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O presidente do Chega criticou esta quinta-feira o silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre a crise da habitação e os protestos dos últimos dias e considerou que pode ser “um rastilho” para o escalar da contestação.

“Mas onde é que anda o primeiro-ministro? Nós não sabemos do primeiro-ministro há dias”, questionou André Ventura, numa intervenção num almoço do International Club of Portugal, num hotel em Lisboa.

O presidente do Chega criticou Luís Montenegro, sustentando que “para ir à bola aparece, para resolver questões de habitação não aparece”.

“Acho isso francamente um rastilho para o problema. Portanto, não acho que seja só a imprensa, acho que todos temos aqui a nossa responsabilidade em garantir que isto não escala e que temos soluções para apresentar”, defendeu.

A última vez que o primeiro-ministro abordou o tema da habitação e os protestos que têm saído à rua foi na sexta-feira, em Bruxelas.

André Ventura referiu que se fosse primeiro-ministro já tinha “falado ao país”, admitindo que “há um problema de habitação”, e apresentado soluções para a sua resolução.

Questionado por um participante se poderão acontecer em Portugal distúrbios semelhantes ao que se tem verificado em França, o líder do Chega começou por afirmar que aquele país “tem um historial de manifestações violentas”, o que não tem acontecido cá, mas não considerou que é uma possibilidade.

“França tem um salário amplamente mais elevado do que o nosso, proporcionalmente, o acesso à habitação em França é muito mais fácil do que o acesso à habitação em Portugal, proporcionalmente, a carga fiscal sobre o rendimento e o esforço que as famílias fazem para ter bens essenciais em França é muito menor do que o nosso em Portugal. Se lá está assim nestes termos, imaginem o que pode acontecer aqui se ninguém fizer nada”, avisou.

Na sequência, o presidente do Chega deixou um apelo ao Governo para não pensar “que há aqui uma espécie de país manso que vão poder sempre controlar”.

Ventura, que tem defendido a demissão do ministro da Administração Interna, considerou que Luís Neves “ainda perdeu mais a face” porque “disse ‘não vão haver mais acampadas’ e ontem voltaram a existir”.

Depois de no fim de semana ter anunciado um “pacote legislativo de emergência” para a habitação, o líder do Chega defendeu esta quinta-feira que uma das soluções passa por criar mais “confiança no mercado”.

“Nós temos que ter quem investe e quem cria casas a ter confiança para as colocar no mercado, quem arrenda a ter confiança em arrendar, e uma justiça que funcione, porque se continuarmos a ter processos que demoram oito anos, 10 anos, 15 anos até estarem resolvidos, nós não temos nenhuma confiança no mercado”, sustentou.

Numa sala repleta de empresários e diplomatas, Ventura recusou que os vistos gold contribuam para o problema da habitação e acusou os partidos à esquerda de quererem “catalogar inimigos, porque esses inimigos são facilmente identificáveis e porque sabem que em Portugal não há uma mentalidade de investimento e de mercado e portanto é fácil criar a ideia de que não há habitação porque uns cinco ou seis ou sete privilegiados têm uma série de fundos de privilégio habitacional”.

O presidente do Chega voltou a relacionar os problemas na habitação com a imigração e acrescentou que o “problema em Portugal não é ter ricos a mais, o problema é ter pobres a mais”.

“É esta a lógica da esquerda, o Estado constrói e tira aos privados o que têm. A nossa lógica tem que ser o Estado preserva a liberdade de propriedade, incentiva a que se coloquem casas no mercado de arrendamento, incentiva, não obriga, incentiva, protege a propriedade das pessoas e cria um mercado de tal forma dinâmico, como acontece noutros países, que haja rendas acessíveis para as pessoas”, afirmou.

[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]