Por cada momento que adense a crise, Ruben Amorim aponta sempre para a próxima oportunidade. Apesar da grande campanha na Liga Europa, com passagens épicas em Old Trafford com a Real Sociedad e o Lyon, o Manchester United continua a saltar de desilusão em desilusão na Premier League, ocupando um modesto 15.º lugar com um ponto de vantagem em relação ao 17.º (West Ham). As críticas de quem se habituou com o tempo a ver os red devils a lutar pela vitória em todos os encontros de todas as provas sucedem-se e, depois de novo desaire com o Brentford, Roy Keane voltou a falar de “desempenhos vergonhosos na Liga”.

Não há bluff nem poker face, mas as cartas estão demasiado à mostra: United perde com o Brentford

“Quão maus eles são! Estão a dar-me cabo dos nervos! Querem continuar a dizer ‘Temos um grande jogo na próxima semana’ e nem se esforçam… Eu percebo que haja um grande jogo para eles mas simplesmente desvalorizam os jogos da Liga? São uma vergonha, uma absoluta vergonha. Esta equipa do United é incapaz de competir. Perderam 15 jogos na Liga, isto é uma vergonha! O United não consegue lidar com um jogo frente ao Brentford? Eles nem tentam vencer estes jogos”, lamentou o antigo médio e capitão da equipa de Manchester no podcast “Stick to Football” da Sky Sports, entre muitos reparos individuais e coletivos.

Para Amorim, foi mais do mesmo. Alheio ao que se diz de fora, o técnico explicou que tinha de fazer este tipo de rotação da equipa tendo em vista a segunda mão das meias da Liga Europa frente ao Athl. Bilbao, algo que nem mesmo a vantagem de 3-0 desarmou. “Queremos salvar jogadores. Estamos no fim da temporada, jogadores como o Mazraoui fizeram os jogos todos. Temos de poupar jogadores, caso contrário eles não vão aguentar. Depois, já não vamos à Europa pelo Campeonato, portanto, temos de tomar o risco”, explicara a seguir à derrota com o Brentford, numa ideia levada mais ao extremo na antecâmara de mais uma noite europeia. “Se olharmos para a Premier League, penso que somos a pior equipa em termos de resultados desde que cheguei. É essa a minha ideia. No final da temporada, podemos ser a pior equipa da história da Premier com um título europeu. Portanto, nada vai mudar. Sabemos que a época foi uma desilusão para toda a gente. Neste momento temos de pensar um bocadinho mais…”, atirou sobre o atual momento.

epa11870466 Manchester United manager Ruben Amorim reacts during the English Premier League match between Manchester United and Crystal Palace in Manchester, Britain, 02 February 2025.  EPA/ADAM VAUGHAN EDITORIAL USE ONLY. No use with unauthorized audio, video, data, fixture lists, club/league logos, 'live' services or NFTs. Online in-match use limited to 120 images, no video emulation. No use in betting, games or single club/league/player publications. ADAM VAUGHAN/EPA

Apesar da boa companha na Liga Europa, Manchester United continua em quebra na Premier, ocupando o 15.º lugar

Com ironia à mistura entre a análise à crua realidade, Ruben Amorim deixava nas entrelinhas a mensagem forte: com um plantel longe da realidade que todos querem no Manchester United, com um sem número de lesões que foram condicionando a adaptação aos novos métodos, a um sistema diferente e a uma ideia tática muito própria e com muitas críticas a si e aos jogadores no plano individual, conseguiu recolocar a formação inglesa numa final europeia e através da Liga Europa ainda pode chegar à Liga dos Campeões. A única possível alegria da temporada chegou com uma hora de exibição triste mas o génio de Mason Mount teve o condão de desbloquear a melhor versão dos red devils para um triunfo que deixou os adeptos em delírio e pode valer ao técnico português um troféu para muitos “impossível” depois da saída de Alvalade.

A primeira parte mostrou de forma clara aquilo que seria o encontro: Athl. Bilbao a jogar mais no risco, sem receio de pressionar alto e de quando em vez a ficar exposto às transições perante a necessidade de chegar o mais cedo possível ao golo, Manchester United sem problemas em jogar mais vezes sem bola do que costuma acontecer mas a tentar explorar os espaços que ficavam sobretudo nas laterais para sair rápido para a frente. Entre uma e outra realidade, imperou a dos bascos: Lindelöf ainda teve um desvio de cabeça na área ao lado (4′) mas pertenceram a Álex Berenguer e ao ex-bracarense Álvaro Djaló os melhores momentos ofensivos até ao golo de Mikel Jauregizar, num grande remate de fora da área que nasceu de um passe errado de Harry Maguire à saída do primeiro terço (30′). O intervalo chegaria mesmo com a vantagem dos visitantes, que viram Alejandro Garnacho falhar a melhor oportunidade dos 45 minutos iniciais após assistência de Dorgu.

Os ingleses teriam de fazer algo mais para evitar a pressão crescente de um Athl. Bilbao empurrado pelos milhares de fervorosos adeptos que se deslocaram a Old Trafford mas foram os espanhóis que continuaram por cima do encontro, sem que a batuta do inevitável Bruno Fernandes encontrasse jogadores na frente que pudessem criar os necessários desequilíbrios na defesa contrária. O que faltava? Poder de fogo. Desfalcado sobretudo do meio-campo para a frente, o conjunto basco tentou muito mas rematou pouco e bastou um momento de génio para fechar as contas, com Mason Mount a receber de calcanhar na área e a atirar em arco para o empate (72′). A resistência dos visitantes estava de vez esfumada e o Manchester United agarrava no comando da partida, chegando mesmo à vantagem por Casemiro na sequência de um livre lateral (79′) e fechando as contas de vez numa grande jogada de Amad Diallo concluída por Höjlund (85′). No entanto, a história não ficaria por aí e Mason Mount, em período de descontos, fechou o 4-1 final do encontro (90+1′).