Clássicas são sinónimo de primavera e primavera é sinónimo de Monumentos. Chegou aquela que é para alguns a melhor altura do ano. Ao longo das próximas semanas, os principais ciclistas do planeta vão decidir quem vence as quatro principais clássicas do calendário. E nada melhor do que começar a primeira batalha com a clássica da primavera, a Milão-São Remo. Como qualquer Monumento, a prova italiana é uma das mais apaixonantes, não só por ser a mais longa — são quase 300 quilómetros todos os anos —, mas também por ter muitas histórias épicas para contar. A Via Roma, em São Remo, guarda um dos finais mais conhecidos da modalidade, já que foi ali que Eddy Merckx venceu as suas sete edições, que fazem com que seja o recordista de vitórias.
Para esta edição, a grande particularidade passava por perceber se Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) conseguiria destronar os homens mais velozes do pelotão. Era o esloveno contra os outros, embora o percurso estivesse longe de ser favorável ao campeão do mundo. Ainda assim, o terceiro lugar de 2024 e o facto de chegar a Itália com uma equipa estratosférica concentrada em si, deixava antever algo mais. Faltava confirmá-lo na estrada, num percurso de 289 quilómetros entre Pavia e São Remo, em tudo semelhantes às últimas edições. A seleção tem sido feita no Poggio, ao contrário do que era habitual. Em 2024 a Emirates tentou partir a corrida na Cipressa, mas o esforço acabou por resultar na falta de apoio a Pogacar na derradeira subida da Classicissima. Ainda assim, perspetivava-se que a formação dos Emirados Árabes Unidos repetisse a estratégia. Afinal, só uma corrida rápida e explosiva podia dar possibilidades ao esloveno.
They’re already plotting the decisive move: the riders you can’t afford to lose sight of. ????
Non fidatevi della loro apparente tranquillità, stanno già pianificando l'attacco decisivo: i corridori da non perdere di vista. ????
???? Alex Verse#MilanoSanremo presented by @CA_Ita pic.twitter.com/xYM8bDA70v
— Milano Sanremo (@Milano_Sanremo) March 21, 2025
Com as belas paisagens do mar Mediterrâneo como pano de fundo, não foi preciso esperar muito para se formar uma fuga com oito elementos: Mathis Le Berre e Alessandro Verre (Arkéa-B&B Hotels), Baptiste Veistroffer (Lotto), Kristian Sbaragli, Tommaso Nencini e Mark Stewart (Solution Tech-Vini Fantini) e Martin Marcellusi e Filippo Turconi (VF Group-Bardiani CSF-Faizanè). O grupo permaneceu na frente até à parte final da prova, altura em que o ritmo alto imposto pelotão partiu a corrida na Cipressa, com Pogacar a ser lançado por Tim Wellens e Jonathan Narváez. Pela primeira na história, a subida foi feita abaixo dos nove minutos e desde os anos 90 que ninguém conseguia destacar-se.
Só Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck) e Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) tiveram pernas para seguir o ritmo apoteótico do campeão do mundo e, no Poggio, a história foi a mesma: o esloveno desferiu três grandes ataques que o neerlandês conseguiu responder. O italiano ficou ligeiramente para trás mas, já em São Remo viria a recolocar. No final, a clássica dos sprinters teve um final ao seu estilo, com Van der Poel a bater Ganna depois de um grande lançamento de sprint. Assim, o ciclista da Alpecin voltou a vencer o primeiro Monumento, depois de já o ter feito em 2023 e de ter trabalhado para Jasper Philipsen em 2024. É o sétimo Monumento da sua carreira, empatando agora com… Tadej Pogacar.
???? Breathtaking. Possibly the greatest 1000m we've seen on la Via Roma.
???? Mozzafiato. Forse il più grande 1000m che abbiamo visto sulla Via Roma.
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— Milano Sanremo (@Milano_Sanremo) March 22, 2025