A Aston Martin não pára de reforçar a sua gama, onde abundam os coupés com dois ou quatro lugares, com e sem capota, com o destaque a ir para os superdesportivos Valkyrie e Valhalla. Mas o único modelo da marca britânica capaz de passar alegremente pela barreira dos 300 km/h e, ainda assim, conseguir acomodar uma família e as suas necessidades em termos de bagagens, continua a ser o DBX, um SUV espaçoso apesar das suas formas perseguirem um maior dinamismo com recurso à grande inclinação do pilar posterior, o que converte o modelo num SUV coupé.

A versão do DBX colocada à nossa disposição foi a mais recente e potente actualmente proposta pelo construtor, uma vez que o futuro DBX S, com 727 cv, só chegará ao mercado no final de 2025. A carroçaria apresentava-se revestida num elegante Ion Blue, pintura tão bela quanto dispendiosa, já que é proposta por 10.635€. Ainda assim, uma gota de água nos mais de 79 mil euros que o SUV inclui apenas de extras, o que ajuda a atirar o preço final para uns respeitáveis 442.615€. Mas este SUV superdesportivo também cumpre, de certa forma, uma função social, uma vez que contribui directamente para os cofres do Estado com 133.688€ e isto contabilizando somente o ISV e o IVA.

Denominado DBX 707, por ser esta a potência debitada pelo motor 4.0 V8 biturbo a que esta versão recorre, é natural que tenhamos ficado impressionados pela capacidade de aceleração demonstrada, sendo curioso recordar que, quando chegou ao mercado em meados de 2020, o DBX propunha uma versão com 550 cv desta mesma unidade motriz que já nos convenceu, apesar de contar com menos 28% de potência.

Atenção aos superdesportivos!

Se os mais de cinco metros de comprimento (5,039 m para sermos precisos) e os 2320 kg de peso o impressionam, não pense que o DBX 707 é mais um SUV pesadão incapaz de satisfazer quem pretende divertir-se ao volante, tanto em matéria de capacidade de aceleração e velocidade, como em termos de agilidade de comportamento. Os 707 cv e os 900 Nm de força empurram o SUV até aos 310 km/h, com a barreira dos 100 km/h a ficar para trás ao fim de apenas 3,3 segundos. Ora isto equivale a um “arranque-canhão”, compatível com superdesportivos, deixando para trás modelos como os Porsche 911 Carrera (294 km/h e 4,1 segundos), Carrera T (298 e 4,5) e Carrera S (308 e 3,5).

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Face aos SUV mais rápidos do mercado, o DBX 707 fica ao nível do Ferrari Purosangue (também ele a anunciar 3,3 segundos de 0-100 km/h) e do Lamborghini Urus, que na versão mais potente, a SE, reivindica 312 km/h e 3,4 segundos de 0-100 km/h. De caminho, o SUV coupé da Aston Martin deixa para trás as propostas das marcas alemãs de luxo, nomeadamente Audi (Q8 RS, com 280 km/h e 3,9 segundos), BMW (X6 M Competition com 250 km/h e 3,9 segundos) e Mercedes (GLE 63 S, com 280 km/h e 3,9 segundos).

Requinte mas sem abdicar da eficiência

Um olhar mais atento permite distinguir o DBX 707 dos restantes DBX, e o truque é concentrar-se no pára-choques frontal e na grelha, que são distintos. Isto para além das jantes de 22” e desenho específico, sendo que a pedido do cliente — e mediante um custo adicional — podem ser promovidas a 23”. Mas há mais diferenças que permitem ter a certeza que estamos a bordo do DBX 707, a começar pelos bancos mais desportivos e mais envolventes e uns comandos no tablier e volante que asseguram um controlo mais eficaz e funcional das diversas funções relativas aos modos de condução. Admitimos o ganho em eficiência, bem como a funcionalidade.

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Já mencionámos que o DBX 707 é o modelo familiar da Aston Martin e, efectivamente, o SUV britânico oferece um habitáculo com cinco lugares, embora optimizado para quatro adultos. Isto porque, em termos de espaço, o assento posterior foi concebido para poder alojar três ocupantes, mas nitidamente a favorecer dois, aos quais concede um maior suporte e envolvimento do corpo, tipo banco de competição, enquanto a distância para as pernas de quem se senta atrás se mantém nuns generosos 80 cm. A mala oferece o volume normal para esta classe de veículos, sendo possível baixar a altura ao solo para facilitar a colocação na bagageira de objectos mais pesados. Simultaneamente, o 707 é revestido a peles de primeira qualidade, agradáveis ao toque e à vista, o que contribui para a sensação de luxo a bordo.

Mas onde o DBX 707 verdadeiramente nos surpreendeu foi na sua capacidade de se transfigurar. Por definição, um SUV coupé é um modelo naturalmente volumoso e pesado, mas este consegue se comportar como um desportivo rápido e eficiente, a ponto de até fazer esquecer as suas reais dimensões e peso. É certo que o motor 4.0 V8 biturbo de origem Mercedes-AMG impressiona pela potência e satisfaz pelo roncar que emite. Além da potência adicional, o motor do 707 — que usa turbocompressores de maiores dimensões destinados a extrair mais potência da unidade motriz sobrealimentada —, associado a um sistema de escape desenhado para provocar uma menor pressão e, por tabela, mais ruído, está acoplado a uma caixa automática de nove velocidades, mas onde foram introduzidas modificações para a tornar mais rápida a “subir” e mais dinâmica a “descer”. E isso nota-se quando se está ao volante, reforçando o prazer de condução.

Fabricado no Reino Unido, em St. Athan, Gales, o DBX 707 monta uma suspensão independente às quatro rodas, com braços em alumínio para reduzir o peso, e um sistema pneumático a substituir as tradicionais molas para melhorar o conforto, por um lado, e a condução desportiva em estrada, por outro. Entre outras virtudes, é possível elevar a altura ao solo em 4,5 cm, que nos permitiu circular em mau piso sem roçar por baixo, sendo que, de seguida, garante uma redução da altura ao solo em 5,0 cm, para baixar o centro de gravidade e melhorar a agilidade em andamento rápido em asfalto. Além de, nesta situação, o amortecimento se tornar mais “duro”, com as barras estabilizadoras activas a poderem limitar o adornar da carroçaria, ou a facultar um maior curso de suspensão, ideal no TT, com grandes cruzamentos de eixos para facilitar a tracção em situações extremas.

Decididamente, o Aston Martin DBX 707 não figura entre os SUV mais acessíveis do mercado, mas no exigente segmento onde se move, a quem os condutores exigem simultaneamente luxo e a capacidade de se assumir como um superdesportivo com espaço para a família (e respectivas malas), não é fácil encontrar encontrar melhor.