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O comandante da Força Aérea israelita anunciou esta quinta-feira a demissão dos pilotos reservistas que pediram, numa carta publicada na imprensa, a libertação de reféns, mesmo que isso signifique pôr fim à guerra em Gaza.
“Com o total apoio do chefe do Estado-Maior, o comandante da FAI [Força Aérea Israelita] decidiu que qualquer reservista no ativo que tenha assinado a carta não poderá continuar a servir”, disse o responsável, citado pela agência de notícias France-Presse AFP.
Cerca de mil reservistas ativos e reformados da Força Aérea israelita assinaram uma carta, divulgada na imprensa esta quinta-feira, a pedir que se acabe com a ofensiva na Faixa de Gaza se essa for a única forma de conseguir libertar os reféns ainda detidos pelo grupo islamita Hamas.
“A guerra serve interesses políticos e pessoais; só um acordo garantirá o regresso seguro dos reféns”, afirmaram os signatários, sublinhando que “a continuação da guerra não promove nenhum dos objetivos declarados e resultará na morte de reféns, soldados e civis inocentes”.
“Como já foi comprovado no passado, só um acordo pode devolver os reféns em segurança, sendo que a pressão militar leva principalmente à morte de reféns e a riscos para os nossos soldados”, declararam os reservistas, pedindo que “todos os cidadãos de Israel se mobilizem”.
Com exceção de cinco dos signatários, todos forneceram os nomes, o que significa que são veteranos, embora o portal online de notícias israelita Ynet tenha indicado que cerca de 10% são reservistas no ativo.
Entre os nomes está o de Dan Halutz, antigo chefe do Estado-Maior.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, criticou os signatários, afirmando que “recusar servir é recusar servir, mesmo que isso seja dito de forma implícita ou através de linguagem velada”.
Para Netanyahu, estas declarações “enfraquecem as FDI e fortalecem os inimigos em tempo de guerra”, pelo que “são imperdoáveis”.
Netanyahu manifestou também apoio à decisão de destituir os signatários.
“Já tentaram fazê-lo antes de 7 de outubro [de 2023, quando o grupo islamita Hamas atacou território israelita, dando início à guerra], e o Hamas interpretou os apelos como fraqueza”, disse, numa aparente referência aos protestos contra o seu plano de reforma judicial.
“Este grupo marginal ruidoso mobiliza-se com um único objetivo: derrubar o Governo. Não representa os combatentes nem o público”, garantiu Netanyahu, numa mensagem publicada nas redes sociais.
אני מגבה באופן מלא את שר הביטחון והרמטכ״ל בהחלטתם להדיח את חותמי המכתב.
סרבנות היא סרבנות – גם כשהיא נאמרת במרומז ובשפה מכובסת.
התבטאויות שמחלישות את צה״ל ומחזקות את אויבינו בזמן מלחמה הן בלתי נסלחות.
מדובר בקבוצת שוליים קיצונית שמנסה שוב לשבור את החברה הישראלית מבפנים.
הם כבר…— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) April 10, 2025
Também o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, manifestou a “firme rejeição” à carta, que descreveu como “uma tentativa de minar a legitimidade da guerra justa que as FDI estão a liderar em Gaza, pelo regresso dos reféns e pela derrota da organização terrorista assassina Hamas”.
“Confio no julgamento do chefe do Estado-Maior [Eyal Zamir] e do comandante da Força Aérea [Tomer Bar] e estou convencido de que vão lidar com este fenómeno inaceitável da forma mais apropriada”, considerou o ministro, citado pelo jornal The Times of Israel.
Na quarta-feira, Katz ameaçou o Hamas com ataques crescentes se não forem libertados os reféns, reiniciados a 18 de março, em violação do acordo de cessar-fogo alcançado em janeiro.
A decisão do Governo israelita de relançar a sua ofensiva, que entretanto se alastrou a vários pontos do enclave, foi criticada pela oposição e pelo Fórum dos Familiares de Reféns e Desaparecidos e desencadeou novas manifestações por todo o país, criticando a estratégia de Netanyahu e exigindo um acordo que resultasse na libertação de todos os reféns.
As autoridades de Gaza, onde o Hamas está no poder desde 2007, estimaram na quarta-feira o número de mortos em quase 50.850, como resultado da ofensiva militar de Israel contra o enclave após os ataques do movimento palestiniano a 07 de outubro de 2023.
Segundo Israel, o Hamas ainda mantém mais de 50 reféns dos 250 que sequestrou em 7 outubro de 2023, quando o Hamas atacou o território israelita, dando início à guerra.