Enquanto “funcionário especial” do governo dos Estados Unidos da América, Elon Musk tinha os seus dias contados na administração do país desde a tomada de posse de Donald Trump. O cargo de diretor do Departamento de Eficácia Governamental (DOGE) vinha acompanhado de um vinculo limitado à Casa Branca de 130 dias — que chegaram ao fim esta sexta-feira. Ainda assim, a influência de Musk sobre o Presidente dos EUA vai continuar, mas com um papel diferente.

Durante uma conferência de imprensa na Sala Oval, Trump não se poupou nos elogios ao magnata, que apareceu com um olho negro provocado “por um murro dado pelo filho”, referindo o seu “trabalho incansável” ao leme do DOGE, destacando as conquistas imediatas do departamento criado neste segundo mandato, com o objetivo de cortar com as despesas “inacreditavelmente estúpidas” da administração que o precedeu. Apesar de o termo legal ter chegado ao fim, o Chefe de Estado norte-americano garante que Elon “não se vai realmente embora”, explicando que vai estar sempre com um pé dentro da Casa Branca — algo que foi representado simbolicamente através da oferta de uma chave de ouro que, segundo Trump, só é dada a “pessoas muito especiais”.

Quando o Presidente finalmente passou a palavra ao seu “funcionário especial”, Musk garantiu que irá continuar a ser um “amigo e um conselheiro” de Donald Trump, numa tentativa de abafar a narrativa que indicava uma separação entre os dois — que foi seguido por diversos elogios à decoração instalada pela administração republicana na icónica Sala Oval. O empresário acrescentou ainda que “vai continuar ao serviço do Presidente”, quando questionado pelos jornalistas sobre as suas prioridades para o futuro. Já Trump descreve Musk como uma “muito boa pessoa” que “adora o país” — não se esquecendo de sublinhar que Elon Musk “vem de outro país”.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]

“O contributo do Elon para a América é sem paralelo na história moderna [dos EUA]”, continuou Trump a sua ronda de elogios, destacando o seu papel na indústria automóvel, com a Tesla, no Espaço, com a SpaceX, e mesmo na promoção da “maior plataforma de liberdade de expressão” através da rede social X. No fundo, “não há ninguém como ele [Musk]”, defendeu Trump, que disse que o seu aliado enfrentou “ventos e marés” — ou seja, ataques vindos de alguns dos “media que estavam na Sala” — durante o seu período no governo americano.

“Isto não é o fim do DOGE, isto é, na verdade, o seu início”. O “DOGEfather”, como se descreve Musk na t-shirt que vestia em plena Casa Branca, explica que o “seu bebé”, o Departamento de Eficácia Governamental, vai continuar a crescer com o tempo — “tal como o Budismo, é uma forma de vida”. Trump garantiu que a grande maioria dos atuais funcionários do departamento vai permanecer em funções, antecipando resultados sonantes ao longo do seu mandato e explicando que os cortes demoraram tempo a dar frutos. Musk prometeu ainda uma redução de um trilião de dólares fruto dos esforços da “motosserra” do DOGE.