Com a maioria do território nacional ainda em apagão, com constrangimentos a nível das telecomunicações, além de supermercados fechados e as autoridades a recomendarem que sejam evitadas deslocações desnecessárias, é importante que mantenha a calma e esteja informado. Para isso, um rádio a pilhas pode ser o mais indicado.
Para fazer face à falta de eletricidade, ter lanternas em casa é importante. Ou velas, sendo que estas devem ser usadas com precaução e não devem ser colocadas perto de objetos inflamáveis. Mas há mais recomendações que os portugueses devem seguir nestas circunstâncias excecionais.
O Observador reuniu um guia com as principais dicas e conselhos para a população lidar com o apagão.
Limitar a utilização dos telemóveis
Tendo em conta que não se sabe quando é que a energia voltará, é importante que tente poupar a bateria do telefone (e, se possível, ter um powerbank disponível e carregado). É boa ideia ativar o modo de poupança de bateria e desligar tudo o que sejam funcionalidades que consomem bateria, como a localização ou o Bluetooth.
As comunicações atravessam ainda um período instável. Nesse sentido, a Meo, por exemplo, indica que “reconfigurou a sua rede, limitando a utilização de dados móveis e apelando aos clientes que façam um uso responsável das comunicações móveis até que a situação seja totalmente normalizada”. Ao longo do dia, a Vodafone e a Nos também confirmaram as dificuldades no serviço.
A Vodafone aconselha também que os clientes coloquem o telemóvel em “modo de voo”, retirando-o de seguida, para forçar uma atualização e novo registo na rede.
Também é recomendado que evite fazer chamadas para o 112, a menos que se trate efetivamente de uma emergência.
Desligar os quadros elétricos de casa
É recomendável desligar os quadros elétricos de casa para evitar que os equipamentos, como os eletrodomésticos, fiquem danificados. E voltar a ligar apenas depois da reposição da energia.
No caso específico do frigorífico e do congelador é importante, em primeiro lugar, manter as portas fechadas. De acordo com o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar dos Estados Unidos (USDA, na sigla original), em casos de falha de energia, os alimentos resistem dentro do frigorífico quatro horas. Como o apagão que atinge Portugal começou há mais tempo, por voltas das 11h30, alimentos como carnes cruas ou cozidas, peixes, ovos, leite e derivados, vegetais e frutas já cortadas ou sumos já abertos podem já não estar próprios para consumo. No caso dos congelados, se ainda tiverem cristais de gelo, continua a ser seguro comer.
Evitar deslocações e consumos desnecessários
A Polícia de Segurança Pública pediu à população para evitar deslocações desnecessárias. Se vai na estrada, “redobre a atenção” e “reduza a velocidade”. Em comunicado, as autoridades apelaram aos condutores para que respeitem as orientações que são dadas no terreno e para priorizarem uma “circulação segura”. Foram ainda dadas recomendações para que, em cruzamentos sem sinalização, já que os semáforos que habitualmente aí se encontram não estão a funcionar, seja dada “prioridade à direita”.
Manter a tranquilidade é um dos conselhos dados também pelo Sistema de Segurança Interna (SSI), que apelou à população para que “evite consumos desnecessários” e que “adote medidas de gestão responsável”. Horas antes, a EPAL — Empresa Portuguesa das Águas Livres já tinha apelado a um “uso consciente da água” e alertado que o apagão poderia originar interrupções no fornecimento.
▲ Ter uma lanterna em casa é uma das recomendações para 'enfrentar' o apagão que parou o país
FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA
Pensar e verificar fontes antes de partilhar qualquer informação
Momentos de incerteza como o deste apagão são um terreno fértil para a desinformação. Só esta segunda-feira, já houve uma suposta informação avançada pela CNN internacional de ciberataques russos que não foi escrita pelo órgão de comunicação social.
A desinformação não é um fenómeno novo, é certo, mas neste momento há que ter atenção redobrada à informação que lhe chega, especialmente através de redes sociais ou aplicações como o WhatsApp. Uma das principais recomendações é que procure informação diretamente nas entidades oficiais: por exemplo, na página ou redes sociais da PSP ou da Proteção Civil, por exemplo. Também pode analisar a forma como a notícia está escrita e questões como a ortografia.
Fact Check. CNN noticiou que apagão foi causado por ciberataques russos? Falso
A lista de conselhos de fontes como a Internet Segura inclui medidas que deve reter antes de partilhar qualquer informação em grupos ou redes sociais:
- Não ler apenas o título, mas sim a notícia inteira.
- Confirmar a fonte da informação e a autoria: por exemplo, se receber alguma informação que é atribuível a um determinado jornal e não encontrar nada no site deverá desconfiar. Também é importante confirmar pontos ou o autor ou a data de escrita da notícia, para garantir que não está a partilhar informação desatualizada ou que não se aplica ao contexto atual.
- É recomendável que pesquise a notícia que lhe chegou através da internet e também comparar com outras fontes de informação. Em alguns casos, se se tratar de informação que não é fidedigna ou até mesmo falsa poderá até encontrar alguma indicação em sites noticiosos ou em áreas de fact-check.
- Analise a informação cuidadosamente e desconfie, mesmo que lhe tenha chegado através de alguém conhecido. Questione qual é a fonte da mesma.
- Se a notícia lhe chegar através de um link, confirme o endereço do site. Nos últimos anos tornou-se frequente alterar ligeiramente os endereços ou até forjar completamente o aspeto visual de sites de jornais, em que é apresentada informação falsa.
- Atenção também às imagens: hoje em dia é muito fácil forjar ou manipular imagens. Pode tentar pesquisar a imagem no Google, por exemplo, para tentar perceber se é efetivamente uma fotografia desta situação.
- As notícias em formato de áudio também são difíceis de verificar. Por isso, desconfie de qualquer informação que lhe chegue através de áudio, por exemplo, através do WhatsApp. Pense duas vezes antes de partilhar ou reencaminhar um áudio.