Assumindo-se como o Renault mais caro da longa história da marca, o R5 Turbo 3E é comercializado entre nós por 155 mil euros, valor que não anda longe do que é exigido nos restantes países europeus. Isto implica propor um pequeno desportivo, com menos de 4 metros e apenas dois lugares, por mais 22,5% do um Tesla Model S Plaid de 5 metros com 1020 cv, pelo mesmo preço de um Porsche Taycan GTS com 700 cv, ou pelo dobro de um Hyundai Ioniq 5 N com 650 cv. O R5 Turbo 3E não é um carro de que se precise mas, à semelhança do seu antepassado, posiciona-se como um desportivo de referência, o que pressupõe ser divertido de conduzir (pilotar?), rápido e eficiente, atributos a que alia a capacidade de recarregar as baterias rapidamente.

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O novo R5 Turbo 3E é um descendente directo do R5 Turbo a gasolina com que Ragnoti venceu ralis do Campeonato do Mundo como o Monte Carlo em 1981, a Córsega em 1982 e 1985, e que Joaquim Moutinho utilizou para vencer o fatídico Rali de Portugal de 1986. O R5 Turbo era um desportivo impressionante na sua época, pequeno e largo, com motor central e tracção traseira, o que o tornava extremamente eficiente e ágil, além de leve e potente. Um carro de ralis difícil de bater, pelo menos em asfalto, seco ou molhado. E o novo R5 Turbo 3E, 100% eléctrico, alinha pela mesma bitola.

Renault 5 Turbo 3E (com 540 cv) assume-se como o “brinquedo” mais apetecido

A Renault avançou de início com uma produção de 1980 unidades para o R5 Turbo 3E eléctrico, sendo que a surpresa surgiu logo a seguir, quando o construtor francês anunciou que, em apenas uma semana, tinha recebido 850 encomendas. Mas estas estão longe de ser baratas ou fáceis de colocar.

Para encomendar um R5 Turbo 3E, a Renault obriga a um depósito não reembolsável de 50.000€, o que significa que o construtor gaulês já tem do seu lado mais de 42 milhões de euros, ainda antes de entregar a primeira unidade. Os fundos que reuniu com as encomendas servirão para cobrir os custos de desenvolvimento do desportivo, que além dos 540 cv e uma bateria com 70 kWh, associada a um sistema de 800V, promete uma autonomia de 400 km. A Renault compensa este “curto” alcance com uma maior rapidez no carregamento, já que em corrente contínua o R5 Turbo 3E aceita até 350 kW de potência, o que lhe permite ir de 15% a 80% em apenas 15 minutos.