Acompanhe o nosso artigo em direto sobre o acidente ferroviário em Espanha

O número de mortos na sequência da colisão entre os dois comboios de alta velocidade na província espanhola de Toledo subiu para 69, segundo o mais recente balanço das autoridades, citado pelo El País. Entre as vítimas mortais estão a antiga ministra do Trabalho Fátima Báñez, a atleta de salto em comprimento Julieta Gallego, de 24 anos, e o maquinista do AVE da Renfe, Antonio Acedo Meneses, de 36 anos.

Continuam hospitalizadas cerca de 50 pessoas, enquanto as autoridades espanholas receberam 64 participações de desaparecimento relacionadas com o acidente. A identificação das vítimas prossegue.

Fátima Báñez, antiga ministra do Trabalho durante os governos de Mariano Rajoy, entre 2011 e 2018, foi formalmente identificada esta quinta-feira. A economista seguia para Sevilha, onde ia participar no Dia da Empresa, uma iniciativa organizada pela Confederação de Empresários da Andaluzia. Depois do acidente, tinha sido dada como desaparecida.

Durante o mandato, Báñez esteve ligada à reforma laboral de 2012. Depois de abandonar a política, passou a desempenhar funções no setor empresarial e presidia à Fundação CEOE (Confederação Espanhola de Organizações Empresariais).

Outra das vítimas confirmadas é Julieta Gallego, atleta de 24 anos especializada em salto em comprimento. A morte foi anunciada esta quinta-feira pela Real Federação Espanhola de Atletismo (RFEA) e pelo clube AD Sprint, que a representava.

Considerada uma promessa da modalidade, Gallego alcançou uma marca de 5,90 metros no campeonato espanhol de atletismo de sub-23, em 2023. “A família do atletismo espanhol une-se à dor pelo falecimento de Julieta Gallego, atleta do AD Sprint, no acidente ferroviário ocorrido em Urda (Toledo)”, escreveu a federação nas redes sociais, deixando condolências à família e ao clube.

Também o AD Sprint lamentou a morte da atleta, manifestando os “mais sinceros sentimentos à sua família, amigos, companheiros e a todas as pessoas que a estimavam”.

Antonio Acedo Meneses, de 36 anos, maquinista do comboio de alta velocidade da Renfe que seguia em direção a Sevilha, está também entre os mortos. O profissional, que tinha uma paixão pela fotografia, cresceu rodeado de comboios e fez do caminho de ferro a sua profissão.

Filho e neto de ferroviários, fotógrafo e militante: o maquinista que morreu no acidente de Toledo

Entre os passageiros envolvidos no acidente estavam também cidadãos estrangeiros. Pelo menos um português seguia a bordo do comboio da Renfe: Thomas Freitas, de 25 anos, natural de Guimarães e residente em Madrid, onde trabalha. Em declarações à CNN Portugal, descreveu momentos de pânico dentro da carruagem onde viajava. “Não sei como me consegui segurar. Sei que fiz muita força agarrado ao banco da frente. À minha volta só vi pessoas a voar e tudo a partir-se”, contou, descrevendo como um “milagre” o facto de ter sobrevivido.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, confirmou esta quinta-feira que há um cidadão português dado como desaparecido na sequência do acidente ferroviário, mas ressalvou que ainda não é possível determinar se a pessoa seguia num dos comboios envolvidos ou qual é o seu estado.

“Temos um reporte de um cidadão português desaparecido. Não sabemos se estava neste comboio, se está bem ou se não consegue contactar”, afirmou o ministro aos jornalistas no Parlamento.

Rangel alertou ainda que a existência de um desaparecido não exclui a possibilidade de surgirem posteriormente informações sobre outros cidadãos portugueses feridos ou mortos. Sublinhou, contudo, que a prioridade deve ser o socorro às vítimas e o acompanhamento dos feridos.

As autoridades continuam a recolher informações sobre os passageiros. Entre os cidadãos estrangeiros envolvidos encontram-se ainda mexicanos, chineses, japoneses, filipinos e sul-coreanos.