Um estudo publicado, esta segunda-feira, na revista científica The Lancet, mostrou que a gepotidacina, um novo antibiótico usado no tratamento de infeção urinária, pode ser eficaz também contra a gonorréia. A confirmarem-se os resultados da investigação conduzida pelo grupo farmacêutico britânico GlaxoSmithKline (GSK), este poderá ser o primeiro medicamento contra a doença sexualmente transmissível em mais de 30 anos.
O ensaio clínico internacional teve mais de 600 participantes, sendo que metade recebeu o tratamento convencional, uma combinação de uma injeção de ceftriaxona e um comprimido de azitromicina, enquanto o outro grupo recebeu o novo antibiótico, com duas doses orais de três gramas. A taxa de sucesso foi de 92,6% para a gepotidacina em comparação com 91,2% do tratamento convencional. “A gepotidacina não foi inferior ao tratamento com ceftriaxona e azitromicina“, destaca o estudo. Entretanto, o grupo que recebeu o novo antibiótico teve “taxas mais altas de eventos adversos relacionados à droga, principalmente questões gastrointestinais, quase todos médios ou moderados. Não foi identificado nenhum evento adverso severo relacionado ao tratamento em nenhum dos grupos”. A gepotidacina foi aprovada em março pela Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos da América para o tratamento de infeção urinária em mulheres acima dos 12 anos.
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Desde os anos 1990 que não se descobre um novo antibiótico para combater a gonorreia. Ao longo dos anos, a bacteria que causa a doença tem desenvolvido resistência aos antibióticos mais usados, como a penicilina, a tetraciclina ou as fluoroquinolonas, o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chama “super gonorreia”. “Ter mais uma opção para o tratamento é fantástico”, disse à CNN o especialista em doenças sexualmente transmissíveis e professor na Universidade de Columbia Jason Zucker. O médico Fernández Rivas, porta-voz da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica, também celebra a notícia, destacando em declarações ao El País que a ameaça de algumas infeções bacterianas tornarem-se intratáveis “é real e quase já acontece neste caso”.
Relatórios recentes do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), com dados dos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, mostraram que em 2023, cerca de 100 mil casos de gonorreia foram reportados na Europa, o equivalente a um aumento de 31% comparativamente a 2022.