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Ex-líderes do PSD falaram de PS e Chega em mesa redonda. Só Passos foi mais difícil de digerir em "almoço agradável"

Este artigo tem mais de 1 ano

Ex-presidentes do PSD tiveram "almoço agradável", houve bolo e velas (que Ferreira Leite soprou). Adversários da AD foram tema à mesa onde houve "poucos vaticínios". Passos ainda agitou menu do dia.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Dispostos à volta de uma mesa circular, para afastar qualquer leitura sobre a importância de cada um deles na história do partido, Luís Montenegro reuniu oito dos antigos presidentes do PSD ao almoço para assinalar, em plena campanha eleitoral, o 51.º aniversário da família social-democrata. Apesar das rivalidades e inimizades antigas, o encontro decorreu, sabe o Observador, num “ambiente agradável”. A conversa foi “distendida” e falou-se da “campanha, do PS e do Chega”. À porta fechada, ninguém arriscou grandes vaticínios ou futurologias, mas, genericamente, todos concordaram que a campanha “está a correr bem” a Luís Montenegro.

Na sede do partido, em Lisboa, a conversa decorreu, apurou o Observador, em grande informalidade e descontração — e, na verdade, na maior parte do tempo, “nem se falou de política”. O anfitrião, Luís Montenegro, foi cuidadoso nos critérios para que ninguém se sentisse desconfortável ou menorizado. Os líderes estavam sentados por ordem cronológica: por ordem dos ponteiros do relógio, do atual para o mais antigo, sentaram-se Montenegro, Rui Rio, Pedro Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, Luís Filipe Menezes, Luís Marques Mendes, Pedro Santana Lopes, Fernando Nogueira (a grande surpresa do dia) e Aníbal Cavaco Silva.

O líder do PSD terá ainda explicado aos restantes ex-líderes que convidou Marcelo Rebelo de Sousa para o almoço, mas que o Presidente da República terá declinado o convite por não querer participar num evento partidário em plena campanha eleitoral. Mesmo tendo dito que percebia a posição do chefe de Estado, Luís Montenegro fez questão de assinalar que não podia deixar de o convidar.

A entrada do almoço era à base de cogumelos e o prato principal era de carne. Houve uma dupla sobremesa para adoçar os ex-líderes: a do menu e ainda o bolo de aniversário, para celebrar os 51 anos do PSD. Para que não existissem outras leituras, ficou decidido que era Manuela Ferreira Leite a soprar as velas, pelo facto de ser a única mulher presente. Luís Montenegro deu ainda uma prenda a todos os ex-líderes: um estojo com a fotografia dos fundadores Sá Carneiro, Balsemão, Magalhães Mota. Lá dentro estava o cartão de militante de cada um dos ex-líderes dourado, uma. caneta e um pin com emblema do partido.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Passos quase estragava a festa

O primeiro a chegar ao encontro, marcado formalmente para as 13h30, foi Luís Marques Mendes, ainda só tinham passado 19 minutos desde a uma da tarde. A súbita pontualidade do agora candidato presidencial, que era conhecido por chegar cronicamente atrasado, foi devidamente assinalada por Luís Montenegro, que descia e subia a escadaria da sede do partido de cada vez que chegava um candidato. “Está mesmo um homem novo. É o primeiro a chegar.” Estar em campanha tem destas coisas.

Quase em simultâneo chegou também Manuela Ferreira Leite. Os dois falaram aos jornalistas para pedir aos eleitores que tivessem a “lucidez” de privilegiar a “estabilidade” que representa o voto na AD. Fernando Nogueira, afastado da vida pública e política desde que abandonou a liderança do PSD, chegou sozinho e preferiu não falar aos jornalistas, pedindo a compreensão da comunicação social.

Seguir-se-ia Luís Filipe Menezes, que preferiu assinalar a capacidade demonstrada por Luís Montenegro para unir tantos antigos presidentes de um partido que é, nas palavras do próprio Menezes, “especialmente belicoso quando se trata da democracia interna”. Ele que o diga: travou com Luís Marques Mendes uma das campanhas internas mais duras da história do PSD. E, na altura, Montenegro, afilhado político de Mendes, trocou-o por Menezes, numa decisão assumidamente difícil para ambos.

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Depois de Menezes, chegaram Pedro Santana Lopes (que ainda não regressou formalmente ao partido) e Pedro Passos Coelho. Aproximando-se dos jornalistas, o antigo primeiro-ministro anunciou que pretendia deixar apenas uma reflexão sem direito a perguntas. Com a mensagem bem estudada, o antigo primeiro-ministro sublinhou a importância de haver “estabilidade”, mas não sem deixar um aviso: estabilidade “sem reformismo” não serve os interesses do país. Rui Rio foi o último a chegar, desculpando-se com o trânsito da cidade de Lisboa.

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Lá dentro, no almoço com Luís Montenegro e demais antigos presidentes do partido, a mensagem de Passos não foi muito diferente. O antigo primeiro-ministro terá defendido que as reformas se devem fazer quando há ventos favoráveis; fazê-las em momentos de crise — como o próprio teve de fazer — torna todo o processo mais doloroso. Além de que a ausência de um espírito reformista torna o PSD num mero partido rotativista, condenado a prazo.

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Pedro Passos Coelho tem gerido as suas aparições públicas com parcimónia, sobretudo depois de Luís Montenegro ter vencido as eleições, em março 2024. Ainda assim, e tal como contou o Expresso, o antigo primeiro-ministro não deixou de lamentar a “falta de coragem” dos responsáveis políticos para fazer as reformas necessárias. Numa iniciativa de estudantes da Faculdade de Economia do Porto, que decorreu em dezembro de 2024, lamentou essa falta de coragem e de clareza, no que foi entendido como uma crítica à agenda do Governo da AD.

Às 15h43, Luís Montenegro desceu novamente as escadarias da sede do partido, mas desta vez para acompanhar os antecessores à saída. No final, em declarações aos jornalistas, Luís Montenegro esforçou-se por afastar qualquer tipo de polémica em torno das declarações de Pedro Passos Coelho, dizendo estar em perfeita sintonia com o antigo primeiro-ministro. “[A reflexão de Passos] é sobretudo a expressão daquilo que é a essência do PSD: um partido confiável e que ao mesmo tempo nunca está satisfeito. Não vale a pena estarem a procurar uma polémica”, disse. O futuro dirá se estão ou não assim tão alinhados.

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