Os prejuízos da TAP aumentaram 20% no primeiros primeiros três meses do ano, fixando-se em 108,2 milhões de euros, num “trimestre desafiante” para a companhia atribuído a eventos extraordinários e a uma maior concorrência nos principais mercados.
Em comunicado ao mercado, a transportadora diz que a performance “foi significativamente impactada pela greve dos pilotos da PGA (Portugália), que se prolongou durante 20 dias.” As receitas caíram 4,5% para 823,4 milhões de euros, refletindo o impacto de eventos extraordinários. Entre esses eventos conta-se também o efeito da deslocação para a Páscoa, período de maior procura, para o segundo semestre, o que penaliza a comparação com os indicadores do primeiro trimestre de 2024.
Os primeiros três meses do ano são tradicionalmente negativos no transporte aéreo devido a uma menor procura.
A TAP estima que a greve e o efeito Páscoa tenham “tido um impacto financeiro nos resultados operacionais entre 30 e 40 milhões de euros”. A paralisação dos pilotos da PGA, companhia que foi adquirida pela TAP à antiga TAP SGPS, obrigou a empresa reforçar as provisões e imparidades em 9,6 milhões de euros compensar os clientes afetados por esta paralisação.
Outro fator que afetou os resultados foi a redução das receitas no segmento de passageiros, o que a TAP atribui a uma estabilização da capacidade e a um aumento da concorrência nos principais mercados, pressionando a receita por passageiro. O Brasil foi o destino onde este fator mais pesou, fruto de um desequilíbrio entre o aumento da oferta da TAP — 2% — e o aumento maior da oferta dos concorrentes — 18%, o que terá resultado numa perda de 25 milhões de euros na receita voada.
Já o mercado norte-americano manteve um “desempenho positivo no mercado, sustentado pelo aumento da receita unitária e do load factor, apesar do contexto macroeconómico desafiante”.
Também se verificou uma quebra da receita não voada, devido ao ajustamentos realizados no segmento do programa de fidelização no final do ano passado, estimada em 15 milhões de euros.
O resultado operacional (EBIT) recorrente fixou-se em 119,2 milhões de euros negativos, diminuindo 58,9 milhões de euros face ao primeiro trimestre do ano passado. Considerando efeitos extraordinários, o EBIT foi negativo em 131,6 milhões de euros. A margem bruta (EBITDA) recorrente caiu 54,1 milhões de euros face ao primeiro trimestre de 2024 para os 2,9 milhões de euros.
Na mensagem que acompanha os resultados, o presidente da TAP, Luís Rodrigues, destaca ainda “disrupções operacionais, como eventos meteorológicos adversos, greves e constrangimentos nos aeroportos e no espaço aéreo europeu, impactaram de forma significativa a performance financeira e operacional do trimestre”. Sem deixar de destacar a performance positiva nos Estados Unidos, Luís Rodrigues considera que “2025 começou com um trimestre desafiante, marcado pela greve dos pilotos da Portugália e pela deslocação da Páscoa”.
Não obstante sinalizar que os desafios se vão manter — nomeadamente a pressão concorrencial, as disrupções operacionais e a incerteza macroeconómica — defende também que os “progressos alcançados nos últimos anos sustentam uma TAP mais resiliente e preparada para o futuro”.
No comunicado sobre os resultados, a TAP indica que as reservas se encontram em linha com o ano anterior, “mostrando uma recuperação assinalável desde o início do ano, devendo compensar a pressão sobre as receitas unitárias face ao aumento estimado da capacidade.”
A transportadora “mantém o foco estratégico inalterado: “Reforçar a rede e consolidar sobre a mesma uma companhia financeiramente sustentável com uma operação consistente e eficiente.”
No primeiro trimestre, a TAP transportou 3,5 milhões de passageiros, o que corresponde a uma diminuição de 0,6% face ao primeiro trimestre de 2024. O número de voos operados caiu 0,5%. A capacidade encolheu 0,4% e o load factor (taxa de ocupação) atingiu 78,8%, uma diminuição de 0,6 pontos percentuais face ao período homólogo.