Um sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter atingiu na manhã desta sexta-feira Myanmar e a Tailândia e foi também sentido em algumas regiões da China. Várias testemunhas estão a relatar a destruição de prédios e outras infraestruturas. “Eu vi um edifício de cinco andares colapsar diante dos meus olhos. Todos na minha cidades estão na rua e ninguém se atreve a voltar a entrar“, disse à agência Reuters um residente de Myanmar. Para já só as autoridades de Myanmar divulgaram um balanço: 144 mortos e 732 feridos.

Segundo o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), o terramoto ocorreu pelas 12h50 locais (6h20 em Portugal continental). O epicentro é próximo da cidade de Sagaing e de Mandalay, que tem uma população de cerca de 1,5 milhões de pessoas. O hipocentro foi a dez quilómetros de profundidade. O USGS refere ainda que cerca de 12 minutos depois do abalo se seguiu outro, de magnitude 6,4 na escala de Richter. “Neste caso não falamos numa réplica, falamos de dois sismos seguidos. Normalmente, as replicas são mais baixas e vão descende de grau”, explicou à Rádio Observador o sismólogo João Duarte, professor do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Em Myanmar as equipas de resgate já estão nas ruas a avaliar baixas e danos, confirmou um responsável do departamento de bombeiros do país à Reuters. “Para já, não temos informação”, indicou. A junta militar de Myanmar, que governa desde o golpe de estado de 2021, declarou uma situação de emergência em seis regiões, incluindo Sagaing, Mandalay, Bago, Magway, Easter Shan e Naypyidaw, a capital construída pela junta e onde reside a maior parte dos líderes. Já a primeira-ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, instruiu o Ministério da Administração Interna a decretar Bangkok uma “zona de emergência.”

Para já não há registo de portugueses em perigo nas áreas atingidas pelo terramoto, avançou o Ministério dos Negócios Estrangeiros numa resposta escrita ao Observador: “O MNE está a acompanhar a situação. Até ao momento não há indicação de qualquer português afetado.”

Um abalo “muito forte” e “repentino”

Na maior cidade de Myanmar, Yangon, testemunhas estão a descrever um sismo “muito forte” e “repentino”. “Sentimos o sismo durante cerca de um minuto e corremos para fora do edifício”, disse um homem à CNN. Outros relatam um tempo superior, de cerca de três a quatro minutos. “A situação é muito má”, disse ainda Htet Naing Oo à Reuters, explicando que viu desabar uma loja de chá onde estava várias pessoas.

Várias estradas ficaram danificadas e a rota para um dos maiores hospitais da cidade de Naypyidaw ficou congestionada, noticiou a AFP, descrevendo o local como uma “área de vítimas em massa.” Em Mandalay a ponte Ava Bridge ficou totalmente destruída, como mostram vídeos partilhados nas redes sociais e verificados pelo New York Times. Também nesse cidade há registo de danos no mosteiro budista New Masoeyein.

Na capital da Tailândia, onde residem mais de 17 milhões de pessoas, o sismo também foi sentido com muita intensidade. Dezenas de habitantes fugiram para a rua em choque. “Eu ouvi, estava a dormir em casa. Corri tanto quanto pude para fora do edifício ainda em pijama”, contou um morador da cidade de Chiang Mai à agência de notícias. “Estava muito nervosa e entrei em pânico”, disse ainda a jornalista da BBC Bui Thu no programa Newsday, explicando que os edifícios em Banguecoque “não foram desenhados [a pensar em] terramotos”. “Acho que por isso os danos vão ser muito grandes”, apontou.

Um prédio de 30 andares que estava em construção em Chatuchak Park desabou na sequência do sismo. Três pessoas morreram e 90 ficaram desaparecidos. Imagens divulgadas por agências de notícias mostram equipas de resgate no local.

Meios de comunicação estatais chineses também noticiaram que o sismo foi sentido em várias regiões, nomeadamente nas províncias de Yunnan e Guangxi, que fazem fronteira com Myanmar.

Myanmar pede ajuda internacional, que já disponibilizou apoio aos países afetados

Durante a manhã, o líder Min Aung Hlaing esteve num hospital em Naypyidaw a visitar os feridos. A junta militar de Myanmar fez um raro pedido por ajuda internacional depois de declarar estado de emergência em seis regiões.

“Precisamos e queremos que a comunidade internacional providencie ajuda humanitária. Vamos cooperar com eles para garantir o melhor cuidado para as vítimas”, garantiu o porta-voz militar Zaw Min Tun. Organizações humanitárias, como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, pediram que o país permita acesso livre às zonas afetadas. “Os militares têm um histórico terrível de bloquear ajuda após desastres naturais, privando as pessoas de assistência e aumentando o sofrimento das comunidades atingidas”, lamentou Bryony Lau, da HRW, em declarações à imprensa.

A Índia já se disponibilizou para prestar “toda a assistência possível”, adiantou o primeiro-ministro Narendra Modi na rede social X. Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o bloco comunitário está pronto para prestar apoio, revelando que os satélites Copernicus já estão a auxiliar os prestadores de primeiros socorros.