Lee Jae-myung (centro-esquerda) é dado como vencedor das eleições presidenciais na Coreia do Sul, numa altura em que a Comissão Nacional de Eleições revelou que 85% dos votos estão contados e o candidato da oposição lidera com 48.35%. O seu principal adversário, o conservador Kim Moon-soo (PPP, direita), segue nesta altura com 42.82% dos votos e já admitiu a derrota.
Numa breve declaração aos seus apoiantes, Lee Jae-myung agradeceu o voto de confiança dos eleitores e garantiu que fará tudo o que está ao seu alcance para “cumprir a grande responsabilidade e missão que me foram confiadas, para não dececionar as expectativas do nosso povo.” Também prometeu trazer unidade ao país, reavivar a economia e procurar a paz com a Coreia do Norte, escreve a agência de notícias Reuters.
Esta votação, cujo resultado ainda precisa de ser confirmado pela Comissão Eleitoral Nacional, deve permitir que a Coreia do Sul recupere um líder e a estabilidade política, após seis meses de crise desencadeada pelo anterior chefe de Estado, Yoon Suk Yeol.
No início de dezembro, Yoon declarou surpreendentemente a lei marcial e enviou o exército para assumir o controlo do parlamento, amplamente dominado pela oposição, a fim de silenciá-lo. Na ocasião, um número suficiente de deputados conseguiu reunir-se para votar uma moção e rapidamente fazer fracassar a iniciativa do então Presidente, que foi classificada como um golpe de força.
Seguiram-se seis meses de profundo caos político, entre manifestações maciças, prisão e destituição de Yoon Suk Yeol, sucessão inédita de presidentes interinos e outras reviravoltas, nomeadamente judiciais. Devido ao vazio na chefia do Estado, o vencedor da eleição assumirá as suas funções assim que o resultado for validado, o que está previsto para quarta-feira de manhã.
Se a sua vitória for homologada, Lee Jae-myung, um antigo operário de 61 anos, terá a difícil tarefa de enfrentar a ameaça representada pelo imprevisível vizinho norte-coreano, ao mesmo tempo que se posiciona entre a China, principal parceiro comercial da Coreia do Sul, e os Estados Unidos, aliado e protetor histórico.
O futuro governante também enfrenta sérios desafios nacionais, incluindo uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo e o aumento do custo de vida.