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Siwar Ashour tem seis meses. Nasceu com apenas 2,5 quilos num quarto sobrelotado nas ruínas do prédio da casa da avó na Faixa de Gaza, que tinha sido bombardeado pelas forças israelitas. A sua foto, divulgada numa reportagem da BBC, reflete a situação de fome que se vive em Gaza, mostrando uma bebé fraca e extremamente magra.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Siwar tem um problema médico no esófago que dificulta a amamentação e a obriga a ter tomar uma fórmula de leite em pó específica para se alimentar. Porém, este tipo de alimentação é cada vez mais raro, num enclave que foi totalmente fechado por Israel à entrada da ajuda humanitária desde o início de março deste ano.

A mãe da bebé, Najwa Aram, de 23 anos, relatou ao jornal que a condição física da filha piorou nos últimos meses, apesar do baixo peso de nascença.

“Ela era bonita, apesar da fraqueza visível nas suas feições. Mas agora está anormalmente magra. É suposto os bebés da idade dela pesarem seis quilos ou mais, não apenas dois a quatro quilos”, contou Najwa, tendo dito ainda que, apesar de também estar a sofrer com os efeitos da fome, ainda tenta amamentar a filha.

“Mas ela recusa-se e continua a chorar, rejeitando-me completamente”, acrescentou a mãe, tendo revelado também que, por não conseguir amamentar, é obrigada a gastar mais leite em pó, um recurso cada vez mais escasso.

“Quando costumava amamentá-la, uma lata de leite em pó durava um mês. Agora esgota-se em menos de uma semana”, lembrou ainda.

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Para a criança, o melhor momento foi quando esteve internada num hospital em Deir-el-Balah, mais a sul da Faixa. Lá, contou a mãe, a filha conseguiu receber a alimentação devida durante o mês de março.

“Reparei que a Siwar começou a sorrir e a brincar, o que me deixou feliz e me deu esperança de que a sua saúde pudesse melhorar”, lembrou. Porém, quando ambas tiveram alta, a situação tornou-se mais complicada.

Najwa e a mãe — avó de Siwar — estão elas próprias a ficar sem comida, segundo o The Guardian, vivendo apenas com algumas latas e um saco de farinha e sem saber se conseguirão comprar mais mantimentos depois.

Em Gaza, um saco de 25 quilos de farinha custa entre 211 e 468 euros, afirmaram as Nações Unidas esta segunda-feira num comunicado publicado no site.

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O índice de classificação de situações de fome IPC (sigla para Integrated Food Security Phase Classification, Classificação Integrada da Fase da Segurança Alimentar, em português) — usado por organizações internacionais e governos para coordenar respostas internacionais — deixou esta segunda-feira mais um aviso sobre a a situação alimentar crítica vivida no enclave. Meio milhão de pessoas enfrentam a fome. na Faixa de Gaza, onde os “bens indispensáveis à sobrevivência da população estão esgotados ou deverão esgotar-se nas próximas semanas”.

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A falta de alimentos apropriados que causou uma perda de peso para Siwar, levou a que mãe e filha voltassem a ser internadas, agora no hospital de Nasser, na cidade do sul de Khan Younis.

À BBC, o médico de Ziad al-Majaida, disse que a bebé, desde que foi internada novamente, tem sofrido de diarreia constante, enfraquecendo-a ainda mais. “Se ela ficar assim, a sua vida estará em perigo, mas se lhe for fornecido leite ou tratamento, então o seu estado melhorará”, afirmou.

“A situação no hospital é má. Há seis doentes em cada quarto. Para onde quer que se olhe, há sofrimento. Há uma criança em pior estado do que Siwar”, relatou Najwa sobre o dia-a-dia no hospital Nasser.

O diretor da unidade de saúde, Ahmed al-Farah, revelou que têm visto “casos graves” de desnutrição em crianças, que aparecem “de uma forma horrível e extremamente visível”.

“Não temos nada para lhes oferecer. Elas precisam de proteínas, mas não há nada. Tentamos dar um pouco de leite, talvez leite em pó, mas não podemos oferecer mais nada”, acrescentou o diretor, lembrando ainda que este e todos os hospitais de Gaza estão sobrelotados.

A mãe Najwa, ao The Guardian, confessou que o estado de saúde da sua filha está a deixá-la “ansiosa” e “com insónias”.

“Por vezes, não suporto vê-la assim e começo a chorar. Tenho tanto medo de a perder. Será que o mundo não pode abrir as passagens para deixar entrar leite, comida e medicamentos? Tudo o que eu quero é que a minha filha Siwar viva como as outras crianças do mundo”, disse ainda.