Kim Sajet, a diretora da National Portrait Gallery, que o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter despedido no mês passado, demitiu-se na última sexta-feira, noticiou o New York Times.

A decisão foi comunicada aos trabalhadores num e-mail interno no qual se diz que a saída era do melhor interesse da instituição.

Esta semana, o Instituto Smithsonian, que supervisiona a National Portrait Gallery e que há muito funciona como independente do poder executivo, reiterou que mantinha a autoridade legal sobre o pessoal, isto depois de Donald Trump ter acusado Sajet de ser “altamente partidária e uma forte apoiante de DEI (sigla para políticas que promovem diversidade, equidade e inclusão)” e que por isso tinha “terminado o contrato” da diretora da instituição. No entanto, como a galeria não pertence a uma organização federal, Trump não tinha uma competência presidencial com cobertura legal e legitimidade para tal decisão. A decisão exigiria a aprovação do conselho de administração da Smithsonian, o instituto que gere vários museus e centros em Washington.

De acordo com o New York Times, Sajet não terá mencionado o Presidente e respetivos comentários na declaração que foi enviada aos funcionários por Lonnie G. Bunch III, secretário do Smithsonian.

De resto, o desejo da administração Trump para que a gestora cultural se afastasse não era uma novidade. Escreve o diário norte-americano que a Casa Branca tinha elaborado uma lista de queixas que sugeriam que Sajet (que liderava a National Portrait Gallery há 12 anos) era uma escolha inadequada para dirigir um museu nacional. Em causa estavam comentários públicos sobre a desigualdade racial e de género na América.

Já no início do ano a National Gallery of Art tinha sido forçada a encerrar o gabinete para as questões da diversidade e a redistribuir os funcionários que ali trabalhavam, devido a uma ordem executiva emitida por Donald Trump. A galeria, que até então contemplava no seu site os valores de “diversidade, equidade, acesso e inclusão”, substituiu a frase pela expressão “acolhedora e acessível”.

É mais um embate da administração Trump com instituições culturais. Nestes primeiros seis meses de mandato, o Presidente dos Estados Unidos tem procurado reconfigurar espaços de criação e pensamento e atacado as principais frentes do que considera serem as guerras culturais.