Um ponto era o que separava a confirmação, da surpresa. Depois da surpreendente derrota frente ao Flamengo (3-1), o Chelsea chegou à última jornada do Grupo D do Campeonato do Mundo de Clubes a precisar de apenas um ponto para seguir em frente, mas já sem aspirações a terminar no primeiro lugar. Na segunda partida dos blues na competição, Nicolas Jackson “borrou” a pintura ao ser expulso pouco depois de ter entrado e, nos últimos dias, tem sido apontado à saída de Stamford Bridge. Por outro lado, o Espérance Tunis bateu o Los Angeles FC (1-0) e garantiu que ia chegar à última partida igualmente a depender só de si, embora só a vitória interessasse às aspirações tunisinas nos Estados Unidos.

“É quase impossível fazer sessões de treino por causa do clima. Agora estamos apenas a tentar poupar energia para o jogo. Neste momento, o foco está no jogo. O futebol está cheio de surpresas — más surpresas —, por isso precisamos de estar prontos para o jogo de amanhã [quarta-feira] e ganhar o jogo. Quando és o treinador ou um jogador do Chelsea, qualquer jogo que não ganhes é uma manchete [de jornal]. Estamos acostumados a isso. Amanhã é um jogo em que temos que fazer as coisas certas para passar para à próxima fase e precisaremos de dar o nosso melhor. Faremos uma rotação [no onze inicial] porque aqueles que jogaram as duas partidas estão muito cansados ​​para jogar novamente. Faremos a rotação e veremos se há a oportunidade para aqueles que não jogaram tanto”, assumiu Enzo Maresca, numa conferência de imprensa marcada pelas críticas devido ao calor.

Assim, para o primeiro confronto entre as duas equipas e o primeiro dos ingleses frente a um emblema africano, o técnico italiano deixou Pedro Neto e Dário Essugo no banco de suplentes e promoveu nove alterações, deixando apenas Malo Gusto, Enzo Fernández e Liam Delap no onze. No outro lado, Maher Kanzari foi mais conservador e mexeu apenas no ataque, com Yan Sasse a juntar-se a Achref Jebri, remetendo Rodrigo Rodrigues para o banco. Já Youcef Belaili saiu da equipa por estar castigado devido a acumulação de amarelos.

Apesar de os ingleses terem entrado com mais bola, os tunisinos criaram dificuldades com tentativas rápidas no ataque, ainda que as principais oportunidades do primeiro tempo tenham pertencido ao Chelsea. Na primeira, Dewsbury-Hall cobrou um canto para a finalização de Benoit Badiashile ao lado (4′). Pouco depois, Malo Gusto tirou um cruzamento para o segundo poste, onde o médio inglês apareceu a finalizar, valendo um grande corte de Yassine Meriah (20′). Já depois da habitual pausa para hidratação, os blues voltaram a carregar e, de fora da área, Josh Acheampong atirou para defesa apertada de Bechir Ben Said (36′). A fechar o primeiro tempo, Noni Madueke serviu o antigo médio do Benfica à entrada da área que, com um remate forte, quase inaugurou o marcador (45+1′).

No tempo de compensação, Enzo Fernández assumiu as operações dos blues e, com um livre cobrado para o segundo, assistiu Tosin Adarabioyo para o golo inaugural, com o central a ganhar as costas à defesa do Espérance Tunis e a cabecear para dentro da baliza (45+3′). Volvidos dois minutos, o internacional argentino desferiu mais um grande passe, agora para Liam Delap que, depois de receber de costas para a baliza à entrada da área, tirou um defesa do caminho e desferiu um remate colocado e rasteiro para o 0-2 (45+5′). Com duas assistências brilhantes do capitão, estava assim resolvida a partida e as contas do grupo.

A abrir a segunda etapa, Enzo Fernández recebeu à entrada da área e desferiu um remate colocado que saiu ligeiramente por cima (52′). Pouco depois, Madueke encontrou Christopher Nkunku dentro da área, puxo para o pé esquerdo e atirou forte ao lado (58′). Já com Essugo em campo, Madueke voltou a tentar com um remate cruzado que saiu perto do poste esquerdo (64′). Enzo Maresca continuou a lançar os jogadores menos utilizados e, naturalmente, o ritmo do desafio caiu. A fechar as contas, novamente no tempo de compensação, Tyrique George concluiu um bom desenho ofensivo da melhor forma, desferindo um remate forte de fora da área, que Ben Said não conseguiu defender e permitiu que a bola entrasse (90+7′).

A pérola

  • Aos 24 anos, Enzo Fernández joga e faz os companheiros jogarem. Não que seja propriamente uma novidade, mas desde que chegou ao Chelsea, a carreira do internacional argentino continuou em crescimento, mais em termos de estatuto na equipa e individuais, do que propriamente no que aos troféus diz respeito. O capitão dos blues foi a figura do duelo desta quarta-feira, mostrando uma qualidade com bola ao alcance de poucos, com passes precisos como aqueles que antecederam os golos de Tosin e Delap. O reencontro com o Benfica terá, certamente, um sabor especial.

O joker

  • Formado no Man. City, Tosin Adarabioyo teve poucas oportunidades na equipa principal dos cityzens, não se conseguiu afirmar e teve de encontrar o seu futebol longe de Manchester. Por entre empréstimos a West Bromwich e Blackburn Rovers, foi no Fulham que o central catapultou de vez a sua carreira, chegando ao Chelsea a custo zero no início desta temporada. Em Londres, Tosin conquistou a titularidade e assinou a melhor temporada da sua carreira em termos individuais, com cinco golos e uma assistência. O quinto apareceu esta noite, de bola parada, um dos pontos fortes do central.

A sentença

  • Uns ficaram pelo caminho, os outros seguiram em frente. Com as contas finais do Grupo D a resumerem-se ao encontro do Lincoln Financial Field, o Chelsea levou a melhor ante o Espérance Tunis e somou a segunda vitória na fase de grupos, apurando-se para os oitavos de final na segunda posição. Segue-se, agora, o duelo com o Benfica. Por outro lado, os tunisinos disseram adeus à competição no terceiro lugar, com três pontos, e com uma boa imagem.

A mentira

  • Num Campeonato do Mundo de Clubes em que grande parte das preocupações se concentram fora dos relvados, o argentino Yael Falcón Pérez voltou a protagonizar uma arbitragem aquém do exigível. Apesar de não ter tido qualquer influência no resultado, o jogo não começou bem para o árbitro sul-americano que, na fase inicial da partida, perdoou o vermelho direto a Mohamed Ben Ali, que teve uma entrada muito dura, de sola, sobre a perna de Madueke, que podia ter consequências de maior. Incrivelmente, o lance também passou em branco depois do escrutínio do VAR. Os erros continuaram a acumular-se até ao fim da partida, com Falcón Pérez a reverter um penálti claro por corte com o braço de Yassine Meriah.