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A pesquisa pela sigla CES no Google remete, em primeiro lugar, para o Conselho Económico e Social. Mas, para os entusiastas de tecnologia e principalmente numa das primeiras semanas de janeiro, tem outro significado: Consumer Electronics Show, uma feira tecnológica que decorre em Las Vegas, nos Estados Unidos, e que marca o arranque do ano tecnológico para as mais diversas empresas.
Durante esta semana, entre terça e sexta-feira (de 7 a 10 de janeiro), as marcas mostraram protótipos e anunciaram os produtos que vão chegar às lojas nos próximos meses. Outras novidades já estão disponíveis no continente asiático, mas fazem a apresentação oficial ao mercado norte-americano (e consequentemente ganham a atenção da Europa) na CES.
Entre os gadgets mais invulgares, como uma “torradeira” que é capaz de carregar a bateria de um smartphone em segundos, e os mais comuns, como novos telemóveis e computadores, seria difícil a edição deste ano escapar a um tema que parece estar a ganhar cada vez mais relevância na indústria tecnológica: os óculos inteligentes.
Abaixo apresentamos oito das principais tecnologias que marcaram a CES de 2025.
▲ O design dos óculos inteligentes da Halliday não deixa antever que estão "recheados" de tecnologia
Halliday
Os óculos com um assistente de IA incluído
A startup Halliday desenvolveu uns óculos que parecem ser “comuns”, mas estão repletos de tecnologia. Ao contrário do que acontece com outros óculos do género, em que a “magia” está nas lentes, estes óculos têm um projetor (chamado DigiWindow) embutido no canto superior direito da armação. Desta forma, os utilizadores podem ter lentes graduadas e o ecrã que projeta notificações ou traduções (e que tem 3,5 polegadas) continua a funcionar.
Com microfones embutidos, os óculos conseguem ouvir conversas e analisá-las, respondendo a eventuais questões que possam surgir. Com um assistente “proativo” de inteligência artificial, de acordo com a empresa, também podem fornecer informações adicionais sobre um determinado tópico sem que o utilizador tenha de fazer um pedido concreto para tal. Se estiver numa reunião, por exemplo, os óculos podem dar-lhe respostas ou fazer resumos do que foi falado.
A Halliday está a redefinir o que um assistente de IA pode fazer. Não se limita a responder a comandos. Antecipa as necessidades dos utilizadores e oferece assistência de forma proativa”, diz a empresa, acrescentando que a tecnologia está “sempre um passo à frente”.
A Halliday explica também que os óculos conseguem, através da inteligência artificial, traduzir em tempo real até 40 idiomas, transcrever notas de voz para textos e apresentar letras de músicas enquanto se ouve uma determinada canção. É ainda possível ver e responder a mensagens.
Os pedidos podem ser transmitidos pelos utilizadores aos óculos através de comandos de voz ou através de um anel, que é sensível ao toque e que permite navegar por todas as funcionalidades. Os óculos, que pesam 35 gramas e têm uma autonomia de bateria de até oito horas, deverão ficar disponíveis no final do primeiro trimestre do ano por 489 dólares, segundo o site especializado ZDNet. Até ao momento, a Halliday não divulgou informações sobre o anel, nomeadamente sobre se é vendido à parte ou como é que é carregado.
Uma “torradeira” que carrega a bateria do telemóvel
À primeira vista parece uma torradeira. Mas não é. É um dispositivo criado pela Swippit, fabricante de acessórios para telemóveis, para carregar a bateria de smartphones em segundos. Para isso, basta colocar o telemóvel, que tem de estar equipado com uma capa específica (que tem uma bateria incluída), na ranhura do objeto e esperar até que a luz fique verde. E pronto. O telemóvel “sai” carregado.
A “torradeira”, denominada de Swippit Hub, está equipada com cinco baterias externas. Ao inserir um telemóvel, o dispositivo retira a bateria que está na capa e troca-a por uma diferente, totalmente carregada. A bateria antiga fica dentro do hub para recarregar. Através de uma aplicação, também desenvolvida pela empresa, é possível verificar o nível de carga das baterias e escolher horas específicas para carregar.
▲ A "torradeira" desenvolvida pela Swippitt
Swippitt
De acordo com o The Verge, cada uma das baterias, de 3.500mAh (milamperes-hora), consegue recarregar um telemóvel de 50% a 90%, percentagem que varia consoante o tamanho da bateria do próprio equipamento. Para já, as capas de smartphone específicas, da Swippit, que são compatíveis com o hub só estão disponíveis para os iPhone 14, 15 e 16. De seguida, a empresa pretende disponibilizar capas para os Samsung Galaxy S23 e S24.
