Eleito Papa na quinta-feira, dia 8, o destino de Robert Prevost poderia ter sido outro se não fosse o aconselhamento do pai, o educador e catequista Louis Marius Prevost. Numa entrevista à italiana RAI quando ainda era cardeal, o agora Papa Leão XIV assumiu que teve dúvidas na juventude, e pensou em deixar o sacerdócio, casar-se e ter filhos.

Nascido a 14 de setembro de 1955 em Chicago, nos Estados Unidos da América, Prevost cresceu numa família de imigrantes franceses e espanhóis. “A minha vocação nasceu numa família muito católica e envolvida na paróquia”, conta o então cardeal. “Vi a dedicação dos meus pais e dos padres da diocese, o que inspirou em mim o desejo de tornar-me padre”. Depois, conheceu jovens agostinianos e, depois da universidade, decidiu entrar no seminário. Anos mais tarde, consciente da “importância da vida comunitária”, foi para o Peru após estudar Direito Canónico em Roma e teve os seus primeiros anos de experiência como missionário.

Prevost recordou a família muito unida e assume que o pai desempenhou um papel importante na sua formação, sendo peça-chave em alguns “momentos de discernimento muito importantes como homem jovem”. “Lembro-me de falar com o meu pai, que era para mim como um guia espiritual, de coisas muito concretas. Dúvidas que podem surgir quando um jovem pensa: ‘Se calhar deixo esta vida, caso-me e tenho filhos?’ Uma vida, digamos, normal, conforme àquela que vi na minha própria família. Momentos de escolha, discernimento, que eram muito importantes como jovem.”

O Papa conta ainda o conteúdo das conversas com o pai, que lhe falava sobre a relação com a mãe, Mildred Agnes Martinez. “Falava, com a sua experiência, do quanto a intimidade entre ele a minha mãe era importante. Mas também, numa vida em que a vocação é o sacerdócio, da importância de se ter uma proximidade com Cristo.”

Na entrevista, o então cardeal conta que depois de “breves períodos de discernimento e também ao conhecer jovens homens augustinianos, disse a mim mesmo: ‘ok, vou ao seminário e vamos ver’. De facto, entrei no seminário para menores aos 14 anos, e a história continuou a progredir”. Prevost entrou no noviciado da Ordem de Santo Agostinho em 1977, tendo feito votos solenes em 29 de agosto de 1981. Foi ordenado padre em 19 de junho de 1982 e trabalhou na missão de Chulucanas, Piúra, no Peru, entre 1985 e 1986. A esta altura, já tinha as dúvidas resolvidas, já que seguiu a vida no sacerdócio. Foi ordenado cardeal pelo Papa Francisco em 2023 e era, até a última quinta-feira, Arcebispo-Bispo Emérito de Chiclayo, no Peru.