Kim Sajet lidera a National Portrait Gallery, na capital dos Estados Unidos da América, há mais de 12 anos, depois de uma longa carreira no mundo das artes. Em 2022, a diretora afirmou que a coleção se dirigia mais para “os mais ricos, os pálidos e os homens”, o que justificou esforços para incorporar obras de “artistas contemporâneos”, com algumas peças a retratar problemas políticos como racismo e imigração. Três anos mais tarde, Donald Trump decidiu que esta liderança deveria mudar, caracterizando Sajet como “altamente partidária” e uma “grande apoiante” do programa que promove medidas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).
Para o Presidente, este conjunto de características é “altamente inapropriado” para o cargo que desempenha e, por isso, e “após o pedido e recomendação de muitas pessoas”, oficializou a decisão através de uma publicação na sua rede social Truth. Contudo, uma vez que a galeria não está sob comando direto de uma organização federal, existe quem questione se Trump tem realmente o poder para mudar a sua gestão sem aprovação do conselho de administração da Smithsonian, o instituto que gere vários museus e centros em Washington.
O fator que talvez possibilite esta decisão de Trump, no entanto, é a presença de um forte aliado do Presidente neste mesmo conselho: o seu vice, JD Vance. Apesar de ser uma repetição daquilo que foi já feito por Joe Biden, com Kamala Harris a entrar também na administração da Smithsonian durante o seu mandato, Trump admitiu publicamente que queria uma maior promoção de “grandeza americana” nos vários museus da instituição, queixando-se de uma grande presença de “narrativas que pintam valores americanos e ocidentais como intrinsecamente nocivas e opressivas”, lembra o New York Times.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]
Segundo Trump, Kim Sajet é uma “grande apoiante de DEI”, mesmo depois de o Chefe de Estado ter proibido programas que promovam estes valores em instituições financiadas a nível federal — como é o caso da Smithsonian, que recebe mais de 2/3 do seu financiamento do Congresso norte-americano. Assinada a ordem executiva, a instituição seguiu as indicações presidenciais e encerrou os seus gabinetes de diversidade. A nível da National Portrait Gallery, a missão do centro que incluía “diversidade, equidade, acesso e inclusão” foi substituída para “acolhedor e acessível”.
Na capital do país, a National Portrait Gallery é a casa dedicada a destacar “indivíduos que tenham feito contribuições significativas para a história, desenvolvimento e cultura das pessoas dos Estados Unidos”. Fora da Casa Branca, é o único local em todo o país que possui uma coleção completa dos retratos presidenciais.