Mais de 70 organizações e perto de 3.000 pessoas subscreveram a carta aberta que exige medidas contra a violação e a divulgação das imagens online, na sequência do caso de uma menor violada em Loures por três alegados influencers.

A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, que promoveu o documento, vai levar o tema para a campanha eleitoral que se aproxima, com abordagens aos partidos políticos, não só para que este caso não fique impune, mas para que o enquadramento jurídico português contemple as medidas adequadas à condenação e prevenção destes casos, disse à agência Lusa Maria João Faustino, uma das responsáveis pelo texto.

Adolescente foi violada e filmada por três jovens em Loures. Suspeitos são ‘influencers’ e têm um “público muito significativo”

“Há um conjunto de reivindicações que não se limitam ao caso concreto de Loures”, afirmou Maria João Faustino, ao manifestar preocupação por continuar a circular um vídeo com as agressões.

O movimento exige a responsabilização das plataformas digitais que tornam possível a visualização destas imagens, com uma vítima menor de idade.

“São múltiplos os crimes que estão aqui em causa. Não são apenas aqueles três indivíduos que devem ser responsabilizados”, defendeu a ativista.

“A resposta judicial foi francamente insuficiente, mas este caso não se circunscreve a estes três” agressores, acrescentou: “Filmar uma violação não é uma coisa menor. É uma outra forma de violência sexual e isto não tem ainda enquadramento penal suficiente“.

Para a plataforma, é preciso dar mais um passo legislativo para enfrentar este tipo de crime.

O documento foi assinado por dezenas de organizações, entre as quais organismos internacionais, como o Lóbi Europeu de Mulheres, pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas e pela UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Associaram-se igualmente alguns partidos e dirigentes, destacou a mesma fonte, prometendo que o trabalho não vai parar e que estará presente durante a campanha eleitoral para as legislativas de 18 de maio.

Segundo o jornal Expresso, os alegados autores do crime foram detidos pela Polícia Judiciária, mas ficaram em liberdade, com apresentações periódicas às autoridades.

Futebol, ostentação e viagens. Quem são os influencers suspeitos de violar uma menor em Loures

“A libertação dos três arguidos suscita indignação e alarme. Este caso evidencia um problema sistémico na aplicação de medidas de coação inadequadas para a prevenção de crimes contra mulheres e raparigas, revelando falhas estruturais na proteção das vítimas e uma menorização dos crimes praticados“, declarou a plataforma, em comunicado.