Depois de, em 2024, substituir o Aventador, o coupé de dois lugares topo de gama da Lamborghini, pelo novo e electrificado Revuelto com 1015 cv, a marca prepara-se para substituir o Huracán pelo Temerario. Mais pequeno e mais acessível — para quem possa despender algumas centenas de milhares de euros —, o Temerario ganha potência e capacidade de aceleração face ao seu antecessor e vai iniciar as entregas a clientes no final de 2025, mas isso não o impediu de realizar uma breve visita à capital portuguesa.

Depois de o director-geral da Lamborghini Lisboa, Licínio Almeida, ter salientado que o construtor italiano “é o único fabricante de modelos de luxo com uma gama totalmente híbrida”, como forma de incrementar a potência e a rapidez, diminuindo simultaneamente o consumo e as emissões, coube a vez a Gaetano Santoro, responsável na Lamborghini pelo Temerario, destacar a evolução do novo desportivo face ao Huracán que vem substituir.

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Santoro começou por recordar que o Temerario trocou o 5.0 V10 atmosférico, que na versão mais potente (a STO) debitava 640 cv, por uma mecânica híbrida plug-in (PHEV) composta por um motor principal 4.0 V8 biturbo que fornece 800 cv e é capaz de girar até às 10.000 rpm. Este motor a combustão é ainda ajudado por três motores eléctricos com 150 cv (110 kW) cada, sendo que um deles está acoplado ao V8 e destina-se a recarregar a bateria nas travagens e desacelerações. Os outros dois motores eléctricos são do tipo axial e estão ligados a cada uma das rodas dianteiras, não só assegurando tracção às quatro rodas (através de um sistema que o construtor denomina e-4WD), como melhorando o comportamento ao permitir a vectorização do binário. Os motores eléctricos pesam 78 kg, o que explica em parte os 100 kg que o Temerario acusa a mais do que o Huracán quando colocado sobre a balança, e são alimentados por uma bateria com 3,8 kWh de capacidade, a qual assegura somente 8 km de autonomia em modo zero emissões, sendo recarregável a 7 kW em corrente alternada (AC).

Temerario sucede ao Huracán com mecânica PHEV de 920 cv

Com 920 cv (e 800 Nm de binário) de potência total, o novo coupé híbrido da Lamborghini reivindica 340 km/h de velocidade máxima e 2,7 segundos de 0-100 km/h, bem melhor do que os 310 km/h e 3,0 segundos do Huracán STO. De acordo com Santoro, o Temerario usufrui ainda de um chassi mais leve, mas mais rígido 20%, uma vez que a rigidez torcional é fundamental para um comportamento eficaz, gerando ainda uma carga aerodinâmica superior (118%) ao Huracán EVO, que sobe ainda mais (158%) na versão mais exuberante do Temerario, a Alleggerita, que pesa menos 12,65 kg, valor que pode atingir 25 kg caso o comprador opte por opcionais como as jantes em fibra de carbono e revestimentos interiores mais leves.

Mas se, por um lado, o Temerario é mais rápido a acelerar e a curvar, por outro lado, não se deixa de afirmar enquanto coupé desportivo para conduzir no dia-a-dia ou, até mesmo, para uma escapadinha de fim-de-semana. Para começar consegue sentar a bordo indivíduos com até 2 metros de altura, sem obrigar a um exercício de contorcionismo, oferecendo mais 4,6 cm no espaço para as pernas. No capítulo do espaço para bagagens, o modelo italiano surpreende igualmente, ao alojar no seu interior quatro malas de cockpit, daquelas que os passageiros podem transportar consigo no avião, duas no capot frontal e outras tantas atrás dos bancos.

A chegada das primeiras unidades do Temerario ao nosso país deverá acontecer a partir do final de 2025, mas o preço ainda está no segredo dos deuses. Isto porque o valor relativo às emissões de CO2 ainda não foi homologado e a fiscalidade nacional faz depender dele os impostos que incidem sobre o desportivo. Sabe-se contudo que, à saída da fábrica em Sant’Agata Bolognese, o Temerario tem um preço que ronda 300.000€, o que permite a Licínio Almeida antever um custo “chave na mão” quase nos 400.000€, em linha com o Huracán, cujos preços oscilavam entre 300 mil e 450 mil euros, consoante as versões, recordando o responsável pela Lamborghini Lisboa que os clientes desta classe de veículos investem uma média de 100.000€ adicionais em personalização, em cima deste preço da versão base. Questionado sobre objectivos comerciais, o gestor admitiu que ambiciona bater o recorde de vendas num só ano alcançado pelo Huracán que, em 2024, curiosamente o ano de despedida, transaccionou 19 unidades.