O INE confirmou esta sexta-feira, 30 de maio, a contração do primeiro trimestre da economia portuguesa, de 0,5% em comparação com o trimestre anterior (a chamada evolução em cadeia). Em termos homólogos confirma o dado já divulgado na estimativa rápida de um crescimento de 1,6%.

“Surpresa negativa”. Economia cresceu 1,6% no início do ano, em termos homólogos, mas caiu 0,5% face ao trimestre anterior

Os dados da estimativa rápida são assim confirmados, sabendo-se agora com mais pormenor o que levou a esta evolução.

Na comparação em cadeia, e depois de um quarto trimestre forte (com um crescimento de 1,4%), a procura externa líquida passou a ser negativa, com uma redução das exportações e um aumento das importações. A procura interna teve, por seu lado, um efeito menos positivo no primeiro trimestre em comparação com os últimos três meses de 2024, verificando-se, mesmo, segundo o INE, “uma redução do consumo privado”.

As despesas das famílias “diminuíram 1,1%, refletindo uma redução de 1,0% da componente de bens não duradouros e serviços (taxa de +2,5% no 4º trimestre) e uma diminuição de 2,8% da componente de bens duradouros (+6,4% no trimestre precedente)”.

O investimento permitiu ainda dar algum sinal positivo na procura interna. Comparando com o quarto trimestre, aumentou 3,8%.

Na componente externa, as exportações diminuíram 0,4%, sendo nos bens uma queda de 0,7% que não foi compensada pelo aumento de 0,2% nos serviços. Pelo contrário, as importações subiram 1%.

O INE realça mesmo que, “nos dois últimos trimestres, observou-se uma redução dos expressivos ganhos dos termos de troca observados desde o 1º trimestre de 2023. Esta desaceleração foi particularmente acentuada no 1º trimestre de 2025, verificando-se um crescimento do deflator das Importações de Bens e Serviços de 0,5% (variação de -1,5% no trimestre anterior) e de 0,9% do deflator das Exportações de Bens e Serviços (0,7% no 4º trimestre de 2024)”.

Já na comparação homóloga, e segundo o INE, houve no primeiro trimestre uma desaceleração do consumo privado e uma aceleração do investimento — registando-se um aumento dos stocks em antecipação à guerra comercial que já se adivinhava. No primeiro trimestre ainda se verificou um contributo negativo da procura externa líquida, com as exportações a desacelerarem e as importações a registarem o movimento contrário.