A inovação da Swippit, que começará a ser enviada aos interessados em junho, não é barata. A “torradeira” custa 450 dólares (mais de 436 euros) e cada capa custa 120 dólares (mais de 116 euros). Na prática, feitas as contas, é mais cara do que, por exemplo, comprar uma PlayStation 5 Standard (atualmente o preço ronda os 549,99 euros) e pouco mais barata do um iPhone 14 (disponível a partir de 669,99 euros).
Uma colher que consegue deixar a comida mais salgada sem usar sal
É um dos gadgets mais invulgares da edição deste ano da CES. Uma colher, idealizada pela cervejeira japonesa Kirin, cujo propósito é levar as pessoas a ingerirem menos sal. A empresa diz que a colher, composta por duas peças separadas (sendo possível separar a base da pega), é capaz de dar mais sabor à comida com baixo de sódio sem adicionar sal.
De que forma? Através da passagem de uma corrente elétrica (fraca) até à língua dos utilizadores, realçando o sabor salgado dos alimentos, segundo o The Washington Post, e consequentemente evitando que seja necessário adicionar mais sal. Os utilizadores podem escolher o nível de salinidade pretendido entre quatro modos distintos.
Apesar de o produto ser uma novidade para os norte-americanos, porque só agora foi apresentada nos EUA, não o é para os japoneses. A colher está à venda no Japão desde 2024, por cerca de 125 dólares (cerca de 121 euros), e a Kirin ambiciona comercializá-la globalmente nos próximos anos.
▲ A colher da Kirin já está à venda no Japão
Um computador que cresce sozinho
Sim. É isso mesmo. Numa inovação que fará com que os segundos monitores pareçam uma coisa do passado, o novo portátil da Lenovo, o ThinkBook Plus Gen 6 Rollabe, tem um ecrã extensível, que cresce verticalmente de 14 para 16,7 polegadas. O aumento do ecrã, que demora alguns segundos, é ativado através do teclado ou de um gesto com a mão (a palma para cima na vertical para subir e ao contrário para descer).
Uma vez “desenrolado”, pode ser utilizado como um segundo monitor ou para aumentar a área de uma determinada página ou aplicação. A Lenovo diz que o computador “combina a portabilidade de um portátil tradicional com o espaço de trabalho alargado de um dispositivo maior”. “Com uma experiência única de ecrã vertical, o ThinkBook Plus Gen 6 Rollable também incentiva a uma melhor postura, reduzindo o esforço dos profissionais que trabalham durante longas horas”, salienta.
O computador vai começar a ser vendido nos Estados Unidos em junho, com um preço que não é para todas as carteiras: 3.499 dólares (mais de 3.396 euros). Num comunicado, que foi partilhado online, a empresa não menciona quando é que o portátil ficará disponível noutros mercados, nem por que valores.
▲ O computador da Lenovo que consegue "crescer" sozinho
Lenovo
Um robô capaz de apanhar meias do chão
É a proposta da Roborock. Um aspirador robô com um “apêndice”, um braço mecânico chamado OmniGrip, articulado, giratório e com cinco eixos, capaz de apanhar um (ainda reduzido) leque de objetos do chão. Para já, só consegue levantar pequenas toalhas, pedaços de papel e sandálias. Mas a empresa diz que no futuro, o aparelho será capaz de recolher outros tipos de sapatos e roupa, bem como brinquedos de animais de estimação.
Anunciado como o primeiro robô aspirador produzido em massa com um braço mecânico dobrável, o Saros Z70 consegue apanhar objetos com um peso de até 300 gramas enquanto limpa e depositá-los onde o seu proprietário determinar. Ainda assim, segundo o Cnet, o processo nem sempre corre bem à primeira tentativa. Mas o robô não desiste até conseguir agarrar o item pretendido.
▲ O robô da Roborock tem um braço mecânico
Roborock
O ciclo de limpeza é feito em várias partes, segundo a Roborock, que é citada pelo site Mashable. Primeiro, o robô limpa a sala enquanto identifica todos os objetos que consegue apanhar. De seguida, regressa à sua estação de descanso, só para depois sair para recolher tudo o que sinalizou. Termina o ciclo ao limpar novamente todos os locais onde os itens estavam pousados anteriormente.
