O casal de espiões russos proveniente do Brasil, que o jornal The New York Times revelou na última semana fazer parte de uma ‘central de espionagem’, teve uma casa arrendada na zona do Bonfim, na cidade do Porto, depois de deixar solo brasileiro.
O jornal Expresso conta esta terça-feira mais detalhes da história de Manuel Francisco Steinbruck Pereira e Adriana Carolina Costa Silva Pereira, que, na verdade, se chamavam Vladimir Aleksandrovich Danilov e Yekaterina Leonidovna Danilova. O casal deixou o Rio de Janeiro em 2018 para rumar a Portugal, onde o objetivo era estabelecer uma vida aparentemente legal e integrada na sociedade, enquanto agia ilegalmente para a obtenção de informações sensíveis, com vista à sua partilha com os serviços secretos russos.
Foi só entre 2021 e 2022 que o Serviço de Informações e Segurança (SIS) os detetou, quando já tinham uma casa arrendada no Bonfim e viajavam com frequência até ao Porto, mas “ainda não tinham montado qualquer atividade” em Portugal. “Nessa altura, o objetivo era construir uma vida, mas como a operação foi desmontada logo no início, eles nunca chegaram a ter atividade”, referiu uma fonte ligada a este caso.
Vladimir — ou Manuel Pereira — terá conseguido arranjar a nacionalidade portuguesa, pois a certidão de nascimento brasileira indicava que era filho de pai português, permitindo-lhe o pedido de passaporte nacional. Depois, foi a vez de Yekaterina — ou Adriana Pereira — obter uma autorização de residência.
Uma fonte do SIS relatou ao jornal que foi transmitido “às entidades nacionais competentes as informações necessárias, nomeadamente para o cancelamento da documentação nacional”, tendo o Instituto dos Registos e Notariado (IRN) agido rapidamente para cancelar os documentos do casal. Os dois espiões russos terão conseguido sair para a Rússia.
Além de Portugal, houve outros países a colaborar com a investigação da Polícia Federal brasileira para desmontar a rede de espionagem, nomeadamente a partilha de informações entre as ‘secretas’ de Estados Unidos, Israel, Países Baixos ou Uruguai, entre outros. A investigação do New York Times desvendou um esquema russo de utilização do Brasil como ‘plataforma’ para a formação destes indivíduos.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]