O Governo e a AICEP não fazem comentários às críticas tecidas pelo CEO da Cloudflare, Matthew Prince. Em entrevista ao Observador, o empresário disse estar “zangado com o Governo”. “Do que posso dizer, os governos dos últimos seis anos falharam em cumprir com as suas promessas e não são sérios sobre tornar Portugal numa fábrica de unicórnios ou num hub tecnológico a sério”, afirmou o empresário. Isto depois de, entre a noite de domingo e a tarde de segunda-feira, ter usado a rede social X para dizer que Portugal “não é sério” e ameaçar travar o investimento no país.
O Observador contactou o Ministério da Economia e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para obter uma reação a estas críticas do CEO e cofundador da tecnológica. A resposta foi a mesma: sem comentários ao tema.
Pedro Reis, o ministro da Economia, esteve presente na inauguração do escritório da empresa, em Lisboa, quando Matthew Prince teceu críticas à burocracia, nomeadamente às questões de imigração, e à sobrelotação do aeroporto. Na altura, o CEO da empresa relatou, sob o olhar do ministro, a situação de “um dos membros mais séniores da equipa” que, na altura, esperava há “dois meses e meio” por um visto para vir trabalhar para Portugal.
Já a AICEP, a agência portuguesa que tem o objetivo de atrair investimento estrangeiro para Portugal, era uma das entidades citadas no anúncio da expansão da Cloudflare em 2019. Em julho desse ano, o então presidente da agência, Luís Castro Henriques, destacou a capacidade de “Portugal ter sido capaz de atrair centros tecnológicos crescentemente especializados”. Também foi dito que a AICEP estava “ativamente a trabalhar para materializar esses projetos em mais postos de trabalho altamente qualificados”.
A Cloudflare tem um data center e escritório em Lisboa, que serve de sede às operações europeias da tecnológica. Na entrevista, Matthew Prince afirmou estar a repensar esse estatuto de sede, mas comprometeu-se “a ter sempre um escritório em Lisboa”. “Não vamos encerrar o escritório, o trabalho ou as pessoas que temos aqui.” Atualmente, emprega 350 pessoas.
A tecnológica, que começou como uma aplicação para descobrir a fonte de um email de spam, disponibiliza serviços de proteção contra vários tipos de ataques maliciosos. Ao mesmo tempo, também garante a otimização de desempenho no acesso a sites.