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Argélia abateu drone armado perto da fronteira com Mali

Este artigo tem mais de 1 ano

O Ministério da Defesa informou que "por volta da meia-noite do dia 1 de abril" uma unidade militar "detetou e abateu um drone armado" perto de Tinzaouten, após penetrar quilómetros do espaço aéreo.

epa04747973 Malian Secretary General of the Coordination of the Movements of Azawad (CMA) group, Bilal Agh Cherif (L), speaks before a signing ceremony for a peace agreement between the Malian government and armed groups, in Algiers, Algeria, 14 May 2015. The CMA, a rebel umbrella group comprises three factions seeking secession for the north of Mali, was one of the groups that have taken part in peace talks in Algeria over the past 10 months. The peace plan has been initialed by the government and its allies, but the CMA has already missed two deadlines for signing - March 1 and April 15.  EPA/STR
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▲A Argélia, país vizinho do Mali, desempenhou um papel preponderante na mediação do regresso da paz no norte do Mali, no âmbito do "Acordo de Argel" de 2015

STR/EPA

▲A Argélia, país vizinho do Mali, desempenhou um papel preponderante na mediação do regresso da paz no norte do Mali, no âmbito do "Acordo de Argel" de 2015

STR/EPA

O Governo da Argélia anunciou que as defesas aéreas abateram um “drone armado que estava a violar” o espaço aéreo do país, perto da cidade de Tinzaouten, na fronteira com o Mali.

Na terça-feira, o Ministério da Defesa informou que “por volta da meia-noite do dia 1 de abril” (mesma hora em Lisboa), uma unidade militar “detetou e abateu um drone de reconhecimento armado” perto de Tinzaouten, “após penetrar dois quilómetros no espaço aéreo” argelino.

“Esta operação de alta qualidade confirma mais uma vez o elevado nível de vigilância e a preparação constante das unidades do Exército Popular Nacional para proteger as nossas fronteiras terrestres, aéreas e marítimas de qualquer ameaça à soberania nacional”, acrescentou o ministério, num comunicado publicado na rede social Facebook.

O exército do Mali reconheceu que um dos seus drones caiu na zona, mas não confirmou se foi abatido pela Argélia.

Horas antes, a Frente de Libertação de Azawad (FLA, na sigla em francês), que reúne separatistas tuaregues ativos no norte do Mali, reivindicou o abate de um drone de fabrico turco “Baykar Akinci”, “operado pela junta terrorista de Bamako”, em referência à junta militar no poder no Mali.

“Este veículo aéreo, controlado remotamente por terroristas da junta de Bamako e mercenários estrangeiros, era utilizado diariamente para atacar indiscriminada e cegamente civis e as suas propriedades em toda a região de Azawad”, disse a FLA, na rede social X.

O porta-voz da FLA, Mohamed Elmaulud Ramadan, partilhou vídeos e imagens dos destroços do drone no seu perfil nas redes sociais.

“Depois de abater quase todos os caças norte-americanos Albatross e russos Sukhoi 25 adquiridos pela junta, a FLA está agora de olho nos drones turcos Akinci e TB2”, disse Ramadan.

Rida Lyammouri, especialista em Sahel do Centro de Políticas para o Novo Sul, sediado em Marrocos, disse que o abate do drone refletiu frustrações latentes.

“Isto confirma as graves tensões entre os países e a relutância e tolerância zero da Argélia em permitir a utilização do seu espaço aéreo e território pelas forças malianas”, disse.

O incidente ocorre numa altura em que as tensões aumentam entre a Argélia e os países do Sul, incluindo o Mali.

Em janeiro de 2024, o Governo do Mali decidiu pôr fim “com efeito imediato” à iniciativa de paz com grupos rebeldes tuaregues e árabes assinada em 2015, em Argel.

A Argélia, país vizinho do Mali, desempenhou um papel preponderante na mediação do regresso da paz no norte do Mali, no âmbito do “Acordo de Argel” de 2015 entre Bamako e os representantes dos principais grupos rebeldes (tuaregues e árabes).

Mas a norte do Mali tem sido palco desde agosto de 2024 de hostilidades contra o exército maliano, após anos de acalmia.

A crise agravou-se no final de 2023, quando o Mali acusou a Argélia de “instrumentalizar” o acordo de paz e de cidadãos malianos acusação de subversão ou terrorismo.

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