Na conferência de imprensa antes do jogo ou no momento de substituição aos 88′, ficou clara a boa ligação entre Roberto Martínez e Cristiano Ronaldo. Olhando para tudo o que se passou desde que o técnico rendeu Fernando Santos depois da fase final do Mundial de 2022, mais do que alguma vez tinha ficado expresso. Ao longo de quatro dias, quase como resposta a todo o contexto que estava criado em torno da continuidade ou não do espanhol no comando da Seleção, todas as manifestações foram ganhando um outro peso. A certa altura, parecia quase que faltava apenas um desaire para mudar no que existia. Não aconteceu. E, no epílogo da Final Four da Liga das Nações, aquilo que se viu foi um treinador cúmplice, emocionado e em festa.

As mãos de Diogo seguraram a estrela de Martínez (a crónica do Portugal-Espanha)

Depois das duas finais ganhas por Fernando Santos durante oito anos na Seleção, entre o Europeu de 2016 e a Liga das Nações de 2019, Martínez tornou-se apenas o segundo treinador a conseguir ganhar um grande título por Portugal, naquele que foi também o terceiro troféu da carreira, o primeiro numa seleção após a League One ganha pela Swansea em 2008 e a Taça de Inglaterra conseguida ao serviço do Wigan em 2013.

“Durante os 100/120 minutos, no geral, fiquei satisfeito mas é certo que a Espanha entrou melhor porque a experiência de jogar finais… Demonstrámos ansiedade, demos a bola e espaço à Espanha… Estivemos a primeira parte assim, mas na segunda parte ficámos mais calmos. No geral, o foco era tentar fazer o que fizemos, marcar dois golos e defender como defendemos e ganhar uma final contra uma equipa que está num momento incrível, que ganhou o Europeu e a última Liga das Nações… Esta não é uma final para falar do que aconteceu, é para celebrar e estar orgulhoso. Se voltava a colocar João Neves como lateral direito? Fazia o mesmo, ganhámos a taça…”, atirou entre sorrisos na zona de entrevistas rápidas da RTP, já refeito de momentos de maior emoção sobretudo quando olhou para as bancadas, para adeptos e família.

“Sou um homem muito orgulhoso. As finais são importantes para ganhar, é preciso ter capacidade para sofrer como equipa, ter resiliência, acreditar e continuar quando a Espanha marca. Voltámos e mostrámos uma personalidade que foi incrível. Estamos a falar de uma equipa que tem muita experiência em jogar finais. Adorei a nossa atitude, a capacidade de crescer durante o jogo. Acho que merecíamos ganhar a esta Liga das Nações. Golo sofrido em cima do intervalo? É importante ter mais de 11 jogadores. Foi um jogo fisicamente muito exigente mas acho que mentalmente mais exigente. Não podíamos tentar ganhar a bola sem saber como e abrir espaço para a Espanha. Trabalhamos sempre com muito boas ideias. Mostrámos, quando tínhamos a bola, que tínhamos uma ideia clara de como criar perigo. Os jogadores do banco entraram e ajudaram mais uma vez ao desempenho final”, começou por comentar, ainda na SportTV.

“Rafael Leão? Gostaria de relembrar que em novembro nós vimos o melhor Rafael Leão. Foi uma época difícil mas o jogo, quando há espaço, o lateral leva cartão amarelo… Acho que era muito difícil poder parar o Rafael Leão. Ajudou muito durante o prolongamento. A equipa acreditou que nos penáltis era para ganhar o jogo. Resposta ao ruído? O ruído é o ruído. Sabemos a posição do selecionador. Há opiniões que são com o coração, maliciosas. É uma pena porque estamos juntos a trabalhar para o futebol português. Hoje foi uma demonstração disso. Temos uma equipa para estarmos orgulhosos”, acrescentou ao mesmo canal. “O orgulho de ganhar um troféu, o orgulho de dar esta alegria a todos estes adeptos superam esse ruído, que às vezes é um ruído bom, porque é crítico, e outras vezes é malicioso, com uma agenda”, diria mais tarde.

O selecionador fala português, faz tudo, merece… Deram-lhe muita porrada e agora é deixar trabalhar, mantém sempre uma grande paixão lá dentro que só nós é que vemos. Depois de ganharmos uma competição como a Liga das Nações, depois de virmos à Alemanha conquistar a Liga das Nações com a Alemanha e a Espanha, é dar tempo para trabalhar”, frisou Ronaldo.

Já Pedro Proença, que começou por dar os pêsames à família do adepto que acabou por morrer após cair de uma altura de cinco metros no estádio nos minutos iniciais do prolongamento, destacou a importância do segundo título ganho pela FPF numa semana depois do Europeu Sub-17 e abordou tudo o que envolvia a possibilidade de saída de Roberto Martínez, assegurando que o contrato até 2028 é para cumprir.

“Tem contrato até 2028. Esta Direção da Federação Portuguesa de Futebol, embora não tenha sido ela a fazer estes contratos, será cumpridora dessas assinaturas. Estamos satisfeito com o trabalho do mister Martínez, nunca sentimos necessidade de vir a público, até por estar em competição. Sabia bem o que pensávamos do seu trabalho. Iremos agora para fazer um Campeonato do Mundo, com muitas alegrias e enorme vontade de sermos campeões do mundo”, garantiu o novo presidente da Federação na zona mista.

“Estamos todos muitíssimo satisfeitos e evidente que são três meses que acabam por ter esta glória. O treinador e os jogadores fizeram um trabalho extraordinário. É verdade que temos de ter uma pontinha de sorte quando chegamos às grandes penalidades. Parabéns também à Espanha, que fez uma grande exibição. Saímos daqui muito mais satisfeitos com o que fizemos e o que vamos fazer no futuro. As ambições e responsabilidade são as mesmas. Esta nova administração é gente com muita vontade, que acredita muito no processo. Queremos fazer mais e melhor, é o momento de agradecer aos inúmeros clubes que tanto dão a esta Seleção, a todas as associações distritais, de classe. Somos os últimos beneficiários deste talento que é criado todos os fins de semana”, acrescentou Pedro Proença, que na carreira de árbitro dirigiu uma final da Liga dos Campeões em 2012 na Allianz Arena, em Munique, onde Portugal ganhou esta noite.