A Universidade de Harvard processou esta sexta-feira a administração Trump, devido à decisão de revogar a autorização da instituição para receber alunos estrangeiros. De acordo com a escola de elite, o Presidente norte-americano violou a Constituição.

A prestigiada universidade norte-americana pediu a um juiz do Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Massachusetts para bloquear a ordem da administração de Donald Trump. A ação judicial considerou a revogação uma “violação flagrante” da Constituição, tratando-se do “último ato do governo em clara retaliação por Harvard ter exercido os seus direitos da Primeira Emenda [da Constituição] para rejeitar as exigências do governo de controlar a administração de Harvard, o seu currículo e a ideologia dos professores e estudantes” — pode ler-se na denúncia, citada pela CNBC.

Ainda nesta sexta-feira, a pedido da universidade, uma juíza federal de Boston agiu rapidamente para bloquear a ordem do governo. Allison D. Burroughs emitiu uma ordem de restrição temporária que impede que a Casa Branca retire a certificação de Harvard no Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio, segundo escreve o The New York Times.

Em causa está a proibição do Departamento de Segurança Interna dos EUA de matricular futuros alunos internacionais. Também os atuais alunos estrangeiros matriculados estão impedidos de continuar os estudos na instituição, correndo o risco de perder o estatuto legal nos Estados Unidos.

A proibição afeta cerca de sete mil pessoas, sendo que a certificação de Harvard “é essencial para que cada um dos milhares de estudantes internacionais da universidade permaneça legalmente neste país enquanto completam os cursos, obtêm diplomas e continuam a investigação crítica”.

“Com um golpe de caneta, o governo procurou eliminar um quarto do corpo estudantil de Harvard, estudantes internacionais que contribuem significativamente para a universidade e para a sua missão”, lê-se no processo.

A decisão da Casa Branca surge como mais um esforço para pressionar a escola de elite a alinhar-se com a agenda do Presidente dos Estados Unidos. Até agora, a universidade recusou-se a compactuar com as exigências políticas de Donald Trump.

Atualizado às 17h38 com a informação de que juíza federal conseguiu bloquear ordem da administração Trump.