudo na zona centro sul, progredindo progressivamente para norte, ao longo da madrugada de dia 20”, pode ler-se no comunicado.

Pelo menos 52 habitações afetadas e oito desalojados na região de Coimbra

Pelo menos 52 habitações foram afetadas e oito pessoas ficaram desalojadas na região de Coimbra devido ao mau tempo, afirmou esta sexta-feira a Comunidade Intermunicipal, dando conta também de grandes impactos no sistema de videovigilância da proteção civil.

O secretário-executivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), Jorge Brito, disse também esta sexta-feira que pelo menos 52 habitações e 27 edifícios públicos registaram danos na sequência da passagem da tempestade Martinho no território,  Segundo os dados provisórios na sua posse, registam-se ainda oito pessoas desalojadas na sequência dos estragos provocados em habitações.

Além desses impactos, Jorge Brito, que falava durante o conselho intermunicipal, que decorreu esta sexta-feira em Montemor-o-Velho, chamou a atenção para o impacto na zona interior da região, em que o sistema de videovigilância da Proteção Civil ficou “completamente colapsado”.

O responsável recordou que este mesmo sistema tem de estar operacional em junho, no âmbito do programa de prevenção de incêndios.

Jorge Brito esclareceu ainda que os levantamentos dos impactos para pessoas e bens na região de Coimbra continua a decorrer.

Câmara de Setúbal ativa Plano de Emergência e Proteção Civil

A Câmara Municipal de Setúbal emitiu esta sexta-feira uma declaração de Situação de Alerta, até às 23h59 da próxima segunda-feira, e ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil, face à instabilidade atmosférica causado pela depressão Martinho.

Em comunicado, a autarquia adianta que foram convocados para uma reunião na manhã desta sexta-feira os núcleos de Informações e Planeamento e dos Serviços Técnicos da Comissão Municipal de Proteção Civil, e foram mobilizados “os recursos materiais e humanos considerados imprescindíveis à coordenação técnica e operacional dos serviços e agentes da Proteção Civil”.

A Câmara de Setúbal salienta ainda que, face às ocorrências verificadas desde quarta-feira, a “Comissão Municipal de Proteção Civil de Setúbal assegura a coordenação técnica e os procedimentos relativos à intervenção das forças e serviços de segurança”, e que já adotou, “como medida preventiva, a avaliação dos danos provocados e a identificação das necessidades e recursos, com a elaboração de um plano de mitigação e recuperação”.

A Península de Setúbal tem sido fustigada pela chuva e vento forte nos últimos dias, de que resultaram danos em diversas embarcações no porto de Setúbal, quedas de árvores e estruturas metálicas um pouco por toda a região, mas até agora sem vítimas e sem danos significativos, de acordo com as informações transmitidas pela Proteção Civil.

Os casos mais graves provocados pelo mau tempo nos três concelhos da Arrábida – Palmela, Sesimbra e Setúbal – ocorreram em Palmela e Sesimbra, com muitas quedas de árvores e estruturas, mas as duas autarquias, que já estão a proceder a trabalhos de remoção e limpeza, ainda não têm dados definitivos sobre os prejuízos causados pelo mau tempo.

Duas estradas continuam cortadas

A Guarda Nacional Republicana (GNR) informou que as estradas nacionais 120, que liga Alcácer do Sal a Lagos, e a 396, que serve a zona industrial de Loulé (Algarve), mantinham-se cortadas ao início da manhã desta sexta-feira devido ao mau tempo, informou a GNR. Segundo a mesma fonte, estas são as duas únicas estradas nacionais que ainda se mantêm cortadas por causa do mau tempo, depois de uma noite “mais calma”.

Na quinta-feira, a Infraestruturas de Portugal (IP) informou sobre o corte da EN 120 no concelho de Aljezur, distrito de Faro, devido ao risco de deslizamento causado pelo mau tempo. Enquanto a EN 120 liga Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, a Lagos, no distrito de Faro, a EN 396 serve a zona industrial de Loulé e é paralela à variante que liga Loulé a Quarteira (Algarve).

Circulação na Avenida D. Carlos I no Porto cortada ao final da tarde

A circulação automóvel e pedonal na Avenida de Dom Carlos I, no Porto, vai ser cotada a partir das 19h00 desta sexta devido à agitação marítima forte, sendo que a Câmara do Porto garante que a mesma será restabelecida assim que as condições o permitam.

O Porto estará sob avisos amarelo e laranja entre a tarde desta sexta e domingo e a Proteção Civil Municipal recomenda por isso à população que respeite os perímetros de segurança estabelecidos junto da orla costeira e acesso aos molhes e praias, nomeadamente nas avenidas D. Carlos I, Brasil e Montevideu.

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