A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) denuncia o “trabalho acrescido” dos agentes afetos à Unidade de Estrangeiros e Fronteiras, que controlam milhares de passageiros nos aeroportos portugueses. Face à enchente de turistas, muitos polícias veem-se obrigados a trabalhar mais horas e durante as folgas, o que tem provocado desmaios e “burnouts”, escreve a associação num comunicado enviado às redações.

O aviso, assinado pela direção da ASPP/PSP, surge a poucas semanas do início do verão, quando se começará a verificar uma maior enchente de passageiros nos principais aeroportos de Portugal. “Tendo em conta o exposto e perspetivando o que se apresenta em breve, [a associação] apelou à DN/PSP [Direção Nacional da PSP] para encetar as diligências tidas por necessárias para ultrapassar estes obstáculos e mitigar os danos junto dos cidadãos, mas principalmente junto dos profissionais da PSP”, descrevem.

Desde a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), a PSP passou a ter as competências de vigiar, fiscalizar e controlar as fronteiras aeroportuárias, mas fê-lo, segundo a associação, “sem qualquer reconhecimento do ponto de vista remuneratório e das condições de trabalho”. À rádio Observador, Carlos Oliveira, dirigente sindical da ASPP/PSP, reiterou que o “novo sistema de segurança” foi “implementado sem falar com a PSP”.

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À rádio Observador, Carlos Oliveira acrescentou que os “polícias estão completamente exaustos porque veem à sua frente milhares de passageiros e não conseguem dar solução”, o que leva a que tenham que “prolongar o horário de trabalho” e acabam por “perder o direito à folga” ou, nalguns casos, desmaiam no aeroporto e têm que ser “assistidos pelo INEM”.

Como tal, detalha o comunicado enviado às redações, a ASPP/PSP enviou ao Diretor Nacional da PSP, Luís Carrilho — com conhecimento do Ministério da Administração Interna —, um ofício a dar nota dos “constrangimentos operacionais que se traduzem diariamente em grandes atrasos e enormes filas [nos aeroportos]”.

“A ASPP/PSP tem conhecimento que esta situação está a colocar estes polícias com trabalho acrescido, prolongando-se para além do horário normal, corte de folgas aos fins de semana – isto num quadro de exaustão (“burnout”). Alguns com perda momentânea de consciência (desmaio) nas boxes. Episódios presenciados por cidadãos e que ali têm tecido duras críticas.”

“A ASPP/PSP, aquando da notícia da reestruturação do SEF, alertou insistentemente para os impactos que tal se iria traduzir no funcionamento da PSP, eis que (infelizmente) o tempo nos atribuiu razão. A panóplia de entidades envolvidas nessa matéria, o pouco envolvimento dos profissionais da PSP dados a esta valência e a complexidade do sistema, mereciam outro tipo de sensibilidade política de quem gere processos desta natureza”, remata o sindicato no comunicado.