“Foi uma ação bastante coordenada. Quem o fez, sabia o que estava a fazer”. Assim reagiu o ministro dos Transportes espanhol a um roubo de cabos que, uma semana depois do apagão, paralisou a linha de alta velocidade entre Madrid e Sevilha. A sabotagem, no domingo, afetou milhares de pessoas que regressavam a casa depois do feriado do 1.º de Maio.
Óscar Puente, o ministro com a pasta dos Transportes, denunciou “um ato grave de sabotagem” com “quatro roubos de cabos em pontos distintos” a uma distância de dez quilómetros. “A Guardia Civil investiga os acontecimentos”, rematou na mensagem que escreveu na noite de domingo no X, onde anteviu um impacto “muito sério”.
Hemos sufrido un acto de grave sabotaje en la línea de alta velocidad Madrid Sevilla. 4 robos de cable en puntos distintos en un radio de 10 km. Puntos Kilométricos 92-850, 93-600, 101-400 y 102-200. Son los sistemas de seguridad de la línea. La afectación a los trenes que aún… pic.twitter.com/rfUpBFoiZR
— Oscar Puente (@oscar_puente_) May 4, 2025
O roubo foi detetado pelas 17h45 de domingo, cerca de quatro horas antes da publicação do ministro nas redes sociais, e terão sido subtraídos 300 metros de cabo, segundo fontes da Administração das Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), citadas pela imprensa espanhola.
Assim que se aperceberam do sucedido, foram mobilizadas equipas para os locais, com o objetivo de repor os cabos. Essa missão complicou-se uma vez que foram detetados vários pequenos estragos noutros pontos da linha de alta velocidade entre Madrid e Sevilha, que danificaram os sistemas de segurança.
Por outro lado, o presidente da Renfe (empresa pública que explora a rede ferroviária em Espanha) assegurou esta madrugada que a falha não foi provocada, unicamente, pelo roubo, mas também pelo acoplamento de um comboio que arrastou a catenária.
Los cinco puntos de la línea de alta velocidad entre Madrid y Andalucía donde se han producido cortes de cable https://t.co/kIACLDe6WQ pic.twitter.com/8xMqL23Oxm
— Cadena SER (@La_SER) May 5, 2025
Esta manhã, os técnicos da ADIF conseguiram reabrir a linha entre Madrid e Sevilha, depois de 16 horas de uma paragem que afetou pelo menos 16 mil pessoas — 10 mil em 30 comboios que ficaram parados no domingo e 6 mil esta manhã. Além da ponte do Dia do Trabalhador, a avaria coincidiu com o arranque da ‘Feria de Abril’ em Sevilha, evento que atrai muitos turistas e que decorre entre 6 e 11 de maio.
Oposição acusa Governo de sabotar a Renfe. PSOE diz que PP se aproveita das desgraças alheias
O colapso de uma das linhas mais movimentadas de Espanha foi utilizada como arma política, tal como o apagão da semana passada (que também afetou Portugal) já tinha sido. “Tudo o que o Governo gere diretamente é um caos e vai piorar. Ninguém está a favor de uma sabotagem e, se assim foi, condenamos. Mas a verdade é que com este Governo nada funciona”, disse ao El País a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso (do Partido Popular, PP).
#5May #España #Madrid
Caos en la Alta Velocidad: 30 trenes y 10.700 pasajeros afectados entre Madrid y el sur del país desde el domingo. Mientras el ministro Óscar Puente habla de sabotaje por robo de cables, Renfe e Iryo se contradicen sobre la causa del fallo. – @abc_es pic.twitter.com/of4REpw9hl— Reporte Ya (@ReporteYa) May 5, 2025
Juan Manuel Moreno, presidente da Junta de Andalucía e também do PP, exigiu que o Governo garanta alternativas aos passageiros e mostrou-se “muito preocupado pela situação que afeta milhares de passageiros”. “Quem sabota a Renfe é o próprio Governo, que deteriorou a Alta Velocidade como nunca antes se viu ao não garantir os recursos suficientes”, acrescentou a sua porta-voz.
Também Alberto Núñez Feijóo, presidente do PP, criticou o Governo socialista de Pedro Sánchez: “Milhares de espanhóis retidos em comboios de madrugada. Sem água. Sem nada. Segunda segunda-feira com imagens impróprias da quarta economia do Euro. As pessoas não merecem pagar cada vez mais impostos em troca de serviços piores”, lê-se no X.
O PSOE de Sánchez reagiu em comunicado e acusou a oposição de aproveitar “atos de vandalismo” para conquistar votos. “Tentam aproveitar as desgraças alheias para reanimar a sua malfadada carreira política. Foi o que fez Feijóo”, escreveram.
Miles de españoles atrapados en trenes de madrugada. Sin agua. Sin nada. Segundo lunes con imágenes impropias de la cuarta economía del euro.
La gente no merece pagar cada día más impuestos a cambio de peores servicios.
España tiene que volver a funcionar. Es mi objetivo. https://t.co/dSgQzY28HF
— Alberto Núñez Feijóo (@NunezFeijoo) May 5, 2025