Morreu Nelson de Matos, editor que esteve à frente da Dom Quixote durante 23 anos, publicou a editora nas redes sociais. De acordo com o jornal Público, morreu este domingo no Hospital Lusíadas, em Lisboa, aos 79 anos.

“A Dom Quixote presta homenagem a Nelson de Matos, neste dia triste para todos nós, responsável pela edição e publicação, nesta casa, de alguns dos principais escritores de língua portuguesa e a quem devemos, todos sem exceção, a criação daquela que, ainda hoje, é conhecida como a grande casa dos autores portugueses. Aos seus familiares e amigos mais próximos, a Dom Quixote, que tudo fará para honrar e dar continuidade ao caminho iniciado por Nelson de Matos, envia as mais sentidas condolências”, escreveu a Dom Quixote no Facebook.

Nelson de Matos nasceu a 25 de novembro de 1945. Começou a trabalhar na comunicação social nos anos 1960, nos jornais Notícias da Amadora, República e Diário de Lisboa. Em 1974 ingressou como responsável editorial na Arcádia e seguiu a carreira na edição na Moraes Editores entre 1976 e 1980, também como administrador por parte do Estado, representando o então Instituto das Participações do Estado, EP. Foi também um dos sócios fundadores da revista e editora & etc e editor e co-proprietário da revista Grande Reportagem entre 1989 e 1994.

Em 1975 participou num projeto de reestruturação e reorganização das empresas editoriais e de distribuição que ficaram sob intervenção do Estado após o 25 de abril. Em 1979 foi consultor da Secretaria de Estado da Cultura para o projeto de constituição do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB). Exerceu cargos diretivos na Associação Portuguesa de Escritores e na Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Foi fundador e primeiro Presidente do Clube de Editores e sócio fundador da União dos Editores Portugueses.

Em 1981, depois da morte de Snu Abecassis, passou a dirigir a Dom Quixote, a editora fundada em 1965. Permaneceu até 2004, quando deixou a editora que em 1999 foi comprada pelo grupo espanhol Planeta. Em novembro de 2004 assumiu o cargo de Diretor Geral de Edições da empresa ÂMBAR, onde permaneceu até abril de 2007. Em fevereiro de 2008 fundou a Edições Nelson de Matos.

Durante a vida conviveu com escritores como Jorge de Sena, Vergílio Ferreira, Sophia de Melo Breyner, José Saramago, José Gomes Ferreira, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Ruy Belo, Nuno Bragança, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen, Natália Correia e António Ramos Rosa. Entre 1981 e 2004 trabalhou com nomes como Lídia Jorge, David Mourão-Ferreira, António Lobo Antunes, Álvaro Guerra, João de Melo, Inês Pedrosa, José Cardoso Pires, José Eduardo Agualusa, Luis Cardoso, Manuel Alegre, Mário Cláudio, Pepetela, Teolinda Gersão, Nuno Júdice, Gastão Cruz, Rita Ferro, Antonio Tabucchi, Clara Ferreira Alves, Mafalda Ivo Cruz, Rui Zink e Pedro Rosa Mendes.

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) lamentou a morte do editor, considerando-o “uma figura incontornável da edição em Portugal”. “Editor de rara sensibilidade e visão, Nelson de Matos deixou uma marca indelével no panorama literário português, tendo contribuído decisivamente para a divulgação de autores como José Cardoso Pires, António Lobo Antunes, Manuel Alegre, Lídia Jorge ou Mário Cláudio, que tanto enriquecem o nosso património cultural”, refere a APEL, em comunicado.

Nos anos em que foi diretor da APEL, “distinguiu-se pelo seu empenho, generosidade e profundo compromisso com a dignificação do setor editorial e livreiro”, acrescentou a associação.

Por isso, “neste momento de dor, a direção e colaboradores da APEL prestam homenagem à sua memória e apresentam as mais sentidas condolências à família, amigos e a todos quantos com ele partilharam o amor pelos livros e pela palavra escrita”, pode ainda ler-se no comunicado.