O Presidente angolano manifestou nesta sexta-feira satisfação pelo fim do conflito pós-eleitoral em Moçambique, fazendo votos que “essa nuvem negra” tenha passado e que o país possa dedicar todas as atenções e energias ao desenvolvimento económico do país. Em resposta, o Presidente moçambicano agradeceu ao seu homólogo e “irmão” o apoio de Angola na altura em que concorreu à presidência, no ano passado, realçando que sentiu o “calor”, “amizade” e apoio dos angolanos a todos os níveis.
João Lourenço, que falava à imprensa, juntamente com Daniel Chapo, no final da cerimónia de assinatura de cinco acordos entre os dois países, disse que um Comité Técnico deverá acompanhar a implementação desses instrumentos jurídicos assinados nesta sexta-feira, nas áreas dos transportes, cultura, ação social e turismo.
“Vamos procurar tirar do papel os entendimentos a que chegámos e torná-los realidade. Precisamos de facto de avançar, progredir, com a concretização dos entendimentos a que os dois países chegaram”, referiu.
O chefe de Estado angolano aceitou o convite do seu homólogo moçambicano para uma visita oficial àquele país, com data a negociar entre as diplomacias de ambos os Estados.
Num discurso em que destacou essencialmente a irmandade entre os dois países, João Lourenço lembrou os momentos difíceis que Angola e Moçambique enfrentaram, desde a luta pela independência aos vários conflitos armados.
“Temos em comum o facto de ambos termos pegado em armas para resgatar a dignidade dos nossos dois povos”, frisou o chefe de Estado angolano, sublinhando que os dois países comemoram 50 anos de independência no ano em curso e apelando a uma “festa conjunta”, por mérito, já que “custou muito suor e sangue dos melhores filhos quer de Moçambique quer de Angola”.
Depois de um período longo, prosseguiu o Presidente angolano, em que os “inimigos derrotados”, em 1975, mobilizaram-se para criar instabilidade nos dois países, foi alcançado o período de paz definitiva, “que felizmente dura já há 23 anos”.
“A nossa luta comum de hoje é a luta do desenvolvimento económico e social, para que as nossas populações beneficiem do potencial de riqueza que os nossos países têm”, disse João Lourenço, numa declaração à imprensa, depois da cerimónia de assinatura dos cinco instrumentos jurídicos.
Segundo João Lourenço, a luta conjunta de desenvolvimento de Angola e Moçambique tem ainda “muitos passos a dar” até os dois países “se sentirem realizados, satisfeitos”.
O chefe de Estado angolano lembrou que Moçambique, “infelizmente”, tem encontrado alguma dificuldade no seu desenvolvimento económico e social, por força do terrorismo que se instalou na província de Cabo Delgado, e manifestou a solidariedade dos países “irmãos” e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês).
“Mais recentemente, Moçambique conheceu também um período pós-eleitoral de alguma forma conturbado. Igualmente, os mesmos irmãos de sempre também se solidarizaram com Moçambique e fazemos votos de que essa nuvem negra terá passado e que daqui para frente Moçambique possa dedicar todas as suas atenções e energias apenas àquilo que é fundamental, que é tratar do desenvolvimento económico do país“, vincou.
Moçambique agradece calor, amizade e apoio de “irmãos” de Angola
Daniel Chapo, que chegou nesta sexta-feira a Luanda, declarou ser “uma honra” realizar esta visita aos “irmãos do Atlântico” após as eleições de outubro de 2024, salientando que esta se insere no âmbito do estreitamento das relações de amizade e cooperação entre os dois países “que vêm de antes da independência”.
Realçando que os dois povos são “irmãos” também na luta pelas independências que alcançaram no mesmo ano (1975), Chapo salientou que o 50.º aniversário da independência, que se comemora este ano, é também altura para uma avaliação das relações de cooperação e amizade nestes 50 anos e para renovar essa amizade e cooperação.
“Nós não devíamos ficar indiferentes, depois do período de tomada de posse, não responder positivamente ao convite, para virmos agradecer ao povo angolano e também aproveitar esta ocasião para, mais uma vez, dizer que temos sentido este apoio em várias vertentes. Na vertente política, social, económica, mas também ao nível das Forças de Defesa e Segurança”, assinalou Daniel Chapo.
Referindo-se ao problema do terrorismo que continua a afetar a província de Cabo Delgado (norte de Moçambique), Chapo afirmou que o país tem recebido apoio das organizações da região, como a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), mas também nas questões relacionadas com transportes e logística e no âmbito dos acordos bilaterais entre os dois países.
“Sentimos também que, para além da cooperação política, que é excelente, em termos sociais entre os nossos dois povos também há uma relação extraordinária. Achámos que era importante vir a Angola para reforçar cada vez mais as nossas relações económicas, porque, como disse muito bem, hoje em dia o grande objetivo que nós temos como países, Moçambique e Angola, é criarmos melhores condições de vida para as nossas populações”, disse Chapo a João Lourenço, afirmando que “não há melhor coisa do que dois povos irmãos trabalharem juntos, para crescerem juntos e desenvolverem juntos”.
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, iniciou nesta sexta-feira uma visita de dois dias a Angola para reforçar as relações bilaterais e identificar oportunidades de investimentos e cooperação económica.
Além do encontro com João Lourenço, fazem parte do programa de Daniel Chapo uma deslocação à Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE), para identificar “oportunidades de investimentos e negócios a desenvolver em Angola”, e a participação num jantar em sua honra promovido pela Associação Angolana de Bancos (ABANC).