O Saros Z70 deverá chegar ao mercado no primeiro semestre deste ano, não sendo ainda conhecido o mês exato. O preço também não foi revelado, mas a imprensa internacional especializada aponta que deverá custar mais de 1.500 dólares (mais de 1.450 euros), o valor dos modelos de aspiradores robô lançados anteriormente pela empresa (que não tinham um braço mecânico).
Um portátil feito com conchas de ostra
É possível (ainda que apenas parcialmente), pelo menos para a Acer. A empresa apresentou o seu mais recente portátil, o Aspire Vero 16, ‘amigo do ambiente’, neutro em emissões de carbono e “o primeiro do mundo a integrar material biológico de concha de ostra”.
A Acer explica, em comunicado, que o computador tem um componente — mais especificamente um “chassis” — que foi fabricado com uma combinação de “mais de 70% de plástico reciclado pós-consumo (PCR)” e conchas de ostra, que foram limpas e trituradas antes de serem misturas para integrarem o aparelho. A inovação não “compromete o desempenho ou a durabilidade” do Aspire Vero 16.
Fora as ostras, este é um computador comum: com um ecrã de 16 polegadas, alimentado por processadores Intel Core Ultra 200H, com uma memória de até 32 Gigabytes (GB) e um armazenamento de até 2 Terabytes (TB). O Aspire Vero 16 fica disponível no mercado norte-americano em abril e chega também à Europa, ao Médio Oriente e a África no segundo trimestre do ano (ainda que o mês em concreto não tenha sido revelado), a partir de 1.199€.
▲ O portátil da Acer é “o primeiro do mundo a integrar material biológico de concha de ostra”
ACER
Um “gato” que arrefece a comida
Chama-se Nékojita Fufu. É um gato-robô totalmente portátil que sopra para arrefecer comidas e/ou bebidas. Para isso, deve ser colocado na asa de canecas ou tigelas ou junto a pratos. O nome da inovação, desenvolvida pela empresa japonesa Yukai Engineering, combina dois conceitos diferentes: “Neko-jita”, que significa “língua de gato” e é uma expressão utilizada no Japão para descrever uma sensibilidade a comida muito quente; e “FuFu”, uma onomatopeia para o som que as pessoas que fazem a soprar alimentos a escaldar.
A Yukai Engineering explica que o robô tem uma ventoinha (que tem uma bateria recarregável) que é combinada com um “algoritmo especial”, que controla o ritmo, a intensidade e os intervalos do sopro. Existem vários modos, por exemplo um que é uma “série ininterrupta de golpes fortes e curtos” ou outra em que tem um “sopro longo, forte e ininterrupto numa única respiração”.
Os testes feitos pela tecnológica mostram, segundo a própria, que o gato-robô é capaz de “diminuir a temperatura da água quente de 88.ºC para 71.ºC e 66.ºC em três e cinco minutos, respetivamente”. O dispositivo deverá ficar disponível no Japão ainda este ano por cerca de 25 dólares (pouco mais de 24 euros).
▲ O robô-gato que arrefece a comida e as bebidas
Yukai Engineering
Um smartphone que simula um e-reader
TCL 60 XE NxtPaper 5G. Não é apenas um smartphone com um nome comprido e complicado. Com um toque no ecrã, pode transformar-se num e-reader e ser uma opção para as pessoas que gostam de ler (tanto em papel como digitalmente), mas não querem investir em dispositivos como um Kobo ou um Kindle.
No “Modo Max Ink”, que transforma o ecrã num “formato e-ink concebido para reduzir a tensão ocular e garantir o máximo conforto para os olhos”, a TCL diz que as pessoas podem “mergulhar totalmente em romances emocionantes ou concentrar-se em documentos importantes sem qualquer distração, uma vez que silencia automaticamente as notificações”. Em termos de bateria, esta opção “suporta até sete dias de leitura e 26 dias em standby”.
▲ O TCL 60 XE NxtPaper 5G consegue simular um e-reader
TCL
Com um ecrã de 6,8 polegadas, o telemóvel tem um sistema de câmara tripla, 8 GB de RAM (expansível por mais 8 GB) e 256 GB de armazenamento interno. Para já, o TCL 60 XE NxtPaper 5G é um modelo exclusivo para a América do Norte, com um custo de 199 dólares (cerca de 193 euros). A empresa não revelou ainda quando é que chegará ao mercado europeu, mais especificamente a Portugal.