“Foi uma ação bastante coordenada. Quem o fez, sabia o que estava a fazer”. Assim reagiu o ministro dos Transportes espanhol a um roubo de cabos que, uma semana depois do apagão, paralisou a linha de alta velocidade entre Madrid e Sevilha. A sabotagem, no domingo, afetou milhares de pessoas que regressavam a casa depois do feriado do 1.º de Maio.

Óscar Puente, o ministro com a pasta dos Transportes, denunciou “um ato grave de sabotagem” com “quatro roubos de cabos em pontos distintos” a uma distância de dez quilómetros. “A Guardia Civil investiga os acontecimentos”, rematou na mensagem que escreveu na noite de domingo no X, onde anteviu um impacto “muito sério”.

O roubo foi detetado pelas 17h45 de domingo, cerca de quatro horas antes da publicação do ministro nas redes sociais, e terão sido subtraídos 300 metros de cabo, segundo fontes da Administração das Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), citadas pela imprensa espanhola.

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Assim que se aperceberam do sucedido, foram mobilizadas equipas para os locais, com o objetivo de repor os cabos. Essa missão complicou-se uma vez que foram detetados vários pequenos estragos noutros pontos da linha de alta velocidade entre Madrid e Sevilha, que danificaram os sistemas de segurança.

Por outro lado, o presidente da Renfe (empresa pública que explora a rede ferroviária em Espanha) assegurou esta madrugada que a falha não foi provocada, unicamente, pelo roubo, mas também pelo acoplamento de um comboio que arrastou a catenária.

Esta manhã, os técnicos da ADIF conseguiram reabrir a linha entre Madrid e Sevilha, depois de 16 horas de uma paragem que afetou pelo menos 16 mil pessoas — 10 mil em 30 comboios que ficaram parados no domingo e 6 mil esta manhã. Além da ponte do Dia do Trabalhador, a avaria coincidiu com o arranque da ‘Feria de Abril’ em Sevilha, evento que atrai muitos turistas e que decorre entre 6 e 11 de maio.

Oposição acusa Governo de sabotar a Renfe. PSOE diz que PP se aproveita das desgraças alheias

O colapso de uma das linhas mais movimentadas de Espanha foi utilizada como arma política, tal como o apagão da semana passada (que também afetou Portugal) já tinha sido. “Tudo o que o Governo gere diretamente é um caos e vai piorar. Ninguém está a favor de uma sabotagem e, se assim foi, condenamos. Mas a verdade é que com este Governo nada funciona”, disse ao El País a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso (do Partido Popular, PP).

Juan Manuel Moreno, presidente da Junta de Andalucía e também do PP, exigiu que o Governo garanta alternativas aos passageiros e mostrou-se “muito preocupado pela situação que afeta milhares de passageiros”. “Quem sabota a Renfe é o próprio Governo, que deteriorou a Alta Velocidade como nunca antes se viu ao não garantir os recursos suficientes”, acrescentou a sua porta-voz.

Também Alberto Núñez Feijóo, presidente do PP, criticou o Governo socialista de Pedro Sánchez: “Milhares de espanhóis retidos em comboios de madrugada. Sem água. Sem nada. Segunda segunda-feira com imagens impróprias da quarta economia do Euro. As pessoas não merecem pagar cada vez mais impostos em troca de serviços piores”, lê-se no X.

O PSOE de Sánchez reagiu em comunicado e acusou a oposição de aproveitar “atos de vandalismo” para conquistar votos. “Tentam aproveitar as desgraças alheias para reanimar a sua malfadada carreira política. Foi o que fez Feijóo”, escreveram.