A startup portuguesa Bandora, que desenvolve soluções de inteligência artificial para tornar os edifícios mais eficientes e sustentáveis do ponto de vista energético, venceu a competição de pitch realizada durante a CEO Summit, conferência organizada pela equipa por detrás da feira tecnológica CES, a CTA (Consumer Technology Association). Como prémio, a empresa conquistou um lugar de exposição na edição do próximo ano da CES, que decorre em Las Vegas entre 6 e 9 de janeiro.
A Bandora estará, especificamente, no Eureka Park, o espaço onde 1.400 startups apresentam os seus produtos e onde os investidores se deslocam à procura do seu próximo “unicórnio”. Citada em comunicado, Márcia Pereira, fundadora e CEO da empresa, comenta que vencer o pitch foi “uma honra” e que a conquista de um espaço de exposição é uma “oportunidade incrível” para partilhar a visão da empresa, “conhecer investidores” e aumentar os contactos com vista a uma “expansão internacional”.
Ao Observador, a empresária afirma que o prémio “representa um reconhecimento internacional do potencial inovador da Bandora”. “Sermos selecionados para apresentar na CES, o maior palco mundial de tecnologia, valida a relevância do nosso trabalho em inteligência artificial para eficiência energética e coloca-nos ao lado das startups mais promissoras do mundo”, destaca.
▲ Márcia Pereira com responsáveis da CTA e com os investidores que avaliaram as startups
Direitos Reservados
Até à participação na CES, Márcia Pereira estabelece três “grandes metas”: fechar uma ronda de investimento série A, consolidar operações nos Estados Unidos, “ultrapassando o número de edifícios com Bandora instalados em Portugal”, e apresentar uma “nova linha de produto focada na otimização energética de infraestruturas críticas e de alta exigência”.
Na corrida pelo lugar na edição da CES de 2026 estavam outras quatro startups portuguesas: a Enhanced Fertility (testes de fertilidade para fazer em casa); a iLoF (que tem uma plataforma que utiliza inteligência artificial para acelerar a descoberta e desenvolvimento de medicamentos personalizados); a Mantis-AI (que transforma vídeos e dados em bruto com ‘ajuda’ da IA) e Musiversal (plataforma online que dá acesso a sessões de gravação para produção musical).
As empresas foram avaliadas por um painel de investidores composto por Rita Branco (da 3xP Global Investments), Cíntia Mano (da COREangels), Tomás Penaguião (da Bynd Venture Capital), João Pereira (da Portugal Ventures) e Diogo Teixeira (da Beta-i).
Musiversal. Plataforma portuguesa de produção musical angaria 2,8 milhões de euros
Fundada em 2017 e com sede no Porto, a Bandora está presente no mercado ibérico, no Brasil e nos Emirados Árabes Unidos e quer entrar na República Dominicana e na Colômbia. Na semana passada, anunciou que chegou aos Estados Unidos, mais especificamente a Nova Jérsia, com um projeto-piloto nas cadeias de fast food Daves Hot Chicken e Dunkin’ Donuts. A operação, que começou em dezembro de 2024, permitiu que as lojas poupassem uma média de cerca de “50% de energia”, segundo a startup portuguesa.
“Estamos muito entusiasmados com estes resultados excecionais e com as novidades que estão por vir, que refletem a confiança de novos parceiros na integração de uma solução tecnológica inovadora, que ajuda a revolucionar a eficiência energética dos seus edifícios e que assenta num modelo de negócio que privilegia o lado da procura”, afirmou Márcia Pereira, aquando do anúncio da chegada ao mercado norte-americano.
Ao jornal Eco, a responsável máxima da Bandora avançou em exclusivo que estava nos planos, “com a maior brevidade possível”, fazer a “incorporação nos Estados Unidos”. Ou seja, constituir uma empresa (uma Bandora USA), no segundo semestre do ano, nesse mercado. “É o que temos no plano e já estamos a trabalhar nessa vertente.”
A chegada aos EUA foi “impulsionada” por um investimento de 100 mil euros por parte da HearstLab, o braço de investimento da empresa Hearst Corporation, que aumentou para cerca de 1,7 milhões de euros o montante já recebido pela Bandora. A startup pretende fechar uma nova ronda no último trimestre deste ano.
*Notícia atualizada às 15h22 com as respostas de Márcia Pereira ao Observador