Era uma questão de tempo até que o tema contaminasse a campanha eleitoral — o ataque, aliás, já tinha sido ensaiado por Pedro Nuno Santos no frente a frente com Luís Montenegro. Numa altura em que o PS parece estar a escorregar nas intenções de voto, o líder socialista trouxe para a agenda política a ideia de que a AD pretende penalizar os pensionistas e reformados — o grande bastião eleitoral do PS. Num dia dedicado aos distritos de Castelo Branco e da Guarda, Luís Montenegro não deixou o adversário direto sem resposta e e acusou-o de estar “desesperado”.
Os dois discursos da tarde-noite (a manhã foi passada no debate a oito) foram, aliás, tirados a papel químico. Num primeiro comício em Castelo Branco, o social-democrata pediu diretamente aos pensionistas que não se deixassem enganar pela estratégia de “medo” lançada por Pedro Nuno Santos. Para contrariar isso mesmo, o social-democrata recordou que este Governo aumentou as pensões de acordo com a lei, garantiu o aumento o Complemento Solidário para Idosos, aumentou a comparticipação de medicamentos para os beneficiários deste complemento de 50 para 100%, ainda garantiu um aumento extraordinário das pensões mais baixas a meio do ano e ainda baixo os impostos sobre os rendimentos do trabalho, o que se aplica também às pensões.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
“Prometemos e cumprimos. Não nos esquecemos de nenhum pensionista e reformado, e privilegiamos aqueles que têm menos rendimentos. É a altura de todos ignorarem o medo e as tentativas de contaminação do debate com as velhas táticas de criar novos temores. Não há como colar. Agora, respondemos por aquilo que fizemos e estamos a fazer. Os pensionistas e reformados sabem que somos mesmo de confiança“, disse Montenegro.
Não é caso para menos. As últimas sondagens publicadas estão a mostrar a AD a recuperar a confiança junto dos eleitores mais velhos — o que seria um duro golpe nas aspirações de Pedro Nuno Santos. E é relativamente simples de perceber o porquê: nas eleições de março de 2024, e de acordo com uma sondagem à boca da urna do ICS/ISCTE, 48% dos eleitores com mais de 65 anos tinham votado no PS, contra os 28% da Aliança Democrática; nas europeias, em junho do mesmo ano, a diferença foi mais ou menos idêntica (48 contra 31%). Se Montenegro conseguir diminuir a distância para o PS neste segmento eleitoral em particular, a AD pode garantir uma vitória robusta nas próximas eleições legislativas.
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Horas mais tarde, na Guarda, Montenegro repetiu o mesmíssimo discurso, tentando descontruir a estratégia de medo lançada por Pedro Nuno Santos. “O medo é característica de quem entra em processo de desespero Os pensionistas e reformados portugueses sabem que temos as políticas públicas muito dirigidas [para eles]. Somos de absoluta confiança.”
Num outro plano, e complementar, o social-democrata tentou duas coisas: impedir que exista uma desmobilização do eleitor da AD (o excesso de confiança pode levar a essas coisas) e convencer aqueles que não tendo votado na AD nas últimas legislativas deem agora um voto de confiança à coligação — a única que, repetiu, representa a estabilidade.
“Ninguém ganha as eleições antes do dia das eleições. Não se deixem levar por estudos que apontam que estamos no bom caminho. Eu sei que estamos. Mas o entusiasmo não ganha eleições. É mesmo preciso ir votar. Aqueles que, porventura, votaram noutras forças políticas, só quero que pensem numa coisa: se é um governo estável que querem, tenham em atenção o seguinte: na segunda-feira dia 19 não é possível corrigir aquilo que se fez no domingo. Não é pedir um grande esforço”, reforçou Montenegro.
[Ouça aqui a reportagem da Rádio Observador]