A maioria dos inquiridos na sondagem encomendada pela SIC e pelo Expresso ao ICS e ao ISCTE acredita que será a AD a vencer as eleições legislativas que decorrem em menos de um mês. 39% respondeu com a coligação PSD/CDS à pergunta “quem acha que vai vencer as legislativas de 18 de maio”, seguindo-se o PS com 23%, um número menor à percentagem de indecisos ou que não arriscam previsões, 24%.
No entanto, o aspeto a reter nesta sondagem é que, tal como em 2024, não parece haver condições para um acordo de governação. Em todos os cenários em que quer a AD, quer o PS vença as legislativas de 18 de maio, é sempre maior a percentagem de inquiridos a rejeitar potenciais acordos do que a aprová-los.
Se, por exemplo, o Chega for a força partidária a ter em conta para a AD formar governo, 63% acha má ideia, com apenas aproximadamente um terço dos inquiridos a ver tal solução com bons olhos. Por seu lado, há mais gente a aprovar que, mesmo que seja o partido de André Ventura aquele que oferece melhores condições de governação, seja o PS a viabilizar o governo — 40% — numa solução semelhante à de 2024. A destacar que, paralelamente, 29% dos inquiridos considera que, se o Chega for a única hipótese da AD governar em caso de vitória, então o PS deve encontrar parceiros para formar governo.
Pode parecer que a generalidade dos inquiridos rejeita acordos entre a AD e o Chega, mas o caso é ainda pior no que toca aos simpatizantes do PSD. Segundo os dados adiantados pela SIC, 82% consideram má ideia um acordo com o partido de Ventura, subindo assim a rejeição a esta solução em 20 pontos face a uma sondagem idêntica em 2024, sendo que apenas 12% aprovam. Ao invés, há mais sociais-democratas a aprovar negociações com o PS, 36%, mesmo que a maioria, 55%, rejeite acordos com os socialistas. Sem surpresas, o parceiro natural de negociação surge como sendo a IL, com 56% dos inquiridos agradados pela ideia.
Já do lado do PS, a maioria dos simpatizantes socialistas inquiridos vê o Bloco de Esquerda como o parceiro mais indicado, 34%, ainda que 51% rejeite tal hipótese. Logo a seguir, o Livre disparou como potencial aliado desde 2024, passando de uma aprovação de 20% nesse ano para 31% nesta sondagem (50% dos inquiridos, porém, também acham má ideia estender o braço ao partido de Rui Tavares). Por fim, na eventualidade de ser o PS a vencer as eleições, 27% dos inquiridos gosta da ideia, face a 56% que a rejeitam.
Mesmo com polémicas, Montenegro continua a ser visto como o melhor líder
Noutra vertente da mesma sondagem do ICS e do ISCTE, foi pedido aos inquiridos que avaliassem as suas preferências quanto aos líderes políticos portugueses. Apenas dois tiveram nota positiva — Marcelo Rebelo de Sousa, com 6 pontos em 10, e Luís Montenegro, chegando aos 5,3 na mesma escala —, sendo que somente o último está a disputar as legislativas de maio.
Não obstante as polémicas com a Spinumviva que levaram à queda do governo AD, o primeiro-ministro é o mais bem visto de todos os candidatos, seguido por Pedro Nuno Santos (4,9), Rui Tavares (4,3), Rui Rocha (4,2) e Nuno Melo (4). No pódio dos “últimos”, tanto Inês Sousa Real como Mariana Mortágua têm 3,6 pontos, com o fundo da tabela a ser ocupado por André Ventura (3,4) e Paulo Raimundo (3,3).
A comparação entre os dois principais candidatos é particularmente danosa para Pedro Nuno Santos, que não vence a Montenegro em nenhum dos critérios avaliados, a não ser o facto de ser considerado mais frontal. De resto, os inquiridos consideram o primeiro-ministro mais ponderado, mais simpático, mais experiente e mais competente, entre outras categorias.
De destacar ainda, no que toca aos casos que afetam Luís Montenegro, que 55% dos inquiridos considera que não beliscaram a sua imagem, face a 40% que dizem que ficaram com pior impressão do primeiro-ministro. Apenas 3% considera ter ficado com melhor opinião do líder social-democrata.